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Rui Costa admitiu o falhanço da época desportiva do Benfica e reforçou a confiança na nova temporada. Na abertura da primeira Assembleia Geral, que se destina a discutir precisamente o percurso da temporada passada dos encarnados, o presidente das águias destacou ainda o trajeto das diversas modalidades e sublinhou que esta direção estará sempre "disponível para prestar contas, para ouvir os sócios e para responder às questões que entendam colocar."
O discurso na íntegra:
"Exmo Senhor Presidente da Assembleia Geral,
Exmo Senhor Presidente do Conselho Fiscal,
Caros colegas de Direção e demais Órgãos Sociais do Sport Lisboa e Benfica,
Caros Consócios,
Quero começar por agradecer a todos os Benfiquistas que hoje marcam presença nesta Assembleia Geral e que nos acompanham por via digital através das plataformas de comunicação do Clube.
A vossa participação é a maior demonstração da vitalidade democrática do Sport Lisboa e Benfica.
É aqui, perante os Sócios, que prestamos contas do trabalho realizado, que assumimos responsabilidades pelas decisões tomadas e que apresentamos a visão que temos para o futuro do nosso Clube.
O Benfica sempre foi construído desta forma: na exigência, no debate e na convicção de que só com a participação dos Sócios conseguimos tornar o Clube cada vez mais forte.
É precisamente com esse espírito que hoje aqui estamos para proceder ao balanço da época que agora está a findar.
Importa reconhecer aquilo que fizemos bem, assumir aquilo que não correu como desejávamos e, acima de tudo, corrigir o que tiver de ser melhorado.
Começando pelo futebol profissional, importa dizer com total frontalidade aquilo que todos sentimos.
A época ficou aquém da exigência que define o Sport Lisboa e Benfica.
A conquista da Supertaça é um título que valorizamos, mas está longe de corresponder às ambições que tínhamos para esta temporada.
O terceiro lugar no Campeonato Nacional e a ausência da Liga dos Campeões do próximo ano não correspondem aos objetivos que traçámos nem ao investimento realizado.
Não ignoramos esta realidade, nem procuramos escondê-la. Assumimos esse desfecho com sentido de responsabilidade e com a convicção de que o Benfica tem de voltar a ocupar o lugar que lhe pertence. Ser campeão nacional, o principal objetivo com que partimos em cada ano.
Ao mesmo tempo, importa analisar a época com rigor e sem simplificações.
Estávamos cientes que iríamos enfrentar um contexto particularmente exigente, marcado por um calendário condicionado pela realização do Campeonato do Mundo de Clubes, o que reduziu significativamente o tempo disponível entre o final da temporada e o arranque competitivo da nova época.
Foi também nesse enquadramento que procurámos reforçar a equipa com novos jogadores que pudessem ter um rendimento elevado imediato, algo que, quer por erros de expectativas da nossa parte, quer por questões de adaptação, acabou por não acontecer da forma como pretendíamos, culminando numa irregularidade exibicional que muito nos comprometeu em termos de classificação.
Como já afirmei publicamente, não escondemos os nossos erros em fatores arbitrais. Sou o primeiro a assumir que falhámos em vários planos. Mas também não podemos aceitar que os nossos falhanços sirvam para escamotear erros de arbitragem relevantes que condicionaram e muito o nosso percurso e tiveram um desfecho importante no desenrolar do campeonato.
Nenhuma destas circunstâncias diminui a nossa responsabilidade. Nenhuma! Mas servem, isso sim, para enquadrar uma época que ficou aquém das expectativas e da qual retiramos ensinamentos importantes.
Caros Consócios,
Aqui chegados, importa olhar para o futuro e para a próxima época.
Com o arranque dos trabalhos no Benfica Campus, na passada quinta-feira, iniciamos uma nova etapa, assente numa renovada estrutura técnica e numa visão clara para devolver o Benfica ao lugar que lhe pertence.
Estamos a preparar esta nova temporada com rigor, exigência e sentido de responsabilidade, conscientes de que os Benfiquistas esperam respostas dentro de campo e estamos determinados em corresponder a essa expectativa. É isso que todos pretendemos.
Queremos e tudo vamos fazer para conquistar o campeonato nacional e ter uma presença expressiva na Liga Europa. No fundo, devolver o Benfica ao lugar que os Sócios exigem e que a história do Clube nos impõe.
Caros Consócios,
No futebol feminino, vencemos o Campeonato Nacional e a Taça de Portugal, reafirmando de forma inequívoca a nossa hegemonia no panorama português.
Trata-se de uma trajetória de sucesso que queremos consolidar, depois da conquista do hexacampeonato, e que nos orgulha profundamente.
Mas as nossas metas não se esgotam nas fronteiras nacionais. Queremos continuar a crescer a nível internacional.
É com esse objetivo que partimos para a nova época, com a mesmo compromisso, a mesma cultura de excelência e o espírito vencedor que definem o Sport Lisboa e Benfica.
Caros Consócios,
O Sport Lisboa e Benfica está longe de esgotar-se no futebol, tal como comprova a forma vibrante e apaixonada como todos vivemos os jogos aqui nestes pavilhões.
O Benfica é um Clube eclético por vocação, por tradição e por convicção. É essa identidade que faz de nós uma referência nacional e internacional e que nos obriga, todos os anos, a competir para vencer em todas as modalidades. Sublinho, em todas as modalidades!
Fomos gloriosos no feminino, mas menos do que queríamos no masculino.
A época que agora termina permitiu-nos conquistar, até ao momento, 17 títulos entre competições nacionais e internacionais, menos um título do que na temporada anterior.
Nesta tarde, podemos acrescentar ainda mais um campeonato ao nosso palmarés com uma vitória da nossa equipa feminina de hóquei em patins.
E amanhã, como todos desejamos, garantir aqui na Luz, com o apoio dos nossos adeptos, o bicampeonato de futsal.
Se globalmente o palmarés desta época merece ser valorizado, também aqui a nossa aspiração obriga-nos a dizer que queremos mais.
Refiro-me, em particular, às modalidades masculinas de pavilhão, onde todos estamos de acordo: o Benfica tem de ser mais vitorioso, porque temos criado as condições para isso
É esse o nosso desígnio e continuará a ser o nosso compromisso, quer a nível de investimento quer em termos de empenho de todas as estruturas do Clube.
Há, ainda assim, neste contexto, conquistas que merecem um destaque especial e devem ser relevadas.
Saúdo a conquista do 25.º Campeonato Nacional de hóquei em patins, o triplete conquistado no andebol feminino e o tricampeonato nacional no basquetebol feminino, títulos que expressam a ambição do nosso projeto desportivo e a capacidade competitiva dos nossos atletas.
Parabéns, igualmente, à equipa de futsal feminino que recuperou o título, numa trajetória que tem sido enormemente vitoriosa.
A todas as equipas que conquistaram títulos nacionais nesta época, deixo, em nome da Direção, uma palavra de profundo reconhecimento.
Representaram o Benfica com talento, dedicação e enorme sentido de responsabilidade. Merecem, por isso, a nossa gratidão.
Caros Consócios,
No Benfica, nunca nos conformamos com aquilo que alcançamos. Essa é a essência do Clube que amamos.
Estamos, por isso, a implementar um conjunto de mudanças organizacionais nas modalidades de pavilhão, reforçando estruturas, metodologias e processos, para que o Benfica seja cada vez mais consistente, mais competitivo e mais vencedor.
Melhorias estruturais, mas também ao nível da mentalidade competitiva, que nos permitam conquistar títulos de forma cada vez mais vincada.
Caras e caros sócios,
Nas restantes competições disputadas fora dos pavilhões, há igualmente margem para melhorar mas também motivos de enorme orgulho.
Quero aqui, nesta Assembleia Geral, ressaltar o regresso do Benfica ao título nacional de râguebi, 25 anos depois, numa das modalidades mais históricas que temos, e que é centenária. Até por isso, trata-se de um feito de enorme significado para todos os Benfiquistas.
Para além do râguebi, destaco igualmente o heptacampeonato nacional da nossa equipa feminina de polo aquático, os excelentes resultados alcançados pela natação e a conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus de estafetas mistas em corta-mato, que voltou a levar o nome do Benfica ao mais alto patamar europeu.
Permitam-me, por fim, uma palavra para o nosso Projeto Olímpico e, em particular, para Fernando Pimenta.
O seu benfiquismo, a sua dedicação, a sua excelência competitiva representam da melhor forma os valores do Sport Lisboa e Benfica.
O recente título de campeão da Europa é mais uma prova da sua dimensão enquanto atleta e embaixador do nosso Clube e de Portugal. Em seu nome, saúdo todos os atletas que diariamente elevam o símbolo do Benfica nas maiores competições nacionais e internacionais.
Caras e Caros Sócios,
Somos e seremos sempre uma Direção disponível para prestar contas, para ouvir os Sócios e para responder às questões que entendam colocar.
Iremos fazê-lo sempre com transparência e respeito, mas também com a responsabilidade que uma gestão desportiva de um clube da dimensão do Benfica impõe.
Termino renovando a confiança de que o futuro será construído com o contributo de todos, ficando agora à vossa disposição para todos os esclarecimentos que considerem necessários.
Viva o Sport Lisboa e Benfica"
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