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A fama é efémera

Ser jogador de futebol é um desejo e um sonho de milhões e milhões de crianças e jovens por esse Mundo fora. É um anseio que os persegue no dia-a-dia sempre que na televisão ou nos jornais os jogadores aparecem em destaque. E principalmente quando perspectivam uma vida fácil e de constante aventura. Com muito dinheiro, várias casas, rodeados de mulheres deslumbrantes, a garagem recheada de Ferraris. Fama suficiente para dar e vender.

É este o ‘produto’ que a indústria vende. É esta a imagem de marca que se negoceia para promover o jogo e o espetáculo. Aos jogadores de futebol, o céu está-lhes destinado. Para muitos, este é o paradigma da sua vida. Aqueles que conseguem atingir o topo da montanha, com muito trabalho e talento é certo, também necessitaram de ser ajudados e amparados por uma série de pessoas que lhes proporcionaram oportunidades e condições para atingirem o sucesso. Ter talento não chega. É necessário e obrigatório acreditar e querer muito ser ‘especial’.

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O futebol está recheado de exemplos de jogadores que não tinham grande engenho para o futebol, mas que fizeram uma carreira brilhante, devido à sua capacidade de trabalho, à sua força interior e à sua perspicaz inteligência. Discernimento esse, que os fez acreditar que poderiam marcar a diferença, fazendo no campo – e fora dele – os sacrifícios que necessitavam realizar para chegar lá. Para chegar à independência… Infelizmente, poucos atingiram esse destino.

Lembro uma viagem com o vice-presidente executivo da Fifpro ao Brasil. Estávamos em dezembro de 2003 e jogava-se no Maracanã um Flamengo-Vasco da Gama. Não perdi a oportunidade de ver o clássico e com o Alfredo Sampaio, presidente do Sindicato do Rio de Janeiro, lá fui assistir ao duelo carioca.

O Fla ganhou 2-1 com um golo, aos 91 minutos, de um antigo benfiquista de seu nome Edilson.

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Fomos jantar ao Leblon e, às tantas, chega o herói do jogo acompanhado por dois ou três colegas e mais sete ou oito bonitas jovens brasileiras.

Edilson viu o Alfredo e veio cumprimentá-lo.

– Parabéns Ed. Grande vitória. Vens festejar claro!

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– Com certeza, ganhar um clássico é sempre motivo para festejar com uns ‘chopes’ e umas meninas.

– Deixa-me apresentar-te o António, um amigo de Lisboa e do Benfica.

– Do Benfica? Grande clube. Grande cidade Lisboa. Como vai cara? Tudo bem consigo?

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– Prazer Edilson e parabéns. Grande jogo e vitória. E pelos vistos a celebração vai ser intensa como o jogo!

– António, a vida é curta. Ainda mais a de jogador de bola. Se não aproveitar agora, quando será? E é o momento. Não é por ser bonito, alto e musculado que estou, como vê, muito bem acompanhado. É por ser jogador, por aparecer na televisão e por ter algum dinheiro. Só por isso cara… Eu sei isso e não me importo. Como diz o poeta, ‘viver é preciso’…

Sei que em janeiro deste ano, aos 45 anos de idade, esta estrela dos relvados, assinou contrato com o Taboão da Serra, equipa da 4.ª divisão paulista. E como jogador de futebol. De certeza, nada vai ser como antes…

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Por António Carraça
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