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O Jogo da Baleia Azul não é um "jogo"

Fomos contactados por pais preocupados com a cada vez mais mediatizada história do Jogo da Baleia Azul. Fomos questionados sobre a melhor forma de impedir o acesso ao jogo e também sobre aquilo que está na génese desta recente polémica. Como habitualmente, vamos por partes.

Como ponto prévio cabe-me realçar que este texto é da minha autoria e nele está espelhada a minha opinião sobre o tema, que não vincula nem os meus colegas de trabalho nem o próprio Jornal Record. São as minhas ideias sobre o assunto, que considero polémicas, daí este realce.

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Antes de mais começamos com aquilo que me está a enfurecer desde o primeiro dia – chamar a isto um jogo. Está correto, porque se trata de um desafio, de algo que tem objetivos, logo a denominação não está incorrecta. Contudo, remete para o universo dos jogos e, ainda por cima, tem a ver com plataformas digitais. Ou seja, em poucos "passos" já está no universo daquilo que são os videojogos. E nada tem a ver com o assunto.

Tenho assistido, em silêncio, a grandes responsáveis do nosso país e não só, a considerarem este fenómeno como uma extensão de jogos como "Second Life" ou "GTA V". Fico de boca aberta, questiono o que motivará gente quase iletrada a ter cargos de destaque e respiro várias vezes para não reagir.

Também já vi petições para que a aplicação "Blue Whale", que está relacionada com conteúdos musicais, seja retirada da App Store, e tenho visto pedidos para que Mark Zuckerberg "apague" o jogo do Facebook.

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Isto não é um jogo de computador, não é uma aplicação e, aqui entre nós, nem é garantido que exista mesmo. Há teses que defendem que se trata de uma enorme "hoax" e que na "passagem" da história de russo para outras línguas se acrescentaram alguns pontos. De lá para cá, qualquer caso que envolva gente jovem, tendências suicidas e auto mutilação é metido no "saco" da Baleia Azul. Mas nem vou explorar este caminho...

Mas vamos assumir que é real. Trata-se de assédio e não de uma qualquer componente digital. Vamos exemplificar: o João tem 16 anos, é um rapaz infeliz e deprimido. Nas suas redes sociais coloca músicas melancólicas das bandas da moda, replica citações de Kurt Cobain (que meteu uma bala na cabeça) sobre as agruras da vida e por vezes solta lamentos como "Para quê andar sempre a bater com a cabeça nas paredes e ser infeliz. #chega."

Entra agora em acção aquilo a que estamos a chamar de "curador". Alguém que ao vislumbrar indícios de depressão ou tendências suicidas, entra em contacto com o João e lhe pergunta se quer participar num jogo. Como um pedófilo faria para encetar uma conversação com uma criança inocente e que depois escalaria para trocas de mensagens, fotografias e mais tarde o agendamento de um encontro.

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Ou seja, não existe uma plataforma onde vamos jogar a este jogo, não existe um espaço digital onde os que querem jogar se podem encontrar. A existir, repito, é algo que surge nas redes sociais e aplicativos multiplataforma como o WhatsApp.

De resto, a nota informativa da PSP é um dos raros exemplos de coerência, boa informação e, acima de tudo, pouco histerismo em todo este processo. Indica a Polícia de Segurança Pública que se trata de algo que está a proliferar no Facebook e WhatsApp, dando depois uma lista de indicações a pais e encarregados de educação, que considero premente replicar:

1. Os pais devem manter-se informados e alertar as crianças para todas as implicações que decorrem da Baleia Azul;

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2. Deve haver uma maior supervisão e monitorização das atividades dos filhos na internet e redes sociais;

3. Pais devem explicar que perigos existem quando adicionam desconhecidos nas redes sociais;

4. Familiares, amigos e colegas da escola devem fazer parte da lista de amigos dos adolescentes;

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5. Pais não devem proibir o acesso dos filhos aos meios digitais;

6. O diálogo e debate no seio familiar sobre segurança, perigos e privacidade na internet deve ser alimentado;

7. Se há suspeita de que as crianças estão a ser alvo de violência psicológica ou intimidação devem dirigir-se à Esquadra da PSP mais próxima;

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No Record Gaming só queremos que todos sejam felizes a jogar em computadores e consolas e estamos contra qualquer tipo de assédio nas plataformas digitais. Quem está triste, deprimido e a ter pensamentos suicidas deve procurar ajuda, junto da família, amigos ou em qualquer uma das instituições disponíveis para ajudar, que seguem na lista em baixo. E sejam felizes!

SOS – Serviço Nacional de Socorro

112

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SOS Voz Amiga (entre as 16 e as 24h00)

21 354 45 45

91 280 26 69

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96 352 46 60

SOS Telefone Amigo

239 72 10 10

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Telefone da Amizade

22 832 35 35

Escutar - Voz de Apoio - Gaia

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22 550 60 70

SOS Estudante (20h00 à 1h00)

808 200 204

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Vozes Amigas de Esperança (20h00 às 23h00)

22 208 07 07

Por João Seixas
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