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Fernando Tavares fala num possível "conflito de interesses" com a presença de Lourenço Pereira Coelho na FPF

Lourenço Pereira Coelho ao lado de Pedro Proença
• Foto: DR

Fernando Tavares abordou um possível conflito de interesses com a ida de Lourenço Pereira Coelho para a Federação Portuguesa de Futebol. Através de uma longa publicação na sua conta oficial no LinkedIn, o antigo vice-presidente do Benfica para as modalidades falou do facto de o ex-adminsitrador dos encarnados - com quem coincidiu no clube da Luz - ter assumido um cargo na FPF depois de ter sido delegado das águias no processo eleitoral que elegeu Pedro Proença como presidente do organismo, mencionando três fatores que, como diz, alimentam a "a perceção pública de falta de transparência".

Eis a publicação completa:

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"Recentemente, Lourenço Coelho, antigo administrador da SL Benfica Futebol SAD, passou a ter responsabilidades nas seleções da Federação Portuguesa de Futebol. Ao mesmo tempo, foi delegado do Benfica no processo eleitoral que ele Pedro Proença foi eleito presidente da FPF.

Porque é que isto levanta dúvidas de transparência e a percepção de conflito de interesses? Antes de mais referir que tenho admiração pessoal e profissional por Lourenço Coelho. Não está em causa de todo a pessoa.

Mesmo que não exista qualquer irregularidade formal, há três fatores que alimentam a perceção pública de falta de transparência:

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1. Proximidade política nas eleições federativas.

Quando alguém participa no apoio eleitoral a um candidato e depois integra a estrutura federativa, pode surgir a ideia de recompensa política.

2. Ligação recente a um grande clube. A passagem direta de um cargo de topo num clube para uma função na federação pode levantar dúvidas sobre neutralidade, especialmente num país onde os clubes grandes têm grande peso institucional.

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3. Gestão das seleções como área sensível. A área das seleções envolve decisões estratégicas (treinadores, estruturas técnicas, formação, scouting), o que exige forte perceção de independência.

O outro lado do argumento ou o contra-argumento que deve ser considerado:

1. Dirigentes com experiência em grandes clubes conhecem bem o funcionamento do futebol profissional.

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2. Podem trazer competência organizacional e rede de contactos úteis para a federação.

3. A própria estrutura da FPF inclui historicamente dirigentes vindos de clubes.

Qual é o verdadeiro problema? Percepção pública.

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No futebol moderno, a questão central não é apenas ser transparente, mas parecer transparente. Quando as transições entre clubes e federação acontecem muito rapidamente, a confiança pública pode diminuir, mesmo que os processos sejam legais.

Em resumo, a nomeação de Lourenço Coelho pode ser vista de duas formas:

1. Visão crítica - reforça a ideia de proximidade política dentro da estrutura federativa.

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2. Visão institucional - aproveita experiência de gestão de alto nível no futebol português.

O impacto real dependerá sobretudo de forma como a FPF garanta os mecanismos de independência e transparência nas decisões.

O contexto português é frequentemente descrito como tendo fortes redes informais e relações pessoais relevantes. O risco é que as decisões possam ser influenciadas por relações de proximidade e que os interesses individuais ou de curto prazo se sobreponham à maximização do funcionamento das organizações."

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