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Vilanovense: estádio novo até 2020

Parte dos 120 mil euros provenientes das transferências de Hulk para a Rússia e para a China serviram para ajudar a pagar a requalificação do Parque Soares dos Reis, mas o presidente António Coelho confirma a garantia dada pela Câmara Municipal de Gaia

Record –O que mudou no Vilanovense desde que foi eleito em 2014?

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António Coelho – Muita coisa. Em 2014 o clube tinha um processo de insolvência que foi movido por dois jogadores devido a uma dívida de 11 mil euros que tivemos de liquidar, além do problema do terreno do Parque Soares dos Reis, que felizmente já está resolvido. O Vilanovense perdeu recurso no Tribunal Constitucional e fomos obrigados a devolver o terreno ao dono a troco de 50 mil euros. Dinheiro esse que entrou na gestão anterior. Quando cheguei o clube estava na iminência de ficar sem campo. Felizmente o processo está alinhavado graças ao tremendo esforço da Câmara Municipal de Gaia e do seu presidente Eduardo Vítor Rodrigues, a quem agradeço muito tudo o que fez. Interessou-se pelo problema desde o primeiro dia, teve olho, conseguiu negociar e chegar a um consenso. As coisas hoje estão mais ou menos definidas. Podemos continuar aqui mais três anos, mas temos a promessa de um estádio novo até 2020 e depois cedemos estas instalações ao dono do terreno.

R – O Vilanovense vai ter um campo provisório?

AC – Não. Será a título definitivo. É uma promessa do presidente Eduardo Vítor Rodrigues, que por esta altura estará a estudar a situação do local do novo recinto do Vilanovense. Não estou preocupado porque confio nas pessoas. Neste momento o Parque Soares dos Reis é que é provisório. Mais ano, menos ano vamos mudar, mas gostamos de cá estar porque temos boas instalações.

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R – Com o problema da insolvência resolvido e a promessa de um novo recinto que balanço faz destes três anos como presidente do Vilanovense?

AC – Positivo, sem dúvida, só que pelo meio houve e ainda existem imensos problemas.

R – Que obstáculos são esses que fala?

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AC – Quando cheguei havia vários processos de ordenados em atraso, nomeadamente funcionários com mais de meio ano sem receber, além de instalações completamente degradadas, onde o mais preocupante foi quando parte da bancada central caiu. Sinceramente penso que não havia pernas para andar até ao projecto de reestruturação que implementámos, onde tenho de salientar que, antes do futebol sénior pensou-se sempre nas circunstâncias a que a formação estaria sujeita. Procurámos proporcionar boas condições a todos. Melhorias significativas que levaram as pessoas a ter mais confiança e a ver o clube com outros olhos.

R – Para além da reconstrução da bancada central que outras obras foram feitas?

AC - Fomos obrigados a mexer um pouco em tudo. Construímos um minicampo de apoio adjacente ao campo principal, fomos obrigados a encontrar uma solução para o pavilhão após o problema que se agravou ao longo do último inverno e que levou a Protecção Civil a elaborar um relatório onde o Vilanovense tinha de demolir o pavilhão por risco de ruína dado que não tinha condições de segurança. Também resolvemos essa questão que já se arrastava há vários anos e vamos arrancar, em breve, com a requalificação desse espaço. O pavilhão está a ser demolido e será transformado em mais um campo aberto, que tanto servirá de apoio à formação, como poderá ser rentabilizado em receita extraordinária com o respectivo aluguer. Para além disso renovámos os balneários, desde louças, pintura e portas. O Parque Soares dos Reis foi todo pintado e, como fomos obrigados a fazer uma parte nova na bancada central, optámos por dotá-la com uma área social de apoio com um bar e uma esplanada. Também colocámos uma nova iluminação em led, quer no campo principal, como no minicampo e ainda reestruturámos a parte administrativa, que agora conta com gabinetes separados para a secretaria e elementos da direcção. Para além disto tudo também apostámos num sistema de vigilância para controlar alguma situação desconfortável para o clube.

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R – Faz sentido apostar em tanta renovação quando o Parque Soares dos Reis tem os dias contados?

AC – Continua a ser a nossa casa e não vamos parar por aqui. Conto também concluir a renovação do salão nobre nos próximos dois meses. É um pequeno luxo, mas um esforço importante para ajudar a dinamizar a confraternização dos nossos adeptos, para além de que é um espaço que conta toda a história deste clube centenário e que pode abrir caminho a muitas outras actividades.

R – Quando dinheiro é que foi investido na requalificação do Parque Soares dos Reis?

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AC – Assim por alto e só no que diz respeito ao Vilanovense, porque as entidades públicas também ajudaram muito, seguramente mais de 30 mil euros.

R – Não lhe parece um paradoxo investir essa verba tendo em conta que daqui a três anos o Vilanovense terá um novo recinto?

AC– Não creio e a razão é simples. Se tivéssemos uma solução imediata seria um erro gastar todo este dinheiro, mas como o prazo para a nova casa é dilatado e não há uma alternativa capaz de preencher todas as exigências do clube é um esforço que tem de ser feito e que também só está a ser possível graças à ajuda de muitos. É um trabalho comunitário, pelo que estou obrigado agradecer a muita gente, desde tribunal a técnicos e adeptos.

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R – Onde vai ser construído o novo recinto do Vilanovense?

AC – Vai ser edificado em Vilar do Paraíso porque não há mais terreno municipal à disposição.

R – Essa mudança de freguesia não implicará uma perda de identidade?

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AC – Podemos perder algumas coisas, mas isso é uma consequência de qualquer mudança. Quando se muda é sempre na perspectiva de evoluir e com as novas infraestruturas à disposição vai ser muito mais aquilo que se ganha do que aquilo que se pode, eventualmente, perder. A marca Vilanovense é muito forte em Gaia e não é por o novo estádio ficar a um par de quilómetros de distância que esse vínculo se vai diluir. Para a história fica a saudade, mas o futuro não passa por aqui. Este desenvolvimento trará maior visibilidade ao clube.

PASSIVO DESCEU MAIS DE UM MILHÃO DE EUROS

R – Neste momento qual é o valor do passivo do Vilanovense?

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AC – Quando cheguei em 2014 essa verba, entre dívidas a atletas, fornecedores, Segurança Social e Finanças, andava na casa dos 1,2 milhões de euros. Entretanto pagámos 11 mil euros do processo de insolvência movido por dois jogadores, assunto aprovado em relatório e contas, e temos ainda de liquidar 70 mil euros à Segurança Social e cerca de 110 mil euros às Finanças.

R – Como é que se atingiu uma dívida tão grande?

AC – Quando o Vilanovense estava na extinta II Divisão B pagava ordenados de 5 e 6 mil euros, declarados. Verbas que hoje em dia nem na 1ª Liga. Nesse tempo nunca se pagou Segurança Social ou Finanças, pelo que foi um bolo sempre a acumular.

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R – Como é que foi possível reduzir a dívida de 1,2 milhões de euros para cerca de 180 mil euros em apenas três anos?

AC – Porque grande parte desse valor dizia respeito a verbas relativas às Finanças e à Segurança Social e entretanto os processos vão prescrevendo. Tudo tem um prazo. Hoje em dia vou às Finanças dou o número de contribuinte do clube e está tudo a ser cumprido.

R – Foi este descalabro financeiro que obrigou a que o Vilanovense teve de mudar nome para Vila FC?

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AC – Desde 2010 que o clube está dividido em dois nomes, caso contrário todas as receitas seriam hipotecadas. O Vila FC nasceu para o clube poder continuar a ter uma equipa de seniores. Devido esse processos administrativos o Vilanovense diz respeito à formação que se enquadra entre os sub-10 e os sub-15, ao passo que o Vila FC vai dos sub-15 até aos seniores.

R – As contas do Vila FC estão regularizadas?

AC – Quando assumi a presidência havia uma dívida de cerca de 70 mil euros, pelo que, além do esforço financeiro com todas as obras no Parque Soares dos Reis conseguimos abater 50 mil euros ao passivo. Hoje em dia esse valor é de 20 mil euros, mas tanto pode ser 20 mil euros como pode não ser nenhum.

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R – Como assim?

AC – É mais uma questão legal. Há dois processos que estão a decorrer por causa de um litígio com dois fornecedores devido aos valores que apresentaram ao clube e que não só nunca foram muito claros, como chegaram fora de horas. Por isso recorremos ao tribunal para resolver o problema. Relativamente aos outros valores, quando entrei havia 10 mil euros de dívida à AF Porto, hoje não devemos um cêntimo. Na mesma ordem, os cerca de 10 mil euros de dívida à EDP hoje são perto 3 mil euros. Às Águas de Gaia eram 10 mil euros. Hoje são 4 mil euros.

R – Para um clube que tem receitas tão parcas, dado que, tal como a maioria dos clubes em Gaia, depende do rendimento proveniente da formação e da ajuda da edilidade, como é que liquidou tanto dinheiro num espaço de tempo tão curto?

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AC – Com a ajuda de terceiros, de receitas extraordinárias, da formação e do futebol americano. Não é uma modalidade oficial do clube, mas o aluguer das instalações paga quase um terço do orçamento da equipa sénior. É um alívio para a Direção porque o dinheiro proveniente da formação representa mais de metade do orçamento geral do clube, mas não chega para pagar contas da água, luz e treinadores.

R – Importa-se de especificar qual foi essa ajuda bem como quais foram essas receitas extraordinárias?

AC – Essas receitas dizem respeito ao mecanismo de solidariedade da FIFA. A ajuda foi uma verba que um amigo do clube colocou à nossa disposição a título pessoal.

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HULK RENDEU 120 MIL EUROS

R – Está a referir-se à transferência do Hulk quando saiu do FC Porto para o Zenit?

AC – Para o Zenit e posteriormente para o Shanghai.

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R – Qual foi a compensação a que o Vilanovense teve direito nos dois casos?

AC – Quando o Hulk foi para a Rússia foram 71 mil euros no total. O Vilanovense recebeu uma primeira tranche de 55 mil euros, que diz respeito à anterior direcção, pelo que não me perguntem como foi gasto o dinheiro porque não há documentos a justificar nada. A segunda tranche, de 16000 euros, já foi comigo a presidente e serviu para ajudar a pagar algumas dívidas, como ordenados e despesas correntes, e para comprar um carro para o clube. Posteriormente, quando o Hulk foi para a China recebemos 49 mil euros do mecanismo de solidariedade. Verba essa que serviu para ajudar à requalificação do Parque Soares dos Reis, abater significativamente algumas das contas correntes e saldar os cerca de 20 mil euros de empréstimo da tal ajuda de um associado.

ALIANÇA COM O BENFICA POR CAUSA DO LATERAL NÉLSON

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R – Há mais jogadores formados no Vilanovense que possam dar um retorno desse género?

AC – Pode acontecer com qualquer jogador. Depende de muitas circunstâncias. Estamos a falar de um caso de exceção , mas o João Amaral poder ser mais um caso mediático porque joga na 1ª Liga ao serviço do Vitória de Setúbal e pode ser transferido para o estrangeiro. Se isso acontecer o Vilanovense terá direito a accionar o mecanismo de solidariedade da FIFA porque fez parte da nossa formação. A par destas situações também temos por resolver, juntamente com a ajuda do Benfica, o caso do Nélson, lateral que também esteve na nossa formação, pelo que não sabemos se o Vilanovense também terá direito a uma verba relativa à transferência do Benfica para o Sevilha. Podemos estar a falar de mais umas dezenas de milhares de euros, mas temos aguardar para ver o que esse caso vai dar porque o Sevilha está a alegar insolvência para não pagar, mas por outro lado continua a inscrever jogadores. Outro caso que a curto prazo também poderá evoluir ao ponto de poder sair para o estrangeiro é o André Ferreira, guarda-redes que neste momento faz parte do plantel do Benfica B e também começou no Vilanovense.

R – Quais são os objectivos a que se propõe alcançar como presidente?

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AC – O meu grande objetivo é resolver o problema legal que nos permitirá recuperar o estatuto de utilidade pública porque neste momento não retiramos nenhum dividendo do Estado. Espero conseguir anular o passivo do Vilanovense para que volte a ser um clube sem problemas administrativos. Sabemos perfeitamente o que devemos, mas a dívida está mais ou menos controlada. Pode demorar mais alguns anos a liquidar, mas está perfeitamente ao nosso alcance.

R – A nível desportivo tem alguma fasquia definida a curto prazo?

AC – Há vários projectos em curso e horizontes que pretendemos alcançar em diversas frentes que vão desde a formação, onde espero celebrar como presidente algumas subidas de divisão, ao futebol sénior, bem como no futsal e a formação de treinadores. Há uma empresa que pretende usufruir do Parque Soares dos Reis para dar formação a treinadores. Será mais uma receita porque teremos o nosso recinto completamente lotado desde as 18h30 até às 24 horas todos os dias, exceto ao fim de semana.

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FUTSAL PARA AVANÇAR EM 2018/19

R – O Vilanovense vai ter futsal?

AC – Vai ser uma aposta minha para a próxima época, se conseguir arranjar um espaço próprio para a prática dessa modalidade. Equipamento já temos, treinador já temos. Falta só arranjar um patrocínio para pagar as inscrições porque arranjar jogadores acaba por ser o mais fácil. Vou trabalhar junto de alguns privados no sentido de arranjar uma solução porque não será fácil arranjar um espaço. O futsal é modalidade com cada vez mais tradição e que quero implementar no Vilanovense.

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OBJETIVO É SUBIR À DIVISÃO DE ELITE DA AF PORTO

R – Ao nível do futebol sénior a fasquia é a estabilidade na Divisão de Honra?

AC – A estabilidade é o foco principal e o desempenho da equipa esta época dá-me essa confiança, mas a Divisão de Honra não condiz com os mais de 100 anos de história do Vilanovense. Temos de crescer desportivamente, pelo que a Divisão de Elite da AF Porto, a extinta 3 ª Divisão, é o patamar adequado à dimensão do clube. Também porque é uma prova que nos permitirá ter mais visibilidade e escolha que pode resultar em dividendos financeiros. Neste momento há muitos jogadores de qualidade e com ambição que só não estão dispostos a jogar no Vila FC pela falta de visibilidade do nosso campeonato.

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R – Essa subida é para concretizar já esta época?

AC – Todos os adeptos do Vilanovense gostavam que isso fosse uma realidade, mas não foi com essa ideia que arrancámos a temporada, apesar de que o futebol sénior é uma aposta clara. Temos qualidade, com jovens oriundos da formação do Paços de Ferreira, Boavista e Benfica e outros com experiência destes escalões, além de dois miúdos com potencial enorme. Um deles é o Pellegrini, brasileiro com passaporte italiano que foi formado no Santos, já jogou no Génova e é cada vez mais uma pedra fundamental na equipa. O outro é o Diego. Um avançado brasileiro que chegou para o Varzim, mas entretanto alguma coisa correu mal e será uma aquisição para a segunda metade da época.

R – Introduziu o futebol feminino no Vilanovense no ano do centenário, mas entretanto esse projecto já acabou. Porquê?

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AC – Essencialmente devido a limitações de tesouraria porque não havia possibilidades para sustentar duas equipas seniores. Nunca quis terminar com o futebol feminino porque foi uma aposta minha e sempre trabalhei para que isso fosse uma realidade, mas optámos por terminar porque há um percurso muito longo a percorrer. Ainda lancei o projecto a várias pessoas, de modo a encontrar autonomia, mas não houve soluções.

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