Gomes da Silva deixa recado a Vieira: «Saber sair é uma virtude»

Foto: Paulo Calado

1/2

Antigo 'vice' dos encarnados fala em "desespero", "falta de respeito", "arrogância", "irrealismo" e "prepotência"

Rui Gomes da Silva, antigo vice-presidente do Benfica, dedicou grande parte da habitual crónica que semanalmente assina no blogue 'Novo Geração Benfica' à Assembleia Geral do clube da Luz e criticou o discurso de Luís Filipe Vieira. 

"Uma Assembleia Geral que não vai 'contar' para a História!", começa por constatar o antigo dirigente dos encarnados.

PUB

"Não vale a pena - nos tempos que correm - discordar 'in loco' dos caminhos seguidos porque isso merecerá sempre a qualificação de 'traição'! Até ao dia em que aos 'traidores' ser-lhes-á reconhecida toda a razão! E a um desses resistentes, agarrado ao poder, os argumentos de um dia há muitos anos ter salvo o Benfica!", frisa.

Rui Gomes da Silva não escreve o nome de Luís Filipe Vieira mas deixa recados. "Saber sair é a maior das virtudes, em democracia (para além da obra que se deixa, o que não tem qualquer ligação direta com o regime em que se vive). Talvez até maior - veja-se, no caso do Benfica, o exemplo de Manuel Vilarinho - pelo respeito que merece quem, sendo 'tudo', percebeu que continuar o poderia conduzir ao 'nada'! Sempre o disse a propósito de outras lideranças e não vejo razão para mudar de ideias só porque isso, hoje, não agrada aos 'senhores do Benfica'!!!"

PUB

E prossegue: "Frases como 'vocês não merecem o clube que têm' ou 'vocês ainda vão levar comigo muitos anos' não só nos envergonham, como envergonham quem as proferiu! Pelo desespero, pela falta de respeito, pela arrogância, pelo irrealismo, pela prepotência! Ambição por paixão, não por necessidade. Quem consegue afirmar o que afirmou, numa intervenção de improviso, dizendo, por isso, o que pensa e não o que lhe escrevem para dizer, não percebe que o problema não é a ambição - legítima - dos outros em terem um projeto alternativo ao seu!"

"O problema é o desespero que leva a confundir ambição com paixão. Não, não é ambição, mas, antes, paixão de quem sempre foi do Benfica. É paixão pelo Benfica! Com uma ideia diferente daquela que hoje existe! Mas ainda que fosse ambição será proibido ter a ambição de não querer um Benfica subserviente de estratégias, interesses e comportamentos que não se coadunam com aquilo que eu acho que deve ser o Benfica?", questiona.

"Eu sei que não tenho nenhum departamento de comunicação a trabalhar para mim denegrindo quem não concorda comigo! Nem, sequer, um 'computador' onde todos entram excepto em dias de eleições onde - até agora - não entrou ninguém! Acreditei - sinceramente - que depois da credibilização e da estabilização financeira (que é bem diferente de recuperação), viria o projeto desportivo europeu! Mas não veio nem - 'pelo andar da carruagem' - virá! Porque nada nem ninguém pode ser uma coisa e o seu contrário!"

PUB

"Mas o problema não é o de saberem o que penso e o que quero para o Benfica (que, aliás, nunca deixei de transmitir nos 7 anos e meio em que estive como vice-presidente! É um problema mais global, de cultura democrática, o de saber se o Benfica, clube da democracia durante a ditadura, está ou não transformado numa ditadura, em pleno regime democrático! Se as coisas correm mal não podemos criticar para não fragilizar o Benfica, mas se as coisas correm bem não devemos criticar porque ganhamos!", acrescenta.

"Ou seja, hoje por hoje, nenhum momento é bom para discordar ou criticar. Para sustentação do poder nem Maquiavel conseguiu ir tão longe!", conclui.

Deixe o seu comentário
PUB
PUB
PUB
PUB
Ultimas de Benfica Notícias
Notícias Mais Vistas
PUB