Rui Pereira revelou alguns detalhes acerca dos motivos que o levaram a deixar o cargo de presidente da Mesa da Assembleia Geral do Benfica em junho. O ex-dirigente voltou a frisar a discordância existente com presidente e outros elementos dos órgãos sociais relativamente à convocação de uma AG Extraordinária, ao mesmo tempo que garantiu não saber que Luís Filipe Vieira corria o risco de ser detido.
"Só consigo entender como graça pensar-se que eu sabia antes o que ia acontecer em termos judiciais a Luís Filipe Vieira a propósito da minha demissão. Não fazia a menor ideia... Demiti-me por uma razão muito simples, nunca quis entrar em explicações mais pormenorizadas do que as que constam num comunicado. Os sócios, numa primeira fase, pediram um conjunto de procedimentos que, na prática, constituem uma sindicância ao clube. E eu entendi que determinar essa sindicância não é competência da Mesa da Assembleia Geral ou do seu presidente. E continuo a entender assim. E entendi e continuo a entender que é uma competência ou da própria Assembleia Geral, ou da direção ou até do Conselho Fiscal. Por isso disse que não. Numa segunda fase, os sócios pediram a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária. E eu disse que não porque os estatutos do Benfica preveem que o presidente da Assembleia Geral possa convocar uma AG Extraordinária a pedido da direção, do CF ou de sócios que representem pelo menos 10 mil votos. Isso não aconteceu, por isso não a convoquei. Num terceiro momento, os sócios apresentaram 10 mil assinaturas, suficientes para a convocação de uma AG Extraordinária, e entendi que a mesma devia ser convocada. Em conjunto com os sócios que apresentaram essa pretensão, cheguei à conclusão de que a AG, para não prejudicar o Benfica, só deveria ser convocada no fim das competições. Isso foi anunciado", começou por dizer Rui Pereira na CMTV, prosseguindo com a explicação.
"Depois disso, houve uma reunião dos corpos sociais, em que o tom geral foi de discordância, com alguns argumentos que juridicamente considero absurdos, como que se trataria de uma situação de abuso de direito ou que, por exemplo, não havia razões cabais para convocar a AG. Ainda ouvi a ideia de pedir um parecer jurisconsultos, coisa que nunca faria pois sei exercer as minhas competências. Agora, para os ingénuos, é preciso dizer que um presidente da Assembleia Geral do Benfica não pode convocar uma reunião sem o apoio logístico do Benfica e sem o apoio da direção. Só por absurdo isso talvez suceda no Império Central Africano, não em Portugal. O que disse nessa reunião foi que considero que para ser presidente da MAG tenho de poder cumprir os estatutos, a minha palavra, respeitar o interesse do Benfica e ter a solidariedade dos corpos sociais. Quando cheguei à conclusão de que isso não estava a acontecer, pedi a demissão. E voltaria a pedir 100 vezes. Não preciso de pretextos desta natureza, é preciso conhecer-me para saber por que motivo agi assim", finalizou.
Por Record