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O Benfica é um dos finalistas do Torneio do Centenário do Boavista, ao bater precisamente o clube aniversariante por 2-0. Agora fica à espera do adversário para amanhã, que sairá do Leixões-Sporting.
A primeira parte acabou com o Benfica já à frente por dois golos, mas até Cristiano colocar a bola pela primeira vez nas redes de Khadim, o Boavista tinha tido mais bola e também mais intenção atacante. O novo técnico Erwin Sanchez quer uma equipa a jogar mais com a bola do que era costume com Pacheco, num 4x3x3 com pressão, mas tem ainda muitas lacunas.
A defesa comete muitos erros de marcação, o meio-campo é pouco sólido, o ataque procura a rapidez mas criou muito pouco jogo na área. No todo uma equipa ainda muito pouco equipa, até porque o homem que devia dar o risco ao jogo, Ricardo Sousa, participa ainda pouco na manobra e tem dificuldade em definir os movimentos atacantes da equipa.
Só o jovem Raul Meireles mostrou lucidez a espaço para impor alguma ordem, mas ainda é jovem. E depois, não por acaso, o Boavista já foi na época passada o pior ataque do campeonato.
O Benfica tem um objectivo a curto prazo - a eliminatória da Liga dos Campeões - e Camacho já tem a equipa definida. É aquela que jogou ontem, talvez com Tiago em vez de Fernando Aguiar e também Hélder no lugar de Cristiano. Mas este voltou a marcar de cabeça num canto (como há uma semana no Algarve, frente ao Belenenses), e se ontem era um dia de teste, tendo pela frente alguém como Martelinho, o brasileiro respondeu de forma muito razoável.
Não começou bem o Benfica, mas com o primeiro golo impôs-se e a partir desse momento - ou seja, da meia hora - só houve uma equipa em campo. Sobretudo em contra-ataque, fruto da velocidade de Geovanni e Simão e também de Miguel e dos lançamentos de Zahovic e Sokota (quando fazia o papel de pivot) a equipa da águia chegou ao ouro e sem passar grandes aflições. Ou dominou ou, quando foi preciso, ao menos controlou o jogo.
O Benfica de Camacho é já um conjunto estruturado e com ritmo. Petit voltou a ser o melhor, não perdendo a posição e, com a ajuda dos quilos de Fernando Aguiar, dominou o meio-campo e foi essencial sobretudo no início quando a equipa ainda teve que sofrer a garra do Boavista. Com esse meio-campo bem posicionado, o Benfica nunca deixou os axadrezados pensarem o jogo.
Sanchez ainda colocou Frechaut ao intervalo em vez de André e Cafú foi para extremo-esquerdo, ocupando a posição que fora de Ali, mas a coisa não melhorou, até porque Simão e Geovanni não se esqueceram de ajudar nas tarefas defensivas e tiveram ainda muito tempo e espaço para porem a cabeça em água a Éder, Ricardo Silva e companhia.
Em suma, o Benfica foi já uma equipa rotinada e a jogar fora de casa tem sempre mais facilidades, tal como acontecia na época passada. Sokota é que não pode falhar tantos golos, porque ontem o Benfica desperdiçou ainda uma boa mão-cheia de golos, para não falar de dois "penalties" que o árbitro José Mesquita não assinalou - um deles (de Raul Meireles sobre Zahovic) foi transformado num cartão amarelo ao esloveno... O árbitro teve, aliás, outros erros - num jogo com tantos cartões, o de Ricardo Rocha não era amarelo, era de outra cor...
Simão recusa braçadeira
Afinal o caso da braçadeira não está resolvido. Ontem, aos 77 minutos, isso ficou bem patente no relvado do Bessa quando o capitão Zahovic foi substituído. Ao ver que ia sair, o esloveno dirigiu-se ao árbitro, cumprimentou-o e deu-lhe a braçadeira. Então, José Mesquita perguntou a quem havia de entregar o símbolo de capitão e os jogadores encarnados apontaram para Simão.
Ao aperceber-se da situação, o camisola 20 acenou logo com o dedo a dizer que não queria colocar a braçadeira. O árbitro ficou surpreendido e, durante uns segundos, ficou sem saber o que fazer. Depois do "suspense", Miguel dirigiu-se ao árbitro e envergou a braçadeira até final. Quanto a Simão, ouviu bastantes assobios do público pela sua atitude.
No final do jogo, Simão - que defendeu há pouco tempo no seu site que a situação da braçadeira estava enterrada - recusou-se a comentar o sucedido enquanto José Antonio Camacho desdramatizou o assunto. "Há muitos capitães no Benfica e tanto o Miguel como o Moreira estavam aptos a usar a braçadeira", disse o técnico espanhol.
Questionado se ficou surpreendido com a recusa de Simão, Camacho foi peremptório: "Não. Sou uma pessoa liberal e respeito as decisões dos jogadores."
Já Cristiano, revelou que a atitude de Simão não colheu de surpresa o grupo de trabalho. "Não falámos disso na cabina, mas já esperávamos que isto acontecesse. Não houve qualquer tipo de problemas, mas até o árbitro ficou meio confuso", referiu.
Confrontos na bancada
O Torneio Centenário do Boavista é uma prova que enaltece a história de um dos mais prestigiados clubes portugueses. Infelizmente, alguns espectadores dos nossos estádios ainda não se sabem comportar e tentam ofuscar a festa. Ontem, perto do intervalo, alguns adeptos das duas equipas envolveram-se em confrontos. O calor por vezes provoca fenómenos estranhos.