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Douglas Oliveira explica dificuldades do Ramadão: «Acordei com os jogadores às 3h30 para fazer a refeição»

• Foto: Vilafranquense

RECORD - Vivemos um período complexo para quem é muçulmano. Como é que se lida com um jogador que segue o Ramadão à risca?

LUCAS ALBUQUERQUE – Temos uma quantidade considerável de atletas que fazem o Ramadão aqui. A estratégia fica muito mais pela parte nutricional que é o que é muito afetada. Na parte de preparação, a [adaptação] passa por tirá-los de uma parte do treino, diminuir a força… Há que ter esse contacto diário com o atleta para saber onde é que ele está melhor e onde é que não está para que exista essa confiança de troca de informações connosco. O principal é o facto de ter o atleta sempre a 100 por cento mesmo com esse défice calórico quando há exposição solar. É algo muito mais ligado à parte nutricional. Há várias estratégias.

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DOUGLAS OLIVEIRA – Da minha parte está a ser um desafio muito grande, mas também é bom porque tu aplicas o que sabes e colhes os frutos dessa aplicação. É muito bom. Quando se começou a aproximar o mês para começarem a fazer o Ramadão, falei com os jogadores várias vezes para entender como era e o que é que eles gostavam mais de fazer. Era a minha primeira vez a contactar esta experiência. Para eles, já foi, se calhar, a 10ª vez. Eles já fazem isto há muito tempo e acabam por ter mais experiências práticas, as minhas são só teóricas. Sentámo-nos a conversar muitas vezes e eu fiz um plano com algumas dicas e adequando ao que eles já fazem e ao caso particular de cada um.  O maior desafio é quando temos os estágios e os jogos. Durante o treino fazem da forma que sabem, com todas as dicas e tudo corre certinho. Quando vamos para os estágios, já a pensar no jogo, começa a ser um desafio muito grande. Acordei com eles às 3h30 da manhã para fazer essa refeição (risos). Disponibilizo-lhes a ementa, eles fazem toda a alimentação da forma que deve ser, bem tranquilos e certinhos. A minha resposta são eles. Dizem que se sentem bem e está a correr tudo de forma certa. Vão aos jogos, entram e conseguem ter um bom desempenho. Foi um desafio que correu muito bem.

R – O tipo de alimentação no Ramadão é semelhante à dos restantes meses do ano?

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DO – Muda só a estratégia dos horários. Nos outros meses, não há muito a estratégia de horários porque são muitos curtos. Fazer curtas refeições ou muitas num curto espaço de tempo é mais complicado. Não é possível fazer poucas refeições senão o défice calórico vai ser muito grande. Também não dá para fazer uma refeição com muito volume senão também não é possível fazer a próxima refeição. Tentar segmentar isto dentro de um curto espaço de tempo em que o atleta ainda tem de dormir e descansar é um desafio muito grande. Há que começar com refeições mais leves e depois fazê-las um pouco maiores, fazendo depois o inverso. Muda realmente um pouco a forma como se alimentam no resto do ano porque o jogador tem de comer agora para voltar comer daqui a uma hora e meia de novo para poder dar tempo de dali a uma hora e meia voltar e comer e dormir um pouco, acordando depois, rezar e comer ainda mais um pouco. As estratégias mudam um pouco.

R – Determinam limitações em conversa com o treinador tendo em conta o estado do atleta? Sentem que os jogadores jogam menos minutos?

LA – Não há défice de suplementação e o atleta treina o treino todo. Quanto ao jogo, também não há qualquer tipo de limitação. Num jogo, os jogadores que fizeram o Ramadão aqueciam normalmente, entravam no jogo normalmente e não existem limitações. Criámos estratégias para que eles estejam a 100 por cento para fazerem todas as atividades.

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DO – Se o jogadores se sentirem mais cansado ou mal… Aí sim [poderão sair]

R - Jogadores habitualmente titulares conseguem aguentar o jogo com a mesma cadência?

LA – Tivemos jogadores em Ramadão que jogaram e a performance foi semelhante. Temos o controlo de carga feito com o GPS e sabemos que não há quebra de rendimento. Para nós, foi algo muito positivo. Reforçamos que a estratégia feita durante o período dos treinos e a alimentação feita durante a noite tem dado certo. É o que os jogadores nos relatam. Treinam da melhor forma e jogam a 100 por cento.

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DO – O que acontece que o jogador sente é que pode sentir uma falta de energia, dependendo do horário do jogo. Um jogo às 11 horas da manhã é mais complicado do que às 20h, já que logo no início da partida já pode comer alguma coisa. Há essas diferenças. A estratégia está montada três ou quatro dias antes do jogo e até ao dia em que vai jogar. Eles brincam muito com o facto do ‘açúcar faltar’. Essa energia e hidratos não faltaram na reação dos atletas quando foi exigida.

Por Flávio Miguel Silva e Vasco Antão
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