_
A Liga arranca sobre as glórias e as cicatrizes da última. Como sempre, é certo, mas desta vez com a circunstância de alimentar mais do que as expectativas dos adeptos: também a de pôr em causa as expectativas de dirigentes. Sobretudo no FC Porto e no Sporting. As ‘chicotadas’ são matéria para treinadores e, no FC Porto, as reservas quanto a Nuno Espírito Santo são semelhantes às que existiam quanto a Rui Vitória. Para a história ficou um campeonato em que o treinador do Benfica se sagrou tricampeão, mas a história começou ao contrário, com todas as dúvidas sobre o homem afável que apostava em miúdos mas que não se sabia ainda se tinha camioneta para tanta areia. No princípio, não teve.
No FC Porto não se trata apenas de saber se o treinador ‘aguenta até ao Natal’. O clube precisa, por razões financeiras, de entrar na Champions e precisa, por resistência da presidência do já não incontestável Pinto da Costa, de devolver aos sócios as vitórias a que ele os habitou.
No Sporting, o caso é diferente. Bruno de Carvalho conseguiu um trabalho notável de devolução do orgulho que parecia perdido. Mas foi ele próprio quem definiu o objetivo de ser campeão. O Sporting não o conseguiu no ano passado por culpa própria num punhado de jogos em casa que não venceu. Mas se não o conseguir, os dirigentes do ‘antigo regime’ estarão à coca para por em causa o atual presidente.
No Benfica, a presidência de Luís Filipe Vieira é incontestada, depois do tricampeonato. Mas é-o o rol de supostas vendas de jogadores que não se confirmaram. A procissão não terminou , mas nem o facto de Portugal ser campeão europeu fez subir o preço dos jogadores para valores que os clubes desejaram. As vendas pelos grandes estão muito atrás do que se especulou.
Por Pedro Santos Guerreiro