_

32 anos depois, houve um novo dérbi a terminar 6-3: 'Futebol sem Muros' levou embaixadores da Liga à Carregueira

Futebol no Estabelecimento Prisional da Carregueira, 32 anos depois
• Foto: Luís Manuel Neves

Domingo é dia de dérbi entre Sporting e Benfica, mas o primeiro jogo grande da semana decorreu no Estabelecimento Prisional da Carregueira, em Belas.

Tal como o famoso encontro de 14 de maio de 1994, o duelo terminou com uma goleada de 6-3, desta feita dos azuis, de Jorge Andrade e Meyong, sobre os amarelos, de Edinho, Kléber e Carlos Fernandes. 

PUB

Ainda assim, o resultado foi mesmo o menos importante na Iniciativa "Futebol Sem Muros", que permitiu aos reclusos jogarem ao lado de alguns dos seus ídolos, atualmente embaixadores da Liga Portugal. 

Pedro Henriques, antigo árbitro de primeira categoria nacional, foi o juiz do encontro, que terminou com a exibição do cartão branco a todos os participantes, dado o fair-play verificado na partida. 

"O projeto está a ser preparado há três meses. Tivemos de alterar, inclusive, a primeira data devido às condições climatéricas. Isto já vem desde o ano passado, quando eles foram jogando entre eles. Uma ala jogou contra a outra na final. Quando receberam a notícia de que iam ter convidados, obviamente que a motivação cresceu", começou por dizer Joana Rodrigues, diretora do E.P. da Carregueira. 

PUB

"É muito bom para eles estarem a partilhar o campo com antigos jogadores profissionais e antigos internacionais. Gostaríamos de expandir o projeto e alargá-lo a todo o país", revelou Orlando Carvalho, Diretor-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais.

"Esta ação tem todos os ingredientes para ser um sucesso. Acho que foi um dia memorável para todos os que estão a participar no jogo com antigas glórias do futebol português. Queremos que esta ação seja a primeira de muitas, de norte a sul do país. É um dia único, inesquecível, todos os reclusos ansiavam por este dias nos últimos meses", defende Bernardo Azevedo, Diretor Geral da Liga Comercial.

PUB

Ao intervalo, os azuis já venciam por 3-0 e, no arranque da segunda parte, na equipa de Jorge Andrade, Meyong e companhia fez o quarto golo. Depois, Yannick fez lembrar João Vieira Pinto e assinou um hat-trick para os amarelos, que, ao contrário de há 32 anos, não chegou para dar a vitória à sua equipa. 

Os azuis marcaram mais dois golos de rajada e terminaram com as dúvidas, num encontro em que os guarda-redes estiveram em destaque e que serviu para promover a inclusão, a proximidade e o impacto social através do futebol.

"Disse à minha filha que vinha jogar à prisão. Ela disse para eu ter cuidado e eu respondi que eles é que tinham de ter cuidado! Ganhámos fácil... Aqui joga-se bem, com malta nova, havia ali um craque de São Tomé (Yannick). Saímos daqui com o coração cheio e com vontade de jogar contra a outra ala", confidenciou Jorge Andrade, antigo central do FC Porto e da Seleção Nacional.

PUB

"Pessoalmente não sabia como haveria de interagir com eles inicialmente, mas facilmente conseguimos dar-nos bem com eles. São pessoas normais, como nós, que cometeram um erro, por isso é que estão aqui. Eu fiquei surpreendido (pelos guarda-redes). Eles estiveram muito bem e neste piso (cimento)… Eu não fui à baliza por causa do piso, é de tirar o chapéu. Eu deixei as minhas luvas, como forma de premiar um deles", afirmou Carlos Fernandes, antigo guarda-redes de clubes como Boavista, Rio Ave ou Moreirense, à margem do projeto-piloto da Fundação do Futebol.

"Muitos deles conheciam a minha história, falaram de alguns golos que marquei e, por isso, consegui passar uma mensagem de força para eles. Foi muito competitivo, há muito valor aqui, deu para ver, não foi a feijões, como pensávamos, deu para suar. Se eu soubesse, não tinha ido treinar de manhã antes de vir!", gracejou Edinho, também ele ex-internacional português.

PUB

"Acho que serviu para eles entenderem que se se comportarem, vão ter oportunidades de ter coisas engraçadas aqui, para poderem participar e, aos poucos, se reintegrarem. Eu nunca tinha tido esta oportunidade, é bom também poder perceber o lado deles. Obviamente, ficamos sempre um pouquinho apreensivos, porque saímos um pouco da nossa zona de conforto, do que estamos habituados, mas a partir do momento em que entrámos aqui fomos muito bem recebidos por todos", realçou Kléber, ex-avançado do FC Porto e da seleção brasileira.

Embaixadores da Liga jogam futebol na Carregueira num evento de inclusão

"É a quarta vez que estou aqui. Tudo começou com uma palestra, de uma palestra surgiu o convite dos reclusos para vir cá fazer um jogo entre a Ala A e B e já está prometido outro. Estou muito feliz, quando saio daqui, saio sempre de alma e coração cheio. Os meus problemas não existem, há problemas muito maiores. Foi um gosto, voltarei sempre que for preciso. Deixarei tudo e mais alguma coisa para estar aqui. Foi um verdadeiro exemplo, houve um grande fair-play da parte dos reclusos. Desde a primeira vez que vim, fiquei sempre de vir cá outra vez e vim. Isso vale ouro para eles. É um dia em cheio, estou muito emocionado", disse Pedro Henriques.

PUB

Domingo, às 18h00, em Alvalade, há mais. Esperemos que seja tão, ou mais, emocionante do que este.

Por Nuno Mendes
Deixe o seu comentário
PUB
PUB
PUB
PUB
Ultimas de Futebol Nacional Notícias
Notícias Mais Vistas
PUB