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Hajry disputou 250 jogos pelo Farense

Hajry disputou 250 jogos pelo Farense

HAJRY Redouane, um cidadão marroquino de 35 anos, faz parte da história do Farense desde sábado, tornando-se no primeiro futebolista dos algarvios a cumprir 250 jogos na I Divisão. Um feito digno de nota, nos tempos de hoje, quando as mudanças de camisola se sucedem a um ritmo vertiginoso.

"O que senti? Parecia uma festa de aniversário: todos me deram os parabéns..." Distinguido com uma lembrança (um leão em prata) pelos responsáveis do clube, Hajry não esconde boa dose de "orgulho e honra" por ter alcançado uma marca que dificilmente será batida nos próximos anos -- Eugénio e Miguel Serôdio apresentam-se como os elementos do actual plantel do Farense em melhores condições para lá chegar mas ambos, com 184 jogos disputados na I Divisão, ao serviço dos algarvios, já atingiram a barreira dos trinta anos e precisariam pelo menos duas épocas (sem falharem nenhuma partida) para ultrapassar a marca agora atingida pelo marroquino, o qual, importa realçar, ainda tem mais um ano de contrato e pretende aumentar a sua conta pessoal...

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"Aos 35 anos, o bilhete de identidade pouco me diz. Preocupo-me, apenas, com o que faço em campo. Encaro o futuro próximo com grande tranquilidade: sinto-me bem e enquanto for útil à equipa continuarei a trabalhar com o mesmo empenho de sempre. Nunca prejudicaria o Farense e saberei sair na altura certa" -- frisa Hajry, um homem "realizado" depois do jogo com o Vitória de Guimarães. "Não são só os grandes êxitos desportivos que deixam marcas num atleta: estou ligado ao Farense há mais de uma década e a circunstância de atingir uma marca histórica representa, para mim, um privilégio", confessa o médio marroquino. "Estes feitos marcam-nos, mexem connosco. Senti algo de especial no jogo com o Vitória de Guimarães -- cheguei a Faro já lá vão muitos anos e estou ligado à cidade, ao clube...

Sempre reconheceram aqui o meu trabalho e estou grato por isso. Ganhei raízes nesta terra, a ponto de considerar-me já um pouco algarvio..."

A viver um momento gratificante, Hajry dirige uma "palavra de apreço" aos actuais colegas e aos restantes profissionais ao lado de quem actuou, no Farense, assim como a técnicos, elementos do departamento médico e dirigentes. "Embora passando regularmente por dificuldades financeiras, este clube teve sempre um trunfo muito importante: nunca faltou um forte espírito de união e, dessa forma, superamos obstáculos que, noutras condições, seriam inultrapassáveis."

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O MELHOR EM TOULON

Hajry veio para Portugal pela mão de Peres Bandeira, 'olheiro' do Benfica que o viu em acção no Torneio de Toulon de 1987. "Fui considerado o melhor jogador da prova. E Stoichkov, Penev, Kostadinov, Gascoigne e Ginola, entre outros, estiveram lá... Abandonei o futebol semiprofissional do meu país para ingressar num dos maiores clubes da Europa, concretizando o sonho de todos os jogadores marroquinos."

Na sua única temporada na Luz Hajry participou na final da Taça dos Campeões Europeus, diante do PSV Eindhoven. "Ainda hoje sou o único jogador de Marrocos que esteve presente numa partida decisiva dessa competição", recorda, com visível ponta de orgulho.

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Na Luz, as oportunidades eram poucas e os regulamentos de então só permitiam a utilização de três estrangeiros, com Hajry a sofrer a concorrência de Magnusson, Abel Campos e Ricky. "Queria jogar, até porque, estando parado, não teria possibilidades de representar a selecção do meu país."

Representou o Farense durante um ano, mas os algarvios desceram na última jornada, na época da estreia de Paco Fortes como treinador, e na campanha seguinte mudou-se para o União da Madeira, sempre por empréstimo.

Voltou à Luz, mas o Benfica, então orientado por Erickson, preparava-se para contratar Schwarz, fechando assim o lote de estrangeiros, e entre ficar inactivo e sair Hajry optou pela última hipótese. "Gostei da primeira experiência aqui vivida e voltei a Faro." Até hoje...

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ARMANDO ALVES

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