God of War: Ser pai muda tudo...

Ainda não existe um mini-Seixas a espalhar magia numa qualquer creche almadense, mas não deve tardar. Até lá tenho de acreditar em todos aqueles que garantem a pés juntos que a paternidade traz consigo uma nova aura e um novo fôlego à nossa vida. E se ser pai muda tudo na vida real, também o faz nos videojogos. É essa, de resto, a chave do mais recente God of War, que chega já no dia 20 ao mercado e que é, garantidamente, o melhor título da histórica saga. Para além das inovações tecnológicas que permitem um melhor rendimento gráfico e de processos ao jogo do Santa Monica Studio, a verdade é que a paternidade trouxe uma nova vida a Kratos, explorada na perfeição na narrativa e na interação que temos com o jogo.

Acompanhado por Atreus, o nosso herói perde alguma da raiva latente que mantinha intacta nos outros títulos da saga. Agora parece mais calmo, anda de forma mais lenta e nem sequer salta (depois de muita polémica entende-se que saltar não é assim tão relevante). E isso obriga-nos a olhar e a comandar as operações de uma forma também ela mais atenta, menos sanguinária e mais... familiar. Feitas as contas temos à nossa guarda o tesouro mais importante que alguém pode ter - o nosso filho.

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Se a isto juntarmos a mudança de câmara implementada neste título, ficamos com a certeza de que o passado ficou lá atrás e agora temos pela frente o God of War da modernidade, algo que nem sempre é possível, como vemos noutras franquias que tardam em conseguir dar o salto rumo ao futuro. Porque com a qualidade gráfica que temos pela frente, seria impossivel manter o registo de jogo com que Kratos "nasceu", ainda na velhinha PS3. Agora temos alguns dos melhores cenários já vistos na PS4 e alguns momentos em que pensamos com franqueza - "É impossível fazer melhor..."

Sim, porque quando entramos a sério na trama e "reparamos" nos detalhes dos nossos personagens, só podemos babar. Sim, babar... Com tamanho detalhe, pormenores deliciosos e até a excelente conjugação dos movimentos labiais com o que é dito pelos heróis.

Outro elemento determinante para esta crítica recheada de elogios é a longevidade do jogo. Tal como foi prometido pelos responsáveis são praticamente 35 horas de jogo, algo que é cada vez mais raro nesta fase de "todos contra todos" no universo do Gaming. Depois de cerca de duas horas mais parecidas ao que já tinhamos visto na franquia, num caminho mais linear, somos confrontados com o verdadeiro arranque da trama. Muitas opções, muitos caminhos paralelos e possibilidades de tornar o jogo uma odisseia digna desse nome.

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Aqueles que esperavam apenas "mais" um jogo da franquia, podem arrumar a viola no saco. Ser pai muda tudo. Mesmo quando se é o Deus da Guerra.

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Por João Seixas
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