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Sérgio Krithinas
Sérgio Krithinas Diretor executivo

Jogos de brincadeira

O sonho olímpico da Seleção de futebol terminou de forma inglória, com a derrota por 4-0 no encontro dos quartos de final diante da Alemanha. Para os adeptos portugueses, que conhecem todo o folclore de uma convocatória surreal, o resultado acaba por não ser surpreendente. Mas não é aceitável que o nome de Portugal e a camisola da Seleção Nacional fique desta forma exposta aos olhos do mundo.

Os clubes alemães, que têm um campeonato muito mais competitivo e equilibrado, não se importaram de ceder vários craques. Estão lá titulares indiscutíveis de vários emblemas da Bundesliga, pelo menos meia dúzia de internacionais A e até um campeão do Mundo (Matthias Ginter, não utilizado no Brasil'2014). O único internacional A na lista de Rui Jorge era André Martins, um futebolista... desempregado na altura da convocatória.

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Não havendo nenhuma ordem da FIFA, os clubes estavam no direito de não ceder futebolistas aos Jogos Olímpicos. São eles que lhes pagam e os campeonatos nacionais, bem como as provas europeias, estavam à porta. Mas é tudo uma questão de vistas curtas, pois a presença de alguns jogadores nos Jogos Olímpicos, sobretudo integrados numa equipa forte, serviria para os valorizar. Basta olhar para Gonçalo Paciência, por exemplo, um avançado que terá seguramente muitos interessados depois dos golos que marcou no Brasil.

Se, dentro de quatro anos, Portugal voltar a apurar-se para os Jogos Olímpicos e não houver nenhuma circular da FIFA a definir regras da cedência de jogadores, a Federação Portuguesa de Futebol deverá ponderar seriamente a possibilidade de nem apresentar uma equipa. Com isso, evita-se que o selecionador passe pelo mesmo que Rui Jorge passou agora e reduz-se o risco de a participação ser absolutamente humilhante, o que só não aconteceu agora por mérito do treinador e do brio dos próprios jogadores.

Portugal já não é um país qualquer no futebol, sobretudo depois de ter sido campeão da Europa. Tem um nome e uma imagem a defender e não pode apresentar-se com uma seleção que não represente os melhores do país.

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Por Sérgio Krithinas
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