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Petit: «O meu sonho passa por meter o Boavista noutros patamares»

• Foto: Lusa

Petit esteve na noite desta 5.ª feira no programa 'Futebol Total', do Canal 11, e o treinador do Boavista falou de tudo um pouco, fazendo um balanço da temporada que agora terminou e projetando já o futuro no Bessa, prometendo tentar levar os axadrezados aos tempos da presença constante nas competições europeias, mas pede tempo e, acima de tudo, paciência aos adeptos, registando que estão a ser criadas as condições nesse sentido.

Está no sexto clube da 1.ª Liga como treinador. Que ambições ainda tem?

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"Não quero ser mal interpretado e sinceramente só penso em dar o passo seguinte no Boavista. Tenho todas as condições, conheço bem o clube desde os meus nove anos e sei aquilo que podemos crescer enquanto clube. O que mais me entusiasma é ir todos os dias trabalhar para o Bessa, clube que também sou adepto e o meu sonho passa por voltar a meter o Boavista noutros patamares. Nesse sentido, estamos a trabalhar para, passo a passo, conseguir consolidar o Boavista. Queremos que o Boavista possa voltar a ser o que já foi, mas isso demora o seu tempo e é normal que assim seja. Estamos a trabalhar neste momento para criar as condições necessárias e para dar esse passo em frente."

Que Boavista podemos esperar na próxima temporada?

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"Sabemos da realidade do Boavista, viemos com a ideia de um projeto diferente e as coisas correram bem. Não queríamos perder nenhuns jogadores, mas isto faz parte do futebol português e temos de saber reconhecer que será normal perder alguns jogadores porque o Boavista precisa de resolver as suas contas. Estamos preparados e por isso criamos o departamento de scouting, que é muito importante para o crescimento sustentado que queremos para o clube. É normal perdermos alguns jogadores, mas já estamos preparados para os substituir."

Já disse que não gosta de alguns rótulos que lhe colocam, nomeadamente o de salvador das equipas que lutam pela permanência. Porquê?

"Temos de ver o contexto em que estamos inseridos e o momento em que entramos nas equipas conta muito. O rótulo de bombeiro que me querem apelidar acabou por ser normal em função dos trabalhos que tinha tido nos últimos anos. Mas a verdade é que conseguimos sempre os objetivos, valorizando até alguns ativos. Quando comecei queria ir para o futebol juvenil, mas quase que fui obrigado a pegar na equipa do Boavista como treinador/jogador, mas depois a evolução é normal e neste momento estou no clube que gosto e que me dá garantias para continuar a evoluir."

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O Boavista que encontrou esta época é muito diferente daquele que tão bem conhecia?

"Claro que sim. É um clube completamente diferente em termos de estrutura, temos relvados de treino, temos um Lab para trabalhar, o futuro do Boavista passa muito pela sua formação, mas tudo demora o seu tempo e estamos a dar passos seguros para isso."

Como treinador tem um sistema e procura os jogadores ou molda os jogadores para que se integrem nessa forma de jogar?

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"Tudo depende se entras no início da época ou a meio. Também depende do orçamento. Neste momento estamos num 3x4x3 e a ideia é continuar. Gosto que as minhas equipas tenham intensidade. Sem dúvida alguma isto é mais fácil para o Guardiola, porque está num clube com capacidade financeira para buscar os jogadores que quer. Nós tentamos ir buscar jogadores para o que é a ideia do treinador. Temos 10 nomes em média para reforçar a equipa, mas como sabemos isto depende muito do dinheiro."

Foi jogador do único campeão fora dos três grandes nos últimos 20 anos. Quando é que acha que poderá voltar a acontecer isso?

"Não é fácil porque existe uma diferença muito grande entre essas equipas e o próprio Sp. Braga para o resto das equipas. Mas temos treinadores e muita gente que trabalha bem, a ideia é valorizar o nosso produto, mas sinceramente não vejo ninguém a ter essa capacidade para se intrometer nessa luta nos próximos tempos. Tivemos essa felicidade, há 21 anos, numa altura em que o Boavista estava sempre nos primeiros lugares, foi um Boavista diferente do que é agora, mas queremos caminhar para isso e é preciso dar passos firmes. Neste momento, temos gente mais nova a gostar do Boavista e sentimos isso nos jogos no Bessa, mas queremos trazer mais público ao nosso estádio. Temos de incutir esta ambição de representar este clube e olhar para cima. A verdade é que vamos para a oitava época consecutiva na 1.ª Liga e o Boavista não mais conseguiu ficar acima do sétimo lugar, mas essa ambição tem de estar presente e devemos trabalhar nesse sentido."

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Quando podemos ter um Boavista de novo a lutar pelos lugares europeus?

"Era mais fácil falar para os adeptos e dizer que já para o ano íamos conseguir isso, mas temos de dar passos curtos e firmes para chegar lá. Temos de melhorar em muitos departamentos para quando chegarmos lá haver condições para saber manter o clube nesse patamar. Temos de criar condições para os jogadores poderem ambicionar algo mais, mas há que criar condições para dar o passo seguinte. Todos queremos um Boavista tão forte como no passado, mas nunca estivemos perto de regressar à UEFA nestes últimos sete anos de I Liga. Ou seja, temos preparar bem o clube em todos os sentidos, não pode ser só para uma época."

Makouta e Porozo foram duas das revelações da época. Podem ser opção regular nos três grandes?

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"Ambos têm uma margem de progressão muito grande, tivemos o cuidado de trabalhar de forma individual com eles. O Porozo quando nós chegamos estava a chegar, estava nos sub-23 do Boavista e tivemos de o trabalhar de forma individual, tanto ele como o Makouta, que se acasalou bem com o Seba Pérez. Sem dúvida que ambos podem dar um passo grande na carreira. Para mim, fazia-lhes bem ficarem mais um ano no Boavista, mas não depende de mim e isso pode não ser possível."

Por António Mendes
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