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Giovanni Trapattoni: «Não podemos perder a cabeça»

Giovanni Trapattoni: «Não podemos perder a cabeça»
• Foto: Paulo Calado

Trapattoni fala do Benfica como equipa com potencial, conjunto "forte", "jovem" e com "grande qualidade técnica". Nas palavras do italiano, contudo, são várias as referências que apontam para uma necessidade de crescimento, ao nível de "experiência", de "consistência", ideia mais uma vez notória, ontem, na conferência de imprensa de antevisão do embate com o Anderlecth. Por alguma razão, de resto, a "Velha Raposa" lembrou o desfecho da eliminatória do ano passado, com a Lazio da Roma e fez o aviso: "É importante não perder a cabeça."

Os encarnados jogam em casa, a pressão de um estádio cheio aumenta o desejo de uma vitória e de um resultado que permita encarar a segunda mão com maior tranquilidade mas, mesmo assim, Trapattoni refreia entusiasmos e fala na necessidade de tranquilidade. "Nós queremos ganhar mas, mesmo que isso não aconteça, se não vencermos o primeiro jogo, não podemos perder a cabeça. São 180 minutos, dois jogos, ao longo dos quais não se pode perder o equilíbrio. No ano passado o Benfica jogou bem e sabemos o que aconteceu", afirmou.

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O ex-seleccionador italiano não entra em euforias, prefere cautela, e elogia as qualidades do adversário belga, sem se lembrar sequer do desaire (0-2) de sexta-feira frente ao Mouscron. "O Anderlecht é uma equipa famosa como o Benfica, com vários jogadores com experiência internacional. O futebol belga é sempre elevado tacticamente e tem um nível internacional forte. A equipa tem jogadores rápidos, como Aruna, Mpenza e outros com experiência como Baseggio e Zetterberg", analisou.

Ou seja, o Benfica tem de estar "atento aos contra-ataques"... Por alguma razão a "Raposa" preferiu lançar dois médios-defensivos (Paulo Almeida e Petit) em vez de colocar Bruno Aguiar no onze.

Como uma casa

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Trap assume que a equipa do Benfica tem qualidade, mas volta a referir que é sempre possível melhorar. "Podemos fazer crescer a experiência. O grupo dá garantias, é forte. Tecnicamente temos grande qualidade mas... uma equipa faz-se como uma casa, vê-se o que falta e vai-se à procura, trocando-se um ou dois jogadores por ano." Primeiro veio a tese, logo depois o exemplo. "Na Juventus, em dez anos, tive apenas três equipas, a última com jogadores como Platini, ou seja, de grande nível."

60 minutos a todo o gás

Na véspera do primeiro compromisso oficial de "uma época muito importante", Trapattoni assume que o plantel ainda não está ao melhor nível. Defende, contudo, que se verificaram boas evoluções desde o último teste, em Braga, onde o Benfica não foi além de um empate.

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"Até esse dia houve vários jogadores obrigados a vários jogos consecutivos. Sabia que estava a correr alguns riscos e tenho a perfeita noção que só se estivessem em campo apenas 60 minutos é que jogariam a todo o gás. Mas, nesta altura já estão mais disponíveis e, por outro lado, os jogadores também já começaram a entender melhor o que pretendo deles, quais as movimentações que quero. Nesta altura, estamos mais equilibrados. A equipa ainda não tinha consistência para 90 minutos, mas continuámos a trabalhar e, também, com a ajuda dos jogadores que vieram das selecções, já um pouco tarde, estamos melhor e preparados para 90 minutos", garantiu, dando depois uma ideia do trabalho realizado na derradeira sessão de trabalho: "Ainda no treino de hoje [ontem] relembrámos algumas das situações que se passaram, o porquê de alguns movimentos, da necessidade de pressionar, ou não, em determinadas alturas."

Guardiões com qualidade

Numa conferência de imprensa em que anunciou o onze inicial, Trapattoni justificou algumas das escolhas e acabou por dizer que o Benfica tem "três guarda-redes de grande qualidade". Com Moreira na Selecção Olímpica, a opção recai, para já, em Yannick, que se coloca à frente do número dois da equipa nacional presente no Euro'2004.

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Já no final do encontro com a imprensa, "Trap" foi abordado por um jornalista italiano que, na sua língua, pretendia apurar a forma como o está a viver a experiência em Portugal. O treinador levantou-se e, direccionado para a porta de saída, respondeu a custo. "O futuro reserva sempre oportunidades bonitas para aprender. Em relação à Alemanha, Portugal é bastante diferente, é um país latino, com um futebol e uma forma de comunicar mais parecida com a dos italianos", atirou. Recorde-se que Trapattoni tem recusado dar entrevistas a todos os italianos que o têm abordado.

«Queremos ganhar um dos quatro objectivos»

Trapattoni lembra que o Benfica, como qualquer clube "grande", está envolvido em quatro frentes (Liga dos Campeões, Campeonato, Taça de Portugal e Supertaça) mas refreia entusiasmos, defendendo o óbvio, ou seja, que será muito complicado conquistar tudo. "Provavelmente é impossível alcançar todos os objectivos, mas temos de conseguir ganhar um destes quatro."

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«Desculpa por treinar à porta fechada»

Trapattoni orientou as últimas sessões sempre à porta fechada e, por isso, pediu compreensão aos jornalistas. “Peço desculpa mas não é por má educação e não tem nada a ver com vocês. Há coisas que temos que falar e esclarecer, acho que não vos interessam muito e, por outro lado, também não nos convém que sejam publicadas.” O italiano esconde os treinos mas, ontem, já anunciou a equipa que joga de início...

«Não sei o que sucedeu com Del Neri»

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O técnico do Benfica, apesar de compatriota, não se alongou acerca do despedimento de Del Neri por parte do FC Porto. “Não é que me entristeça, é um amigo e colega, mas o meu adversário na Supertaça era o FC Porto, não era Del Neri. Não sei o que aconteceu e nem me diz respeito. Gosto de falar do que conheço, de mim e dos meus jogadores. A última vez que falei com ele ainda foi antes do Euro’2004...”

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