Luís Santana, administrador da Cofina Media, insurgiu-se ontem contra os planos do Governo para apoiar a comunicação social , cuja crise se agravou por causa da pandemia . "A confirmar-se que o referencial de indexação para a atribuição de apoios do Estado aos grupos de comunicação social seja a perda de receitas publicitárias, é muito preocupante para os meios em geral e para a imprensa escrita em particular. Quem beneficiará serão, sobretudo, os FTA (‘free to air’ - canais em sinal aberto) e as rádios. Os grupos com maior exposição à imprensa – jornais e revistas, que vivem em grande parte das receitas de circulação – voltam a ser discriminados e prejudicados, criando-se uma situação de injustiça. E o valor de que se fala, um pacote de 10 milhões de euros, é manifestamente insuficiente."
O responsável da Cofina Media considera mesmo que o futuro destes meios está a ser colocado em causa. "Se não forem tomadas medidas de fundo, concretas, tenho poucas dúvidas de que os meios muito expostos ao papel estão ameaçados. Mesmo aqueles que estão mais bem preparados, como é o caso da Cofina. Além disso, é preciso olhar também para a distribuição, que é a última linha na nossa cadeia e que também está ameaçada. O nosso trabalho de produção será infrutífero se não tivermos distribuição, e a Vasp, que é neste momento a única distribuidora em Portugal, tem a sua atividade ameaçada."