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Ser jogador profissional de futebol é algo de fascinante. Poder trabalhar em algo que nos dá prazer e nos envolve durante muito tempo da nossa vida, dá significado à nossa existência. Mas o perigo está sempre à porta e espreita por entre as janelas do dia à dia. O prazer, o dinheiro, a fama podem transportar-nos para o ‘outro lado’, fazendo com que os erros e as más decisões sejam norma repetida e não mero acidente ou percalço. Juntam-se os falsos amigos e os familiares interesseiros e o desastre acontece. Muitos deles sem retorno.
Há algum tempo, ao folhear uma revista antiga, deparei com a crónica de um Benfica-Sporting de fevereiro de 1978, no qual o antigo jogador internacional Vítor Baptista foi protagonista. Ao marcar o golo da vitória do Benfica num gesto técnico mágico, ‘O Maior’ perdeu o brinco de ouro que usava como imagem de marca. Em pleno relvado da Luz, companheiros, adversários e o próprio árbitro Rosa Santos andaram à procura do precioso adereço, adiando o recomeço do jogo.
O Vítor vivia, nesse tempo, a sua época de glória e sucesso. A tal fama! O tal dinheiro! O tal prazer e excesso! Que contrastava, em tudo, com o Vítor Baptista que conheci em 1986. Um homem derrotado, triste, sozinho, dependente e pobre. De mal com a vida, com as pessoas e com a justiça.
Relembrei o gesto nobre e humano do dr. Marcel de Almeida, que me contactou, via Sindicato dos Jogadores, no sentido de querer ajudar o Vítor, nessa altura a braços com a justiça, a curar a sua dependência das drogas.
Marcámos uma audiência e, perante o juiz, dei a conhecer a clínica onde ‘O Maior’ iria fazer a recuperação e assumi as responsabilidades financeiras desta onda solidária. O Tribunal de Setúbal ficou convencido e o Vítor foi libertado.
Concluídas as questões burocráticas, dirigimo-nos para o meu carro. Diz o Vítor:
– Vamos neste carrinho para Lisboa? Isto anda? É seguro? Que carro é este?
– Oh Vítor, é um Renault 9. E é novo, comprei-o este ano...
– Ó pá! Eu não ando neste carro. Eu só ando em Porsches e BMWs! Sabes que eu tive um Porsche Carrera? Isso é que era... Este é um carrinho de linhas...
– ‘Tá bem, Vítor. Mas é seguro...
– Não sei não. E vamos chegar a Lisboa de noite. Isto não deve andar nada...
– Ó Vítor, tem lá calma. Queres voltar para a prisão? Prometo que da próxima arranjo outro carro.
– Ok miúdo, convenceste-me. Vamos lá então para o meu novo hotel. E rápido!
E lá fomos para a Avenida de Berna onde ‘O Maior’ iria ficar por uns tempos, assim julgava eu e o dr. Marcel de Almeida, e recomeçar uma nova etapa da sua vida.
A viagem foi inesquecível. Rimo-nos muito e vivi experiências, pela voz do Vítor Baptista, que só deveriam acontecer nos filmes.
Só que ele tinha-as vivido na vida real. E mal ou bem, até esse momento tinha sobrevivido. Tive esperança que seria possível encontramos todos juntos, um novo caminho e um novo futuro para o rapaz do brinco. Sobretudo depois dele, já no quarto da confortável clínica, despedir-se de mim assim:
– Miúdo vou portar-me bem. Agora sei que não estou sozinho...
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