_
R – Leva quase 12 anos de mandato... Este já é um Benfica à imagem do que imaginou?
LFV – É um Benfica que já orgulha qualquer benfiquista, é um clube moderno, inovador, que recuperou a grandeza do passado, que voltou a ganhar. Não vou dizer que se trata de um projeto acabado, mas é seguramente o clube que eu ambicionava construir quando aqui entrei pela primeira vez.
R – Custou-lhe muito chegar aqui?
LFV – Muito mais do que as pessoas possam imaginar. Foi muito difícil, muito duro chegar aqui. Foi necessário alimentar a autoestima dos benfiquistas, fazê-los acreditar que poderíamos recuperar o clube, devolver o Benfica aos sócios, mas é evidente que houve anos muito complicados.
R – Consegue dizer qual foi a etapa mais difícil?
LFV – Seguramente os primeiros anos, porque não tínhamos nem dinheiro, nem credibilidade, porque a credibilidade do Benfica estava totalmente hipotecada, nacional e internacionalmente. Foram anos muito difíceis em que foi necessário conciliar o pagamento e a renegociação das dívidas que havia, e eram muitas, com a necessidade de construir o estádio, os pavilhões e o Caixa Futebol Campus. Se pudéssemos comparar em duas fotografias o que é o Benfica hoje e o que era há 14 anos, então, sim, aí veríamos a diferença.
R – Já não há mais projetos por fazer? Agora é só pensar na vertente desportiva?
LFV – Há sempre novos projetos, novas necessidades, e se é evidente que hoje a vertente desportiva é aquela que concentra as nossas atenções quase a 100%, a verdade é que há sempre novos projetos e novas valências que temos de continuar a desenvolver, de forma a que os nossos atletas, quer no futebol, quer nas modalidades, possam beneficiar. Pensar que já se fez tudo é o primeiro passo para começarmos a ficar para trás.
R – Como por exemplo?
LFV – Temos novos desafios a nível de posicionamento da marca Benfica num mercado cada vez mais global e daí a necessidade de estarmos presentes em torneios como a Champions Cup. Ou a necessidade de continuar a aumentar o número de adeptos no nosso estádio, e a aposta em projetos como a bancada família ou a Fan Zone. Ou aindaa necessidade de continuar a atualizar as capacidades do LAB, de forma a otimizar o rendimento individual e coletivo de todas as nossas equipas, desde a equipa A, passando pela formação, e terminando nas modalidades. Não posso igualmente esquecer, como projeto que temos de fazer, a "casa do jogador", para apoiar todos aqueles que ajudaram a construir a nossa história e que por azares da vida se encontram hoje em dificuldades. Creio que devemos ter memória e ajudar quem nos ajudou a ser o que hoje somos. Por muito que se faça, haverá sempre novos projetos a desenvolver. É a natureza de qualquer clube dinâmico.
R – O Benfica vai a eleições em outubro do próximo ano. Vai recandidatar-se?
LFV – É demasiado cedo para falar disso.
R – Essa decisão de avançar para novo ato eleitoral está dependente de alguma coisa?
LFV – Apenas da avaliação que fizer quando essa decisão tiver de ser assumida.
Família ficou em segundo plano pela dedicação ao Benfica
R – Já dedicou o título a Fernando, seu pai (na foto). É um homem de família?
LFV – Sou! A família é tudo para mim. Ao longo destes anos todos, alguma coisa ficou para trás. Se olhar, vejo alguns bons momentos que podíamos ter vivido, mas eu estava a viver as dificuldades do Benfica. Há uma mágoa que tenho... O meu filho, em termos empresariais, cresceu sozinho, não estive ao lado dele. Foi mau. Devia ter estado mais perto dele e também da minha filha, mas, felizmente eles são sensacionais e compreenderam perfeitamente.
R – O Benfica roubou-lhe tempo à Sara, ao Tiago e à D. Vanda, a sua mulher?
LFV – Roubou (voz embargada). Sem dúvida que roubou!