Isa Sebastião entre a bola e o remo

Já lá vão 15 anos desde que deixou a bola de basquetebol arrumada a um canto. Os mesmos anos que praticou a modalidade afincadamente e com várias chamadas à Seleção Nacional. Isa Sebastião é daquelas que se pode orgulhar de ter feito parte de uma geração de ouro no basquetebol feminino. Jogou ao lado de atletas como Ticha Penicheiro ou Mery Andrade. Desde as brincadeiras em estágio à amizade duradoura, hoje Isa recorda esses tempos com alegria e saudade. Mas sem qualquer arrependimento de, aos 26 anos, ter abandonado a modalidade para se dedicar a outros desportos, de mais ação, pode dizer-se.

Aventurou-se no montanhismo, escalada, kitesurf, canoagem, mergulho, ou até surf e wakeboard. Mas foi no Stand Up Paddle (SUP) que encontrou uma paixão e um desafio à altura. Recentemente remou, em cima da prancha, durante 24 horas, numa travessia de 170 quilómetros no rio Sado para bater um recorde mundial. E fê-lo. Aos 41 anos, Isa quer superar-se. Mas voltemos atrás no tempo.

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Foi aos 6 anos que começou a brincar com a bola, mas à séria a coisa deu-se aos 11. Jogou no CIF, União de Santarém e Nacional da Madeira. Pelo meio, inúmeras internacionalizações. “Comecei na Seleção em cadetes. Foi sempre um grupo muito engraçado e unido. E fizemos o percurso quase sempre todas até seniores. Foi dos melhores momentos para o basquete feminino. Tínhamos a Ticha [Penicheiro] e a Mery [Andrade] que começaram a ir jogar para os EUA. Todo este processo através do nosso selecionador José Leite, que nos abriu muitas portas. Vivíamos num país tão pequenino que nos fez bem sairmos e vermos tudo o resto. Fez-nos aumentar qualitativamente o nosso nível”, recorda agora.

“As memórias já são assim muito longínquas. Mas lembro-me que até houve uma homenagem especial quando nos apurámos para a fase final do Europeu. Chegar lá foi um grande feito”, diz ainda. Mas se neste caso as memórias estão mais desvanecidas, Isa lembra-se bem das aventuras nos estágios da Seleção. “Eu, a Ticha e a Susana Soares fazíamos parte de um grupo que andava sempre junto, a fazer mil brincadeiras. Eram coisas de miúdas, fugíamos dos quartos e depois éramos apanhadas, íamos fazer malandrices nos quartos das mais velhas, enchíamos as maçanetas da porta de pasta de dentes [risos], coisas assim! Mas éramos atinadinhas!”, garante Isa.

Mas afinal o que levou esta atleta a deixar a modalidade? “Sempre gostei muito de atividades de mais ação, mas jogando basquete era complicado, porque podia lesionar-me. Levava na cabeça dos treinadores. Mas o basquete já não me dava prazer. As coisas que faço têm de ser por gosto. Queria experimentar outras coisas. E não me arrependo nada”, conta a atleta que chegou a ter um convite para jogar nos EUA e em Espanha. “Estava na faculdade na altura e optei por ficar por cá”, conclui.

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Até bateu recorde mundial

Foi no dia 8 de junho que Isa Sebastião se superou. Em 24 horas, a atleta fez 170 quilómetros no rio Sado, distância (já homologada) que superou em 40 quilómetros a marca a que se tinha proposto para entrar para o livro dos recordes do Guinness. “Incrivelmente foi excelente. Estava com o astral muito em cima. Obviamente que há o cansaço, principalmente à noite. Sobretudo devido à escuridão. Eu já estava muito farta da escuridão, queria ver a luz do dia. Mas estive sempre animada”, conta com emoção, lembrando que até a um minitufão escapou nas horas finais do percurso.
Mas de onde surge esta vontade de se superar?

“Comecei a acompanhar o percurso de portugueses como a Elisabete Jacinto e do Francisco Lufinha e fiquei a pensar que somos capazes de conquistar o mundo. A capacidade de superação destas pessoas inspirou-me”, afirma. Quanto aos próximos desafios, Isa Sebastião responde com ambição: “Tenho várias ideias... tentar bater aquilo que fiz ou fazer algo no mar são algumas hipóteses.”

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Companheiras de luxo

Isa Sebastião (1) foi contemporânea de duas das melhores basquetebolistas portuguesas de sempre: Ticha Penicheiro (2), que fez uma brilhante carreira na WNBA, onde foi inclusivamente campeã, e Mery Andrade (3), que também passou pela liga norte-americana e na época passada ainda se mantinha em atividade, em Itália. Isa integrou uma Seleção que chegou a ser apurada para a fase final de um Campeonato da Europa.

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