ASICS NovaBlast: uma explosão de alegria

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Modelo marca um ponto de viragem da marca japonesa

Quando no ano passado lançou as MetaRide, a ASICS surpreendeu o mercado com umas sapatilhas totalmente distintas do normal, tanto para a indústria como para a própria marca, tantas vezes conotada como sendo conservadora, tradicional e até algo aversa a inovações. Esse modelo pode até nem tido a recetividade esperada (o preço acabou por ter uma responsabilidade...), mas a verdade é que foi o ponto de partida para uns meses seguintes repletos de novidades. Seguiram-se as GlideRide, as EvoRide e agora as NovaBlast, umas sapatilhas que quebram por completo tudo aquilo que estávamos habituados a ver na gigante nipónica.

Aqui não há nada de tradicional, nada de normal. A começar desde logo pelo design a fazer lembrar o maximalismo. É um salto imenso para a marca, que de uma tradição de sapatilhas fieis ao paradigma nipónico, rígido e sempre 'by the book', passa para um modelo que quebra com tudo isso. A maior prova disso mesmo é a altura da meia sola (uns 'anormais' 32mm no calcanhar por 22mm na parte frontal), o que aliado a uma espuma de meia-sola 'generosa' acaba por tornar estas sapatilhas numas verdadeiras 'saltitonas' quando estão nos nossos pés, tornando regra geral a nossa corrida numa experiência de diversão garantida.

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Um 'upper' em contraciclo

ASICS NovaBlast: uma explosão de alegria

Ao contrário do design da meia-sola que tem um aspeto maximalista, a zona superior apresenta os ideais do minimalismo, com a utilização dos materiais estritamente necessários para tornar esta sapatilha confortável e segura durante a nossa corrida. Para mais, a construção da zona superior tem também como trunfo da elevada respirabilidade, algo que acaba por ser importante nesta altura do ano, onde as temperaturas começam a subir. Isto é garantido por uma malha de dupla camada, com aberturas colocadas estrategicamente para providenciar a tal respirabilidade, mas também para impedir que o interior seja 'invadido' pelas por vezes 'chatas' pedrinhas que encontramos pelo caminho nas nossas corridas.

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Por outro lado, a zona superior conta igualmente com um reforço do material refletivo, o que acaba por ser importante para aquelas corridas noturnas, nas quais a baixa luminosidade pode ser um risco para os corredores.

A finalizar, abordar apenas os cordões e a língua. Os cordões seguem a linha do 'upper', com o minimalismo como nota dominante, mas isso acaba por ser algo negativo, pois para quem necessita de usar o furo extra acaba por se sentir alguma fragilidade e menor qualidade do material. Do lado oposto, a língua parece-nos ser uma aposta ganha, pois apesar de ser fina é bastante confortável, mercê da colocação de algum material acolchoado.

O segredo está na meia-sola

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Passado em revista o 'upper', descemos e olhamos para a zona intermédia, que é onde reside a maior novidade destas NovaBlast: a espuma FlyteFoam Blast. Mais recente composto pela marca japonesa, é também o mais leve de sempre a sair das suas fábricas e também o mais responsivo, com uma capacidade diferente ao habitual de retornar a energia aplicada em relação aos demais modelos da ASICS. Um atributo que é bom para uns... e mau para outros.

É que, ao ter demasiado 'bounce', as NovaBlast tornam-se também algo instáveis para quem não tem uma corrida tão limpa e eficiente, mas também a quem tende a pronar, o que pode obrigar a uma fase de habituação superior. Especialmente para quem está habituado a utilizar os modelos mais tradicionais da marca. E para estes corredores o conselho inicial passa por limitar a sua utilização a treinos curtos e rápidos, pelo menos até haver alguma segurança e confiança para 'esticar' para outras distâncias.

Para os corredores puramente neutros, que têm uma passada mais eficiente e limpa, aí o céu é (literalmente) o limite, pois com o 'bounce' da espuma de meia-sola podemos efetivamente correr largos quilómetros num clima de diversão pura e a ritmos que podem ir da rodagem até ao de provas-alvo.

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De resto, sendo um modelo que não agrada a gregos e troianos, acaba por ser difícil recomendar distâncias máximas, pelo que o ideal será ir utilizando e apontando as sensações que vamos tendo ao longo das nossas corridas. Isto porque no nosso caso entendemos que 15 quilómetros é uma distância que servirá como limite, ao passo que para outros analistas estas sapatilhas são até passíveis de levar até à distância da maratona. Depois há outros casos, como o do maratonista japonês Yuki Kawauchi, que as levou aos 63 quilómetros há cerca de duas semanas...

Na prática, este tipo de sapatilha acaba por ser recomendável para todo o tipo de corredores, mas nem todos as podem utilizar para o mesmo propósito: rápido e longo para uns; rápido e curto para outros. Pode ser estranho de entender, mas a verdade é que as suas características são algo complexas e obrigam a um estudo prévio antes de nos aventurarmos. Uma coisa é certa: com estas NovaBlast teremos uma experiência única numas sapatilhas ASICS.

Sola que promete

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ASICS NovaBlast: uma explosão de alegria

A finalizar, olhar apenas para a sola, que acabou por ser a nossa maior surpresa. À primeira vista ficámos com a ideia de que não seria tão durável quanto isso, mas ao cabo de quase 200 quilómetros praticamente não temos qualquer sinal de desgaste. Isto deve-se à elevada utilização da borracha AHAR+, que segundo a ASICS é 50% mais durável do que o seu composto normal. Colocada em praticamente todos os pontos da sola - com maior incidência nas zonas de impacto -, esta borracha destaca-se também pela sua capacidade de tração, o que é importante numas sapatilhas que têm uma capacidade de responsividade elevada como estas.

Até porque seria certamente um desperdício termos uma sola com pouca tração numas sapatilhas tão responsivas, não é verdade?

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Ficha técnica

Peso: 261g (masculino), 221g (feminino)

Drop: 10mm (32/22M; 31/21F)

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Preço de lançamento: 140 euros

Tipo de pisada: neutra

Ideal para: treinos e provas rápidas e curtas para corredores que tendem a pronar; treinos e provas rápidas para corredores neutros, até um máximo de 30 quilómetros.

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