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Melhores portugueses na EDP Maratona de Lisboa, José Sousa e Joana Fonseca partiram para as respetivas provas com objetivos distintos e, no final, ambos acabaram por assumir ter 'batido na trave' quanto ao que pretendiam fazer.
José Sousa, que foi 14.º na geral masculina com 2:24.17, entrou em prova como lebre da elite feminina, guiando de princípio a fim a queniana Bornes Kitur ao triunfo. Uma vitória num tempo que ficou a 3 segundos do recorde do percurso, muito por culpa da quebra da atleta africana na fase final. "O objetivo era 2:23.55. A atleta [Bornes Kitur] quando chegámos aos 35, altura em que tínhamos margem de 30 segundos, quebrou bastante. Apanhámos algum vento depois dos 30 quilómetros e ela acabou por desgastar-se um pouco. Tentei puxar por ela... Disse-lhe várias vezes que o recorde estava à vista, mas perdemos 30 segundos. Foi muito tempo... Mas saio satisfeito. Fiz o possível. 150%, fiz o meu treino e ajudei quem tinha de ajudar", garantiu o atleta de 33 anos, que dentro de quatro semanas irá disputar a EDP Maratona do Porto.
Na prova feminina, Joana Fonseca fez a sua corrida para tentar acabar abaixo das 2:40 horas, mas falhou o seu objetivo por meros... 24 segundos. "Queria fazer abaixo das 2:40... O treino foi perfeito, a mente estava forte, estava positiva, o corpo estava todo alinhado, mas a maratona é mesmo assim. Tudo pode acontecer. O percurso não era fácil. Apanhei vento contra. Não consegui e aceito. Para a próxima tentarei... Fiz aquelas contas rápidas aos 35 e 40 e achei que conseguia, mas pronto... a minha matemática não é ideal. Por 24 segundos não consegui", lamentou a atleta do Correr Lisboa, que acabou como 9.ª melhor da elite feminina.
Satisfação na 'meia'
Sentimento distinto foi aquele que partilharam os melhores portugueses da Luso Meia Maratona: Salomé Rocha e Rui Pinto, que acabaram em 6.º e 10.º, respetivamente.
Com 1:13.27 de tempo final, Carla Salomé Rocha voltou a uma meia maratona depois de uma longa paragem (devido a uma operação ao pé esquerdo) e assumiu sair satisfeita com o resultado. "Sim, estou satisfeita. Claro que como atletas queremos sempre mais. Mas estou satisfeita. Senti-me bem, numa prova emblemática. Sempre bom voltar à capital e correr cá. Foi voltar. Não sabia o que poderia acontecer. Tentei ser cautelosa no início, até porque tínhamos a subida do Marquês. Tentei controlar, gerir a prova toda para o mesmo ritmo e depois acabou por correr tudo muito bem", comentou a atleta do Sporting, que nas próximas semanas teremos uma agenda preenchida. "Teremos o Campeonato Nacional de corta mato e depois provas pelo Sporting. Depois disso iremos analisar o que pode surgir. Para já, este ano, fora de questão fazer uma maratona. No próximo ano sim, até porque os mínimos para os Jogos Olímpicos contam a partir dessa altura", referiu a atleta do Sporting.
Quanto a Rui Pinto, fechou o top-10 masculino com 1:03.52 horas. Um tempo que fica a cerca de um minuto do seu recorde pessoal (1:02.56), mas que enche o atleta do Sporting de otimismo. "O resultado acabou por ser bom tendo em conta as circunstâncias, porque acabei por fazer uma prova um pouco isolado. Consegui gerir bem o esforço e foi muito bom para esta fase inicial da época. Apesar de na semana passada e ter feito o Nacional de estrada, e ter corrido bem, mas tenho a consciência de que ainda estou numa fase muito inicial da preparação. A correr 1:03 desta forma acho que é muito positivo. Hoje sabia que podia correr bem, mas estava na expectativa pela forma como o meu corpo ia reagir. Para esta altura é muito bom. Nunca corri tão rápido numa fase tão precoce da temporada. Os indicadores são os melhores", assumiu o atleta de 29 anos, que tal como Salomé Rocha aponta agora às provas de crosse.
Por Fábio Lima