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Rui Santos
Rui Santos

Saia, Pedro Proença e repare o erro

O Benfica é a maior marca comercial do futebol português e, sem altruísmos, só tem de explorar uma vantagem que é sua e não é de mais ninguém. Foi isso que esta semana, com base em realidades e não em ficções, perante as quais está em marcha à escala global uma estratégia de controlo de conteúdos, Luís Filipe Vieira acabou de concretizar, no âmbito da venda dos direitos de transmissão televisiva, percebendo os primeiros sinais emitidos pelo mercado.

O presidente do Benfica achou que este era o momento certo para fechar contrato com a NOS, nas condições que genericamente são do conhecimento público, talvez pressionado por diversos factores, e é aconselhável aguardar pelas explicações mais detalhadas que ficaram reservadas para o próximo dia 10, particularmente para se perceber como vai evoluir o mecanismo de aumento progressivo da compensação anual, uma vez que não se sabe, e ainda ninguém explicou, como é que esse mecanismo funciona a partir do terceiro ano de contrato e em que condições são accionadas as acções para validar a maturidade máxima desse contrato, sem violação das regras da concorrência. Parece-me prematuro falar de 400M€ de encaixe global, à razão de 40M€/ano, não apenas porque este não é um valor líquido, mas também porque o valor a receber é diferido no tempo e isso acarreta, naturalmente, consequências. Acresce que, até prova em contrário, a BTV ficará com uma conta de exploração que rondará os 12 a 15M€ e isso também não é despiciendo na avaliação global da ‘operação’, que em todo o caso, mesmo na perspectiva menos optimista ou seguidista, nunca será um mau negócio. Fica claro, no entanto, na comparação com os valores pagos pelos operadores noutras Ligas, que estamos a falar de valores baixos, mas aí o Benfica é vítima da pouca atractibilidade suscitada pela dimensão da Liga portuguesa, não tanto quantitativamente – uma vez que são muitos os clubes participantes na competição profissional –, mas qualitativamente, e aí o futebol português não tem feito nada para gerar interesse, credibilidade, respeitabilidade e valor, bem pelo contrário os seus principais protagonistas têm feito os impossíveis para gerar afastamento, desinteresse, descrédito e desinvestimento. E aí têm sido, todos, muito iguais…

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Este passo em frente, estratégico, dado pelo Benfica é um murro na centralização dos direitos televisivos. Talvez seja, então, o momento para Proença reavaliar a decisão que tomou, nada ponderada, precipitada, instrumentalizada e desajustada das suas principais competências e se afaste da Liga. Mais vale esse assomo de dignidade do que andar neste ‘faz-de-conta’ que não o leva a lado nenhum, a não ser a desbaratar o crédito que conseguiu enquanto árbitro de excelência. Repare o erro: saia agora e ainda vai a tempo de restaurar a respeitabilidade. A liberdade é um bem inalienável.

Na quinta-feira (!...), o director de comunicação do Benfica atirou-me um tweet, a ver se me acertava. Falhou o alvo, pois claro. Porque um proxeneta [da comunicação] a falar de honestidade ou da falta dela soa a algo tão falso como um terrorista a debitar sobre a importância dos tratados de paz.

Estes falsos democratas, apesar de serem pagos para fazer o ‘jogo sujo’ do futebol, acham que trazem do céu a beatitude da coacção. Eu não confundo estes mandaretes com o Benfica. É um erro considerar que as pressões e a coacção que estes mandaretes protagonizam sejam uma inevitabilidade. Eles acham que é legítimo transformarem-se numa nova PIDE, em Portugal. Eles acham que têm o direito de colocar rótulos nas pessoas, só porque têm um cargo no Benfica. Eles acham-se o Benfica, mas não são o Benfica. Estamos todos carecas de saber que, se um benfiquista tiver uma ideia diferente daquela que é alinhada pelas direcções e propagandeada pelos mandaretes, transforma-se rapidamente em antibenfiquista. E primário. É esta a noção de democracia e pluralismo, a rimar com rebanhismo, que eles têm. O que esses mandaretes não toleram é a sensação de vazio quando sentem que nem todos aceitam a trela de animais domésticos. Não lhes basta o Twitter, o online, as diversas redes sociais, as televisões de clube e a disponibilidade que os órgãos de comunicação social sempre manifestam para registar a sua propaganda. Querem mais. Sempre mais. E então pressionam, chantageiam e tentam fazer acordos a troco de mordaças e silêncios, mostrando como são fracos e miseráveis. Apenas lamento que, sendo eles joguetes ou aditivos presidenciais, Vieira não perceba como estes falsos defensores ‘do Benfica’ acabem por colocar o Benfica no mesmo plano daqueles que costumam atacar. Respeito o Benfica, mas tenho pouca ou nenhuma tolerância para tiranetes. Mesmo que eles sejam pagos para fazer estes servicinhos, com o objectivo de desviar as atenções de coisas bem mais sérias e importantes.

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Jardim das estrelas -- 4 estrelas

Sanches

não engana

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Mais do que o golaço de ontem, Sanches mostra grande maturidade. Não engana: se não se deslumbrar, tem tudo para triunfar no Benfica e no futebol português.

O cacto

Dizer tudo

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sobre…Tonel

Tonel foi protagonista de um lance infeliz, em Alvalade. O Belenenses tinha estado 90 minutos a aguentar o Sporting, com uma boa organização e, num instante, uma abordagem tecnicamente deficiente, imprópria num jogador de tamanha experiência, comprometeu o esforço de toda a equipa. Acontece muitas vezes? Acontece, mas teve uma consequência gravosa para a equipa de Sá Pinto e Tonel deve reconhecer isso, sem drama. É interessante verificar que, no futebol, os erros dos árbitros, escrutinados até ao milímetro, são criticados. E, neste caso, as estruturas dirigentes dos clubes não escolhem as palavras. São impiedosas. No caso dos jogadores, houve sempre um espírito de protecção que nem sempre é pedagógico.

Acentuar a inépcia técnica do jogador é normal como é normal sublinhar que, no âmbito da arbitragem, uma grande penalidade (de mão na bola) só pode ser assinalada, se houver intencionalidade. E ninguém discutiu a justeza da decisão do árbitro. Mão deliberada, intencional, praticada dentro da área de quem a protagoniza, penálti. Tudo certo.

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Só se estivesse louco é que afirmaria que Tonel fez aquilo para beneficiar, deliberadamente, o Sporting. Nessa canoa não embarco. Mais grave do que um erro (grave) de um jogador é quando os dirigentes desportivos assumem o seu lado irracional. O escudo dos clubes é forte e protege, mas ainda não torna invisíveis as fraquezas e as patologias de certas pessoas.

Por Rui Santos
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