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O racismo voltou a ser, novamente, um dos principais temas do futebol, devido aos alegados insultos de Prestianni a Vinícius Júnior e ao abuso online sofrido por três jogadores da Premier League recentemente. "É como se tivéssemos de começar sempre tudo novamente, isto nunca acaba", desabafou Jimmy Floyd Hasselbaink ao jornal inglês 'The Guardian'.
O ex-avançado e atual adjunto da seleção do Suriname, sabe bem do que fala e recorda um episódio vivido durante a sua estadia em Espanha - foi jogador do Atlético Madrid durante uma temporada -, quando foi cuspido fora do estádio. "Faz-te sentir sem valor. Faz-te sentir como se fosses um pedaço de m.... Toda a gente seguiu em frente. Quase não se falou do assunto. As pessoas viram. O que é podes fazer quando estás sozinho?", lamentou. O eco do caso Prestianni-Vini Jr foi bem diferente, mas, ainda assim, Hasselbaink reconhece que será difícil de o provar.
“Ele [Prestianni] teve de dizer alguma coisa controversa, senão porque é que ele taparia a boca? Não ia tapá-la para dizer 'Vinícius, és um jogador magnífico, absolutamente fantástico, podes dar-me a tua camisola?'", atirou. Aliás, que a IFAB vai rever esse 'gesto' utilizado, tendo-se proposto recentemente a "desenvolver medidas" que punam "os jogadores que cubram a boca quando confrontam adversários durante os jogos".
Hasselbaink criticou ainda a forma como José Mourinho analisou a situação num primeiro momento, lembrando os festejos do português em Old Trafford e Camp Nou. "Mas do que é que ele está a falar? Que grande hipócrita. Inacreditável. Ele devia ter ido falar com o seu jogador e perguntar-lhe diretamente: 'O que é que disseste?' E depois, se ele disser que não proferiu qualquer insulto racista, dizer: ‘Ok, falei com o jogador, foi isto que ele disse. Mas se houve insultos racistas, ele tem de ser castigado.’ O Mourinho tem jogadores negros a jogar na equipa do Benfica. Como é que acham que eles se devem sentir?” finalizou.
Recorde-se que José Mourinho já se pronunciou a posteriori sobre o caso e foi taxativo quanto às consequências que o argentino pode vir a ter de enfrentar caso se prove a sua culpa. Com muitos 'ses' à mistura, e sempre com presunção de inocência, o treinador do Benfica não se poupou na resposta. "Se o jogador for efetivamente culpado não vou voltar a olhar para ele da mesma maneira e comigo acabou", afirmou em conferência de imprensa.