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Bruno Lage quebrou o silêncio sobre a possibilidade de assumir o comando da equipa principal do Benfica caso Rui Vitória tivesse saído, garantindo que Luís Filipe Vieira nunca o confrontou com esta hipótese e que só soube da mesma pelos jornais.
"Dois ou três apontamentos sobre isso. Primeiro: ninguém do futebol profissional falou comigo. Ponto. Tive conhecimento através de vocês ou se calhar depois de vocês. Por volta das 10 da noite chegaram mensagens e até pensei que fossem as de Natal. Quando dou por mim vi a minha cara na TV. Ontem foi um dia normal, fomos para o campo, treinámos e estivemos longe de perceber o que se estava a passar no futebol profissional. Percebemos que não houve treino porque treinamos ao lado, mas não tive conhecimento de nada. Depois digo que tenho um contrato com o Benfica e o que me fez vir para a equipa B foi poder ser pai além de ser treinador, com o compromisso de estar mais perto de casa. Quero ser pai. O meu filho tem 3 anos e praticamente não o vi nascer. Quando o presidente falou comigo para vir para a equipa B, vi um projecto sólido que me permite estar mais perto de casa", começou por dizer o treinador da equipa B dos encarnados à Sport TV, após o triunfo por 1-0 sobre o Estoril, para a 2.ª Liga.
"Desde que estou no Benfica falei com o presidente duas vezes. A primeira foi assinar um contrato longo, de 5 anos, para estar na equipa B. Como é que se troca a Premier League para estar aqui? É o lado familiar", rematou.
Perda de anonimato foi problema
As inúmeras mensagens e o mediatismo que recebeu foram um problema para si, segundo Bruno Lage: "Agora tenho umas 500 mensagens para responder. Daqui a duas semanas respondo com mensagens de Natal. Segundo problema: a minha cara ficou estampada em tudo o que é sítio e já não posso ir beber um café descansado. A ambição que tenho é a que viram nesta equipa. É a de não desperdiçarem a vida. Falo mais de vida com eles do que de futebol."
Importância da paternidade
Questionado sobre se sonha chegar à equipa principal, Lage voltou a destacar a importância de estar perto da família: "Quando vim, o presidente apresentou-me um projeto sólido. Disse-me que sentia que a equipa B era um projeto muito bom para mim e que depois, passado um, dois ou três anos chegar à Liga. Não venho para o Benfica para chegar à Liga. Venho para treinar a equipa B. Quero estar perto de casa. Disse-lhe que tive várias oportunidades de iniciar a carreira enquanto treinador principal quer em Portugal, na primeira Liga, quer fora, nomeadamente em Inglaterra, e recusei. O que me interessa agora é um projeto sólido, e a equipa dá-me isso, e quero fazer o que aos 42 anos ainda não tinha feito, que era ser pai."
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