Carlos Rebelo, o 'pai' que o Atlético recuperou
Tem 70 anos e é apanha-bolas no Atlético, histórico emblema de Lisboa que agora milita na Liga 3. Na verdade, 'Picas', como todos o conhecem, é muito mais do que isso
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São 14h30. O sol queima, impiedoso. "Não sei ler nem escrever". Apresenta-se assim, de forma despudorada, Carlos Rebelo, que "todos" em Alcântara conhecem por ‘Picas’. É ali, nas bancadas desertas da Tapadinha, à sombra, onde um pouco mais acima jogam os escalões da formação do Atlético (que esgotam os lugares de estacionamento, há que notar), que temos a conversa em que é assumido o amor de uma vida. "Tudo o que precisam e me pedem, eu faço. Não ganho nada, isto é só desporto, para mim. Com 70 anos que tenho, é só desporto. Nem quero ganhar nada. Ajudo nos equipamentos, ajudo o roupeiro, água, apanha-bolas, no marcador, antes do eletrónico… Mas é tudo por amor. É o Atlético e o Benfica. Mas o Atlético sempre fez parte da minha vida e vai fazer sempre, até morrer", assegura, antes de reportar: "Comecei quando tinha 7, 8 anos. Vinha ver o futebol com os amigos, uma vez perguntaram-me se queria ir apanhar bolas, ajudar, não me importei, fui e passei a vir sempre. Ia para o marcador, pôr os golos de um lado e do outro, acompanhava, quando havia vaga para ir no carro com eles, também ia com a equipa nos jogos fora. Na 1ª Divisão, na 2ª e na 3ª. Sempre que dava, ia com eles."