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Históricos contra demolição do Estádio da Luz

A eventual construção de um novo estádio para receber o Euro-2004 anunciada na terça-feira por Manuel Vilarinho, presidente do Benfica, gerou alguma divisão entre os chamados notáveis do clube encarnado. Uns, como Bagão Félix, Jaime Antunes e António-Pedro Vasconcelos, não ficam chocados com a ideia e não dissociam da opinião expressa do facto de um novo complexo permitir, no futuro, um maior equilíbrio financeiro, designadamente através da rentabilização dos espaços; outros, históricos no clube, como Fernando Martins e Beja Falcão, o arquitecto que esteve ligado à edificação do actual Estádio da Luz, mostram-se mais conservadores e não querem acreditar numa eventual demolição. "Só por cima do meu cadáver", sublinha o presidente que fechou o terceiro anel, enquanto para o arquitecto os "argumentos apresentados não são válidos."

BAGÃO FÉLIX (A favor)

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«Conciliar alma com razão»

"Não me desagrada a ideia. O Benfica tem de conciliar a alma com a razão. A catedral da Luz faz parte da nossa alma, mas temos de perceber que é preciso equilíbrio financeiro. Será certamente um complexo mais confortável, mais convidativo, com mais serviços. No fundo, mais humano. É, igualmente, importante que as condições de acesso e parqueamento sejam as ideais. O tempo urge, tendo em conta o Euro-2004. Só espero que o tempo não seja inimigo da qualidade."

JAIME ANTUNES (A favor)

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«Decisão é inteligente»

"Aprovarei desde que haja um programa claro. O Estádio da Luz está ultrapassado. É caro de manter e não é rentabilizável. Fazer agora um investimento enorme para o Euro num complexo que tem um período de vida previsível de mais 10 ou 15 anos, não seria aceitável. A decisão parece-me inteligente. A associação a espaços comerciais poderá tornar o espaço mais rentável. A localização terá de ser nas imediações da Luz, o que constitui um problema jurídico, porque Vale e Azevedo deixou os terrenos hipotecados."

ANTÓNIO-PEDRO VASCONCELOS (A favor)

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«Estádio não é sagrado»

"Se ficarmos com um estádio moderno à medida da grandeza do Benfica, na mesma área e com menos custos, a ideia não me choca. Esta questão também se deve à irresponsabilidade dos últimos dois anos, em que o clube deixou a anterior Direcção mentir sobre os números e enganar os sócios. O Estádio não é sagrado. O que é sagrado é o Benfica. Em termos de Euro-2004, seria muito importante ter a final no Estádio do Benfica."

RUI ÁGUAS (A favor)

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«Esta Direcção é credível»

"É uma questão melindrosa, porque o Estádio tem uma história muito marcante e é muito bonito. Haverá razões fortes para se pensar nisso. Passei lá vários momentos gloriosos, dos quais destaco a vitória nas meias-finais da Taça dos Campeões com Steaua de Bucareste [ndr: 2-0, com dois golos de Rui Águas], mas esta Direcção é credível e eu confio nas pessoas."

FERNANDO MARTINS (Contra)

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«Só por cima do meu cadáver»

"Isso é uma brincadeira. Oponho-me. Os argumentos terão de ser discutidos em AG e, nessa altura, eu estarei lá. Se querem um novo estádio com 40 mil lugares, onde vai colocar os sócios todos? É preciso não esquecer que o estádio já teve capacidade para 60 mil e teve de ser aumentado. Não aceito. Só se passarem por cima do meu cadáver. Enquanto eu cá estiver, o Estádio da Luz não é demolido."

BEJA FALCÃO (Contra)

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«A ideia não me entra na cabeça»

"Faz-me impressão. Os argumentos apresentados não são válidos. Nem há grandes comentários a fazer. Fui sócio e se ainda tivesse esse estatuto, não aprovaria a decisão. Como arquitecto, é uma ideia que não me entra na cabeça. Além disso, há uma enorme quantidade de serviços lá dentro, ginásios, etc. Por outro lado, em Espanha não foi preciso, em certos casos, construir novos estádios para os Jogos Olímpicos. Bastaram remodelações."

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