Duarte Gomes é bancário mas acertou com a sua entidade patronal um horário a meio tempo. O árbitro natural do Funchal, de 39 anos, é um dos líderes naturais da classe e considera que o projeto da profissionalização “só peca por tardio”.
“Felizmente temos uma direção da FPF que está empenhada em dar aos árbitros sobretudo boas condições de trabalho e que está a trabalhar de boa fé”, destaca. “Se não for agora, penso que nunca mais será”, acrescenta quase em jeito de desabafo. “Ao contrário do que é voz corrente, os árbitros querem a profissionalização e o mais importante não são as remunerações mas sim as nossas condições de trabalho e também as nossas vidas”, esclarece, numa visão que é partilhada pela APAF. “Na época passada, para além dos jogos nacionais que tive de apitar, estive também presente em 20 jogos internacionais. Vejam o que isto representa em tempo dedicado à arbitragem, a que se acrescentam os treinos e os relatórios que temos de preencher todas as semanas”, desenvolve. “O que sobra para as nossas vidas profissionais e familiares?”, questiona ainda.
“Nós, árbitros, somos pessoas como as outras, temos os problemas de todos, temos famílias e a arbitragem nos últimos anos absorve muito do nosso tempo”, refere. “Que fique bem claro que os árbitros querem a profissionalização e que estão contentes com as intenções da direção da FPF, pois todos ficaremos a ganhar com isso”, junta. Para o árbitro internacional que integra a AF Lisboa, “há muito tempo que fazíamos sentir a necessidade de mudar esta situação que sobrecarrega um elemento essencial do jogo e que por vezes falha e erra porque de facto não consegue suportar o ritmo de vida que lhe é imposto”. Só para dar um exemplo: “Muitas vezes temos um jogo no Norte que acaba às 11 horas, temos ainda de voltar a casa, chegamos lá às 3 ou 4 da manhã e pouco depois é preciso pegar no carro e ir levar os filhos à escola e correr para o nosso posto de trabalho. Não é o dinheiro que nos move mas sim a vontade de poder proporcionar um trabalho melhor”, reforça, satisfeito por verificar que o estudo da Delloite chega a conclusões que há muito tempo os árbitros sugeriram.