Surgiu cheia de boas intenções, mas nunca conseguiu cativar verdadeiramente os adeptos do futebol. A Taça da Liga é considerada a menos importante prova do calendário nacional, uma espécie de “patinho feio”. Mas, independentemente do grau que ocupa na hierarquia, domingo irá reacender paixões em novo duelo entre FC Porto e Benfica. Um clássico encarado sob perspetivas diferentes pelos dois semifinalistas, uma vez que, se as águias, já campeãs nacionais, sonham ainda com a conquista da Liga Europa e da Taça de Portugal, já para o FC Porto a Taça da Liga é o único troféu que ainda poderá levar para casa, depois da Supertaça.
“Vencer a Taça da Liga será um mal menor para o FC Porto, mas não salvará a época”, advoga Fernando Mendes, antigo lateral-esquerdo das duas equipas. “O foco é sempre o campeonato. E, em temporadas anteriores, o FC Porto desvalorizou a Taça da Liga porque tinha outros objetivos mais importantes. Mas este ano a situação alterou-se, a partir do momento em que deixou de ter hipóteses de chegar ao título”, acrescenta, apresentando o seu ponto de vista sobre a competição: “A ideia é boa, mas o formato não me parece o mais indicado. A Taça da Liga está feita para um dos grandes chegar à final e isso não é correto.”
Espírito de conquista
Já José Peseiro, que na época passada levou o Sp. Braga à conquista da Taça da Liga, numa final frente ao FC Porto, entende que, “apesar de ser a menos importante competição nacional, qualquer equipa gosta e deseja vencer a prova”. “Não é por acaso que o Benfica já ganhar a Taça da Liga quatro vezes e que os únicos pequenos a vencerem foram o V. Setúbal e o Sp. Braga”, salienta o treinador do Al-Wahda.
Gerir plantel em função das prioridades
A rotatividade do plantel, particularmente visível no Benfica, é encarada com naturalidade por José Peseiro. O treinador do Al-Wahda não vê nisso uma forma de desvalorizar determinada competição, embora reconheça que “há prioridades” e que “em determinados momentos da época, face à sobrecarga de jogos, poderá ser necessário abdicar da prova menos importante”. “E a Taça da Liga é a menos importante”, admite.
Trocar peças sem afetar rendimento da equipa
O Benfica chega ao clássico de domingo, no Dragão, ainda envolvido em três frentes – o campeonato já está garantido – e a poucos dias de um dos mais exigentes desafios da temporada, em Turim, frente à Juventus, onde tentará carimbar o acesso à final da Liga Europa. Isso não deverá, no entanto, alterar a forma de pensar de Jorge Jesus.
“O Benfica tem um plantel com quantidade e qualidade para rodar jogadores sem que isso afete o rendimento da equipa. Aliás, não é por acaso que está nas meias-finais da Liga Europa, apesar de, em alguns encontros, ter alterado cinco ou seis jogadores em relação ao onze anterior”, constata José Peseiro.
Fernando Mendes tem opinião semelhante, recordando que “Jorge Jesus costuma rodar a equipa e tem-se dado bem”. Mas não tem dúvidas de que o técnico não irá facilitar, “até porque já disse que quer chegar a todas as finais”.
O Benfica é exemplo de rotatividade na Taça da Liga, tendo chegado a mudar os 11 jogadores em relação à partida anterior. Aliás, em apenas três partidas utilizou 26.