Sérgio Krithinas
Sérgio Krithinas Diretor executivo

Jonas desatou as amarras

çPedro Martins avisou que o Vitória tinha aprendido a lição com a goleada por 5-0 sofrida na Luz, no jogo que confirmou o tetra do Benfica, e apresentou algumas nuances táticas na final da Taça de Portugal que permitiram à sua equipa controlar as operações na primeira parte. Colocou os alas mais por dentro e as linhas bem apertadas, e os minhotos tiraram ao Benfica a sua principal força: as movimentações entrelinhas pelo corredor central. Marega, no centro do ataque, passava a maior parte do tempo a pressionar as saídas de bola das águias e até a impedir as temíveis reposições rápidas de Ederson – o pontapé de baliza canhão do guarda-redes brasileiro foi testado duas vezes nos primeiros minutos, mas desta vez o Vitória estava vacinado.

O relvado, que curiosamente pareceu mais irregular no meio-campo para onde o Benfica atacou na primeira parte, não ajudou a ligação Pizzi-Jonas, mas a equipa de Rui Vitória foi ainda mais prejudicada pela colocação quer do avançado brasileiro quer do médio português, que chegou a juntar-se aos centrais para a primeira fase de construção. O camisola 10 atuou muitas vezes como 9, com Raúl Jiménez a deslocar-se para as alas, e poucas vezes baixou no terreno, como tanto gosta, para poder olhar de frente e com espaço para os defesas contrários.

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Esse posicionamento foi alterado por Rui Vitória ao intervalo e os dois golos do Benfica, marcados nos primeiros 8 minutos após o reatamento, tiveram precisamente origem nesses movimentos entrelinhas de Jonas. No primeiro, ganhou espaço para um remate de longe que Miguel Silva não conseguiu agarrar, permitindo uma finalização estupenda de Raúl Jiménez; no segundo, viu o que poucos veriam: apesar do movimento em diagonal de Raúl Jiménez, a pedir um passe pela zona central que poderia deixar o mexicano isolado na cara do guarda-redes (Josué tinha saído da posição), optou por esperar até que Nélson Semedo ficasse com o corredor completamente livre para um cruzamento muito bem finalizado por Salvio, que se antecipou a Pedro Henrique para marcar um raro golo de cabeça.

Com dois golos de desvantagem diante de uma equipa batida como é o Benfica, a missão do Vitória tornou-se quase uma escalada de Evereste. Pedro Martins arriscou, testando um 3x4x3 que apenas partiu a equipa, e logo a seguir perdeu Hernâni por lesão. As oportunidades sucederam-se... mas para o Benfica e só por algum azar e aselhice na frente é que as águias não mataram o jogo de vez. Os minhotos tiveram uma oportunidade, roubada por Samaris (belo jogo do grego), e marcaram no canto a seguir, aproveitando a distração de Luisão, Lindelöf e até Ederson, que pareceu inferiorizado. Um golo obrigaria a prolongamento, e por isso manteve-se alguma emoção até ao apito final de Hugo Miguel, mas a verdade é que nunca mais esteve o Vitória perto de marcar e empatar.

Questões laterais

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Vídeo-árbitro não tira empregos. Uma das grandes estrelas foi o estreante vídeo-árbitro. Acabou por não ter um impacto muito visível, mas aquele lance de possível mão de Josué lembrou-nos que as câmaras não vão acabar com a discussão: meio mundo achou penálti, outra metade achou que não. Os ‘paineleiros’ de segunda-feira à noite podem ficar descansados: não vão perder o emprego.

É fácil fazer do futebol uma festa. Nota máxima para a Federação na organização da final da Taça de Portugal: a promoção foi excelente, com espaço para os protagonistas quase sempre silenciados (os treinadores falaram a pouco mais de uma hora do pontapé de saída e ninguém morreu por causa disso). O espetáculo antes do jogo – que incluiu uma espécie de personagem do ‘Regresso ao Futuro’ para levar a bola – ajudou a aliviar a tensão nas bancadas.

Raúl dá mais do que Mitroglou. Raúl Jiménez é um avançado desconcertante. Alterna péssimas receções e correrias sem nexo com finalizações de grande classe e muito sentido coletivo. Ontem, viu-se o melhor e o pior do mexicano: o golo que marcou foi delicioso e, já perto dos 90’, atirou por cima com a baliza aberta. Uma coisa é certa: dá muito mais à equipa do que Mitroglou.

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Notas de rodapé

5 - Rui Vitória ganhou cinco das oito provas nacionais que disputou desde que chegou ao Benfica, incluindo dois campeonatos. A comparação é inevitável: Jorge Jesus precisou de cinco temporadas para chegar ao mesmo número de títulos na Luz.

4 - Ederson fez, tudo indica, o último jogo pelo Benfica. Pareceu mal (inferioridade física?) no golo de Zungu, mas voltou a mostrar qualidades impressionantes: é dono da grande área e temum pontapé que voltou a causar problemas à defesa contrária.

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3 - Bruno Gaspar foi o dínamo que alimentou o ataque do Vitória durante quase todo o jogo, aproveitando os espaços abertos pelos movimentos de Hernâni para subir pelo corredor. Os clubes grandes têm andado a dormir. Até quando?

2 - O relvado do Estádio Nacional, que praticamente só é usado uma vez por ano em jogos de futebol, mostrou-se muito irregular e foi um dos ‘culpados’ pela má qualidade do jogo durante a maior parte do tempo.

1 - Celis entrou mesmo a acabar a primeira parte e abriu o ‘trinco’ para a invasão do Benfica. Pedro Martins colocou-o junto a Rafael Miranda, fazendo subir Zungu, e o colombiano foi batido por Jonas nos dois golos dos encarnados.

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Por Sérgio Krithinas
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