A dúvida há-de sempre subsistir e nem pode estar confinada, apenas, à apreciação dos adeptos do Benfica ou do Sporting. Quem foi o melhor: Vítor Damas ou Manuel Bento? Com estilos diferentes marcaram gerações e, por incrível que pareça, os dois guarda-redes só se defrontaram por quatro vezes para o Nacional da 1.ª Divisão.
Para os mais esquecidos, convém apenas lembrar que quando Vítor Damas saiu de Alvalade, em 1976, com destino ao Santander, em Espanha, Manuel Bento estava a começar a afirmar-se no Benfica e lutava para destronar José Henrique.
Nos anos 70 só se defrontaram uma única vez com vitória dos encarnados em Alvalade. O reencontro dar-se-ia volvida quase uma década. Ambos fizeram parte das campanhas no Europeu'84 e no Mundial'86, que seria trágica para Bento ao fraturar a perna esquerda num treino, apressando o final de uma brilhante carreira. Mas só depois dos 40 anos é que entenderam que os voos acrobáticos eram para gente mais nova...
Estreia
Damas nasceu oito meses antes de Bento e fez a estreia na primeira equipa do Sporting a 22 de janeiro de 1967, na festa de homenagem a Vicente Lucas. Tinha 19 anos e notava-se-lhe uma habilidade fantástica para ir longe. Bastaram duas temporadas para se afirmar e na época 68/69 já era dono e senhor da baliza que pertencia a Carvalho. Nos confrontos com o Benfica ainda não estava lá Manuel Bento, que por essa altura não sabia o que era a 1.ª Divisão. Tal veio a acontecer quando assinou pelo Barreirense em 1969, por 3 anos. A 8 de outubro de 1970 dá nas vistas na festa de homenagem a Mário Coluna, substituindo o lendário Lev Yachine. O Benfica ficou de olho no moço da Golegã e em1972/73, Bento já faz parte da lista dos campeões nacionais com apenas um jogo. Com José Henrique a não dar oportunidade ao rapaz que vinha do Barreiro, o primeiro duelo entre Vítor Damas e Manuel Bento dá-se só depois do 25 de abril.
Em Espanha
No final da temporada, Damas queria sair de Alvalade e até teve um convite do FC Porto de José Maria Pedroto. Preferiu o estrangeiro e optou pelo Santander.
A saída de Damas coincidiu com a afirmação de Bento, indiscutivelmente, o n.º 1 a partir de 1977. Aos atacantes do Benfica pedia-se que marcassem golos a Conhé (1977), Botelho (1978 e 79) e a Vaz (1980).
O regresso de Damas a Portugal aconteceria, então, via Seleção Nacional, mas Bento porfiava em ser o melhor e o mais consistente. Os saudosos tempos de ver os dois eternos guardiões equipados com a camisola do Benfica e do Sporting só seriam retomados a meio da década de 80. Ambos já tinham ultrapassado os 40 anos e a enorme experiência traduzia aquele perfume de classe. E eram a voz de comando.
A 13 de abril de 1986, no Estádio da Luz, Damas e Bento disputam o último dérbi, desta vez com o guardião benfiquista furioso por ter sofrido dois golos, um do defesa Morato e o outro de Manuel Fernandes. Finda a carreira de jogadores foram treinadores de guarda-redes, nos seus clubes, ajudando a formar outros campeões. Mas como eles não há igual.