Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Jornalista

Tapar o mal com peneira

Numa onda em sintonia com os ventos globais contra a liberdade de expressão e informação, os principais dirigentes do futebol português lançaram agora o novo campeonato da censura. E aqui estamos a ver quem vai mais longe na cegueira de mandar calar. Convém lembrar a primeira premissa de qualquer regulamento: as suas normas têm de respeitar as da Constituição. Ora, a nossa lei maior ainda protege o direito de expressão. Esperemos que por muitos anos, décadas, séculos, até.

O que aparenta este toma lá dá cá entre clubes é uma imensa peneira para tapar o mal maior. Nenhum presidente é arrojado ao ponto de avançar propostas concretas e eficazes para conter o poder destrutivo das claques. Então, contorna-se o tema central, que afasta dos estádios muitos dos potenciais consumidores, e coloca-se as mãos em concha para assim tentar suster o vendaval.

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As propostas para conter as achas na fogueira verbal enchem páginas e horas de debate, dão títulos interessantes, mas, para lá de ridículas, são um exercício de malabarismo para fugir do verdadeiro problema.

O grande desafio não é sequer de âmbito desportivo. Tanta vez se chama o poder do Estado para situações ridículas e desajustadas, agora, que hordas legalizadas de marginais se tornam mais e mais violentas, poupa-se o Estado e o seu órgão executivo da estrita obrigação de agir e legislar? Que as leis surjam céleres, eficazes, as polícias façam o seu trabalho, as magistraturas acusem e julguem, e logo o futebol ficará muito mais rico. Frequentável.

Por Octávio Ribeiro
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