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O racismo já se manifestou por diversas vezes nos relvados, sendo que o caso mais conhecido em provas organizadas pela UEFA ocorreu em março de 2021 durante um jogo entre o Rangers e o Slavia Praga a contar para a Liga Europa. O defesa-central dos checos Ondrej Kudela foi acusado de ter proferido insultos racistas ao médio Glen Kamara, que revelou ter sido chamado de "macaco do car..." pelo adversário, que tapou a boca ao dizer essas palavras ao ouvido do internacional finlandês nascido na Serra Leoa.
Kudela e o Slavia Praga negaram a acusação, mas 26 dias depois do jogo referente à 2.ª mão dos oitavos-de-final da Liga Europa a UEFA decidiu punir o jogador dos checos com 10 jogos de suspensão por "comportamento racista". O jogador e o clube recorreram, mas o comité de recursos da UEFA indeferiu esse pedido em maio. Kudela levou então o caso ao Tribunal Arbitral do Desporto, mas esse recurso acabou por ser retirado um ano depois. Numa declaração divulgada na altura através do site do Slavia, o jogador pediu desculpas. "Houve emoções durante o jogo e, infelizmente, não posso voltar atrás agora. Sinto muito", afirmou na altura.
De referir que o próprio Kamara, quando abordou o assunto em março de 2021, garantiu que o colega de equipa Bongai Zungu entendeu a ofensa que havia sido pronunciada. "As ações de Kudela foram premeditadas, mas ele falou alto o suficiente para o meu colega de equipa Bongai Zungu ouvir o que ele disse", contou então o jogador do Rangers. De resto, segundo o 'Guardian', a confirmação por parte de Zungu de que ouvira, efetivamente, as tais acusações racistas acabou por servir de suporte para a decisão final da UEFA em castigar Kudela. Na Luz, recorde-se, Mbappé - que estava perto do olho do furacão - garantiu ter ouvido Prestianni chamar "cinco vezes macaco" a Vini.
As diretrizes da UEFA são claras e estabelecem que qualquer jogador considerado culpado de abuso racista será suspenso por um mínimo de 10 jogos, além de ter que passar por programas de educação obrigatórios. O número de jogadores considerados culpados de racismo continua baixo, sendo que a maioria dos casos de discriminação investigados pela UEFA envolvem normalmente a má conduta dos adeptos.