Micael Sequeira confiante na vitória na Suécia: «Elas têm tudo a perder, nós tudo a ganhar»

Micael Sequeira reage no banco de suplentes do Sporting
• Foto: Ricardo Nascimento

Confiança. É esse o mote da abordagem de Micael Sequeira, treinador da equipa feminina do Sporting que discute esta quarta-feira, em Estocolmo, o apuramento para as meias-finais da Taça Europa, mesmo depois de ter perdido na primeira mão, em Alcochete, por 1-0 com as suecas do Hammarby.

"Primeiro ir com a vontade e com a crença que é possível ganhar, porque felizmente o futebol já nos proporcionou isso, como nós conseguimos vencer em Roma. As jogadoras têm que ir focadas e fazerem o melhor possível. E o melhor possível é tentar ganhar. Nós não podemos fugir disso. Não temos nada a perder neste momento, só temos a ganhar. Acho que quem tem muito a perder neste momento é o Hammarby, porque ganhou o jogo aqui e está à frente", considerou o técnico das leoas.

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"Acredito 100% que podemos ganhar lá. o jogo aqui foi muito equilibrado, a diferença foi que elas aproveitaram uma grande oportunidade que tiveram na segunda parte e nós não aproveitámos as duas boas oportunidades que tivemos na primeira parte. Até pelo facto do campo ser maior, sendo nós uma equipa mais técnica e tendo mais tempo para poder jogar, penso que pode ser uma vantagem, contando também com uma pressão muito forte do adversário. Portanto, eu estou muito otimista, sinceramente estou muito otimista. Se calhar tenho que reconhecer que muita gente pode pensar o contrário, que vai ser muito difícil, porque as diferenças existem, em termos de historial, em termos de organização do futebol feminino, há uma diferença muito grande. A competitividade da liga é completamente diferente, as nossas jogadoras não estão habituadas a este ritmo, a esta intensidade. É uma realidade que se calhar nós temos que olhar primeiro para dentro ao tentar mudar isto no futebol feminino de Portugal, para que a gente possa estar mais preparado para estes momentos. Mas, independentemente dessa diferença que existe, eu continuo a acreditar que é possível, acreditando que vamos estar num dia bom, um dia de inspiração e de transpiração, e que a gente possa, se calhar, surpreender uma Europa", perspetivou Micael Sequeira.

Baixa de vulto continua a ser Cláudia Neto, centrocampista de 37 anos que poderia ser um trunfo importante na construção e gestão de jogo. "Infelizmente, ainda não temos a Cláudia Neto", confirmou o treinador, assumindo: "É uma jogadora naturalmente que fazia muita diferença pela experiência que tem e pela qualidade que tem. E mais triste estou pela forma como é a perdi. Foi aqui na competição interna que perdemos uma jogadora, mas a jogadora que fez com que o Sporting perdesse a Cláudia Neto, 10 minutos depois, fez golo. E isso a mim é que me deixou um bocado triste. Daria muito jeito." 

Estando previstos entre menos 5 a menos 10 graus na altura do jogo, na Suécia, o tempo é algo... que não preocupa. "Eu acredito que depois, na arena, não se vai fazer sentir tanto porque aquilo é fechado. E deve ter aquecimento. O que poderá ter peso, que eu acho que pode funcionar a nosso favor, é o facto de eles meterem 10 mil ou 15 mil pessoas e estarem ansiosos de querer resolver aquilo muito rápido, porque ganharam aqui e acreditam que são claramente melhores e que podem ganhar facilmente esta Luminatória. Se, com o decorrer do tempo, a gente conseguir equilibrar e, com uma certa felicidade, finalizar e ser eficiente nas oportunidades que vamos ter e aí aquilo pode funcionar a nosso favor. É aquilo que eu acredito que pode acontecer e temos que fazer por isso. Ir amanhã para lá, otimistas, muito confiantes."

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O Hammarby faz o seu primeiro jogo oficial em Estocolmo e o entusiasmo com que será recebido é reconhecido por Micael Sequeira com um factor que pode ter peso. "Claro que sim, isso pode, elas podem tirar partido disso, mas nós já temos, já era no futebol e nós já andámos aqui há alguns anos, já percebemos isso, que no futebol muitas vezes isso pode acabar por ser mais prejudicial do que vai benéfico para a equipa, porque lá está, tem a ver como vai decorrer o jogo. Se entrarmos organizados, com energia, pressionantes e começarmos a criar dificuldades e tivermos a estrelinha de fazer um golo, eu acho que depois pode funcionar a nosso favor. Agora, se a história do jogo for diferente, se elas acabam por fazer um golo primeiro e depois por todo o entusiasmo, toda a motivação, por ser o primeiro jogo em casa, muitos adeptos, claro que depois pode ser a favor deles."

Em contraponto à ausência da experiente Cláudia Neto, Micael Sequeira confia na capacidade de jovens apostas como Érica Cancelinha ou Carolina Santiago surpreenderem. "Temos uma equipa que está com essa capacidade de surpreender. É uma equipa completamente diferente daquela a que o Sporting estava habituado. na época anterior, baixámos muito a média de idade da equipa jovem. É positivo porque temos uma energia renovada na equipa e vamos à procura disso, mas isso é o nosso papel, é formar, foi o nosso objetivo criar aqui uma equipa diferente, uma equipa nova. Claro que leva o seu tempo, porque é difícil, estamos a falar de miúdas, apesar de terem muita qualidade, ainda não têm muita experiência nesse sentido, por isso é que a Cláudia Neto era importante para fazermos aqui o equilíbrio. Uma jogadora muito experiente para ajudar as mais novas a gerir este jogo com muita gente e num ambiente diferente, mas que não deixa de ser positivo", referiu, reconhecendo, a rematar, que tudo passa por uma opção estratégica do Sporting: "Sentimos que o projeto, neste momento, está mais consistente, estamos a preparar o futuro e há que seguir esse caminho. E é isso que nós estamos a fazer."

Por Mário Duarte
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