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A comunidade científica está boquiaberta com o caso de dois médicos, na China, gravemente doentes com a covid-19, que acordaram do coma com a pele escura. As imagens foram divulgadas pela televisão estatal da China e despertou a curiosidade de médicos e cientistas, segundo relata esta quinta-feira o jornal espanhol 'El Mundo', num extenso artigo.
Os médicos em causa são os doutores Yi Fan e Hu Weifeng, que estiveram na linha da frente do combate ao novo coronavírus em janeiro, no principal hospital de Wuhan, juntamente com Li Wenliang, o primeiro médico que alertou para a doença e que morreu a 7 de fevereiro.
Ambos os médicos, de 42 anos, deram positivo a 18 de janeiro. O doutor Yi Fan, cardiologista, esteve ligado a um ventilador durante 39 dias. Apresenta melhoras mas o seu estado ainda inspira cuidados. Já o doutor Hu Weifeng encontra-se nos cuidados intensivos há 99 dias e o seu estado é bastante preocupante.
A cor da pele de ambos os clínicos escureceu de forma surpreendente e uma das explicações apresentadas prende-se com os efeitos que a combinação dos medicamentos que ingeriram podem provocar no fígado. Os médicos acreditam que a cor da pele de ambos voltará ao normal quando o fígado começar a funcionar com normalidade.
Hipóteses
O doutor Gianni Sava, professor de farmacologia da Universidade de Trieste e membro da sociedade italiana de farmacologia, tem uma teoria sobre o que terá acontecido. Explica que entre os medicamentos usados na China para o combate à covid-19 o único que pode "provocar hiperpigmentação da pele é a cloroquina", utilizado no tratamento da malária. "Quando num caso de emergência se mistura alguns fármacos, podem surgir efeitos adversos que causam problemas no fígado: fala-se de icterícia hepática. A pele muda, fica amarelada, ficando depois mais escura, mas não tão negra como se vê nesta foto. Sem saber o que deram a estes médicos é impossível encontrar uma explicação exata para o sucedido."
O mesmo especialista italiano acrescenta que "para o tratamento de pacientes internados com Covid-19 a terapia recomendada inclui oxigenoterapia e antivirais, como interferon-alfa, lopinavir-ritonavir, ribavirina, umifenovir ou cloroquina. A estes podem juntar-se outras terapias de apoio para a prevenção da pneumonia como antibióticos e anticoagulantes e, nos pacientes mais críticos, corticóides e tocilizumabe."
"Entre as terapias recomendadas, o risco de mudança da cor da pele está descrito na cloroquina. Também já se verificou esse efeito depois do uso de ribavirina e interferon alfa", sublinha. "O guia da China para o tratamento da doença recomenda também o uso da medicina tradicional chinesa, pelo que não é de excluir efeitos colaterais quando se misturam estes produtos com os antivirais."
Esse cocktail farmacológico pode ter causado sérios danos no fígado dos dois médicos. "O efeito pigmentante provocado por alguns fármacos tem tendência a ser reversível. Mas o processo é lento. Sabemos que são precisos pelo menos três meses de utilização da cloroquina para que a hiperpigmentação apareça. Tendo em conta que ambos os pacientes estão internados há tanto tempo, esta pode ser uma explicação compatível com o que foi descrito."
Gianni Sava adianta ainda que este efeito depende também da dose administrada. "Já se usaram elevadas doses de cloroquina em doentes muito graves. Se a isso juntarmos outros fármacos e a menos capacidade do organismo eliminar os medicamentos, obtém-se um aumento das concentrações no sangue."
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