O antigo árbitro internacional David Elleray, consultor contratado pela FPF e considerado o 'pai' do sistema VAR, elaborou mais um relatório que visa esclarecer a atuação do VAR no futebol português. Esta semana, a análise do atual diretor técnico do International Board foca-se nos lances polémicos que marcaram os jogos FC Porto-Boavista, Moreirense-Benfica e Sporting-Paços de Ferreira, da 19.ª jornada da Liga NOS.
FC Porto-Boavista (lance ao minuto 89)
- O guarda-redes efetua uma defesa e a bola sobra para um atacante que marca golo; o árbitro valida o golo;
- Após informação do VAR, o árbitro efetua uma revisão 'on-field review' e anula o golo por infração de ‘mão na bola’;
- As imagens mostram que a bola tocou na mão direita do atacante e entrou imediatamente a seguir na baliza – esta situação é uma infração, mesmo que o toque na mão tenha sido acidental;
- Intervenção correta do VAR uma vez que a decisão do árbitro em validar o golo foi um 'claro e óbvio erro'
Moreirense-Benfica (lance ao minuto 60)
- Num lance em que a bola vem pelo ar na área de penálti, vários jogadores disputam a bola e um atacante cai no terreno de jogo agarrado à cabeça;
- O árbitro muito bem posicionado e com uma clara visão do lance permite que o jogo prossiga;
- As imagens mostram que todos os jogadores estavam a olhar para a bola e que qualquer contacto é acidental;
- Corretamente o VAR não teve qualquer intervenção, uma vez que o árbitro não cometeu um 'claro e óbvio erro' em não assinalar pontapé de penálti;
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Moreirense-Benfica (lance ao minuto 62)
- Após um pontapé de canto, a bola dirige-se para o lado direito da área de penálti onde um atacante, que tem um defensor mesmo atrás de si, tropeça e cai no terreno de jogo;
- O árbitro muito bem posicionado e com uma clara visão do lance assinala pontapé de penálti;
- Após informação do VAR o árbitro efetua uma revisão 'on-field review' e cancela a decisão de pontapé de penálti, assinala livre indireto e exibe o cartão amarelo ao atacante por ‘simulação’;
- As imagens mostram que o contacto inicial foi causado pelo atacante que se atravessou à frente da linha de movimento do defesa. De seguida dá ainda vários passos e mesmo não havendo qualquer contacto do defesa, acaba então por cair simulando uma falta;
- Intervenção correta do VAR uma vez que o árbitro cometeu um 'claro e óbvio erro' ao assinalar pontapé de penálti.
Sporting-Paços de Ferreira (lance ao minuto 42)
- Numa jogada de ataque, parece existir contacto no meio campo entre um defesa e um atacante ficando o atacante agarrado à face;
- O ataque prossegue até à área de penálti e, quando o atacante remata, um defesa tenta bloquear esse mesmo remate, acabando o atacante por cair no terreno de jogo;
- O árbitro tem uma clara visão de ambas as situações e permite que o jogo prossiga – não há intervenção do VAR;
- As imagens não mostram qualquer evidência que o contacto no meio campo seja infração punível com cartão vermelho e por isso não existe qualquer motivo para uma intervenção do VAR;
- As imagens mostram também que no lance na área de penálti o atacante caiu no terreno de jogo porque tropeçou nele próprio;
- Corretamente o VAR não teve qualquer intervenção uma vez que a decisão do árbitro em não assinalar pontapé de penálti não foi um 'claro eóbvio erro';
Sporting-Paços de Ferreira (lance ao minuto 59)
- Um atacante na área de penálti, com um defesa perto de si, joga a bola em direção à linha de baliza, cruza a bola e depois cai agarrado ao tornozelo;
- O árbitro tem uma clara visão do lance e permite que o jogo prossiga – não há intervenção do VAR;
- As imagens mostram que o contacto entre o defensor e o atacante é acidental e o defesa está a olhar para a bola quando o contacto acontece;
- Corretamente não há intervenção do VAR uma vez que a decisão do árbitro em não assinalar pontapé de penálti não foi um 'claro e óbvio erro.