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Rui Santos
Rui Santos

Benfica 'não joga'; Benfica... ganha!

çO Benfica está a aproximar-se da conquista do ‘tri’, algo muito importante no processo que encetou para recuperar a hegemonia do futebol português ao FC Porto.

Ao vencer um V. Guimarães muito melhor do que aquilo que tem sido a média dos seus desempenhos neste campeonato, o Benfica confirmou a imagem que tem deixado nas últimas partidas, em casa e fora: a equipa ‘não joga’, isto é, a equipa não joga um futebol de encantar, não domina nem asfixia os seus adversários, parece muitas vezes à beira de sucumbir, mas tem um mecanismo de sobrevivência absolutamente notável, que lhe tem permitido segurar-se, com brio, à liderança da Liga. Uma equipa arrumada, a fazer um esforço enorme para fazer valer a lei ‘de ir a todas’ sem consequências no plano físico, mas é evidente que alguns dos jogadores do Benfica estão ‘nos limites’ (Pizzi, Gaitán, Mitroglou, Jonas…), a pedir que a competição acabe.

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As incidências da acção disciplinar de Bruno Paixão no começo do jogo de ontem na Luz e a expulsão de Sérgio Conceição fizeram o treinador vitoriano ressuscitar o ‘fantasma’ do colinho. "Portugal vinha abaixo, se…" O tema não é novo e promete debate, provavelmente pouco sério, sobre a Verdade Desportiva. Alguém está em condições de suscitar esse debate?

O FC Porto-Sporting de hoje é o jogo do ‘tudo ou nada’. Todas as equipas, quando entram em campo, devem fazê-lo no sentido de garantirem a vitória. Todas as equipas possuem, portanto, essa motivação, mesmo aquelas – como é o caso do FC Porto – que têm a sua classificação no campeonato desde já garantida: o terceiro lugar. O FC Porto falhou, pela terceira época consecutiva. Falhou na luta pela reconquista do título e o falhanço é rotundo, ou ganha uma nova dimensão, quando se conclui que os portistas não apenas falham, também, a entrada directa na Liga dos Campeões como acabam por ficar demasiado cedo aquém dos seus objectivos. É um triplo falhanço. O terceiro lugar, no campeonato português, para quem vinha mantendo uma posição hegemónica na bola indígena, é um péssimo lugar. É o último dos primeiros. E o ‘flop’ assume particular significado quando se percebe – olhando para as contas – que o FC Porto, nas derradeiras três temporadas, não desacelerou no investimento para voltar a ser campeão. Quando se gasta mais, o falhanço assume outras proporções.

Até final da época, transformada em ‘pré-época’ pelo seu presidente, o FC Porto tem um objectivo supremo, que é conquistar a Taça de Portugal, e um objectivo regimental, chamemos-lhe assim, que se resume na obrigação de vencer todos os jogos que realize em território nacional. O FC Porto sobe ao relvado sem hipótese de (re)entrar na discussão pelo título, mas pode ter (ou não) um papel decisivo no achamento do campeão. Na realidade, se conseguir vencer o Sporting, o Benfica – depois do triunfo de ontem perante o V. Guimarães – já pode começar a fazer as primeiras costuras das faixas que consagram o primeiro classificado da Liga. E isso tem um outro efeito, que amplifica o fracasso do FC Porto: deixa ao Benfica caminho livre para pelo menos manter a sua posição de liderança, na contabilidade global de troféus. O Benfica tem 75 e ainda pode contabilizar 77; o FC Porto tem 74 e, no final, só pode aspirar, no máximo, a 75. Sendo certo que, para apanhar o Benfica nessa contabilidade, o FC Porto teria de conquistar a Taça de Portugal e o Benfica não ganhar nem o campeonato nem a Taça CTT. Todavia, porque o Benfica é favorito a ganhar a Liga e a Taça CTT e o FC Porto favorito a conquistar a Taça de Portugal, o mais lógico é que, no final da época, nessa contabilidade de troféus ao longo da história, o Benfica registe um ‘score’ a seu favor de 77-75. O que significa distanciar-se ainda mais do FC Porto…

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Quer isto dizer que o FC Porto, se vencer o Sporting, cumpre a sua obrigação regimental, digamos assim, mas vê o Benfica retomar as rédeas da hegemonia do futebol português, o que encerra porventura algo de dilemático. O FC Porto não quer ver acentuar-se uma tentativa de aproximação do Sporting (neste caso, já não há nada a fazer e trata-se mesmo de uma ultrapassagem), mas também não quer ver o Benfica a recentrar a sua posição de clube dominante.

Para o Sporting é o jogo do tudo ou nada. Depois da vitória do Benfica de ontem e com a aproximação do final do campeonato, nem o empate é um bom resultado. O Sporting ou mata ou morre.

JARDIM DAS ESTRELAS - *****

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Jardel e Ederson e André Almeida

Quando não se tem avançados, tem-se defesas: Jardel, André Almeida, Lindelöf e Ederson foram importantíssimos, ontem, na vitória do Benfica. Os talentos estão esgotados? Entra em cena o operariado. E o realismo de Rui Vitória ajudou muito a que o Benfica saísse da Luz com os três pontos. Todos diferentes, todos iguais. Este é o lema do ‘Benfica campeão’ e tudo indica que será uma fórmula de sucesso.

O CACTO

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"FC Porto em primeiro", se...

José Peseiro, no lançamento do FC Porto-Sporting, diz que "podíamos estar no primeiro lugar". Peseiro quer referir-se a os erros de arbitragem, alguns dos quais existiram e penalizaram a equipa do dragão. Todavia, as contas e, fundamentalmente, as conclusões tiradas pelo técnico portista estão sobrevalorizadas. Na verdade, a expressão ‘podíamos estar em primeiro’ faria algum sentido, se:

1. Pinto da Costa não tivesse relaxado na presidência do FC Porto;

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2. Pinto da Costa não tivesse apostado numa administração que se acomodou, com retribuições hipergenerosas;

3. Pinto da Costa não tivesse apostado em Lopetegui e, principalmente, não lhe tivesse colocado nas mãos a gestão da parte essencial do futebol portista;

4. Pinto da Costa e a SAD não tivessem aliviado questões de natureza estratégica, que levaram o FC Porto a perder identidade – algo que havia estado, anos a fio, na base do sucesso portista.

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5. Pinto da Costa e a SAD não tivessem enveredado por uma política de mercado que, não obstante as verbas encaixadas, absorveu imensos custos nas respectivas operacionalizações. É claro que, se tudo isto tivesse sido evitado, provavelmente José Peseiro não seria o treinador do FC Porto. E a conclusão não teria sido (hiper) extraída.

* Texto escrito com a antiga ortografia

Por Rui Santos
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