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Pedro Faria, treinador dos juvenis do Benfica considerou esta 3.ª feira que os lançamentos de Daniel Banjaqui e Anísio Cabral na equipa principal encarnada constituem um "salto significativo" nas carreiras, a partir da geração "mais talentosa" com que trabalhou.
Daniel Banjaqui, lateral direito de 17 anos, estreou-se a titular na Liga Betclic no triunfo sobre o Estrela da Amadora (4-0), no domingo, quando cumpriu os 90 minutos e realizou o cruzamento para o último golo, selado com um cabeceamento de Anísio Cabral, avançado de 17 anos, na primeira vez que tocou na bola, após entrar aos 83 para a estreia absoluta na primeira equipa das águias.
"Acaba por ser um salto significativo na carreira deles e naquilo que é o primeiro 'teste de fogo'. Estamos todos muito orgulhosos. Tenho um carinho especial por aquilo que está a acontecer. O Anísio até em benjamim esteve comigo. Vejo o crescimento deles de forma muito orgulhosa. Acaba por ser um misto de emoções grande", disse Pedro Faria, em declarações à agência Lusa.
Ligado ao Benfica desde 2006, o técnico acompanhou os dois campeões europeus e mundiais sub-17 por Portugal na equipa sub-15 do Benfica, campeã nacional na época 2022/23, e no conjunto de sub-17, que conquistou o título nacional em 2024/25, tendo considerado que o emblema lisboeta está "bem orientado" para lançar, "a pouco e pouco", mais elementos de uma "geração muito talentosa".
Convencido de que o defesa e o avançado estão à altura do "nível de exigência" do futebol profissional, no qual podem evoluir quer na equipa principal, quer na equipa B, pela qual Banjaqui já realizou oito jogos na presente edição da II Liga, Pedro Faria recorda que a evolução de cada um dos jogadores foi diferente.
Enquanto Daniel Banjaqui, que viveu a estreia absoluta no triunfo sobre o Farense (2-0), para a Taça de Portugal, em 17 de dezembro de 2025, apresentou um "desenvolvimento mais regular", Anísio Cabral teve uma fase nos sub-15 em que "não maturou tão rapidamente" e em que foi preciso "gestão de expectativas", antes de mostrar o seu potencial como sub-17, quer no Benfica, quer na seleção nacional, tendo sido o segundo melhor marcador do Mundial de 2025, com sete golos.
Pedro Faria realça que o ponta de lança é "muito completo" e "muito rápido", exibindo "capacidade de proteger a bola", de jogar "em apoio e em rotura", de "drible, finta e simulação" e precisando de evoluir o remate em potência, o passe longo e a condução de bola com o pé direito.
Daniel Banjaqui, por seu turno, é um jogador "muito rápido", com "níveis muito elevados na capacidade de força", que se revelam nos duelos defensivos, no desarme, na antecipação e no próprio cabeceamento ofensivo, precisando de evoluir "na componente estratégica" e na concentração, sobretudo na transição defensiva, considera o treinador.
A nível ofensivo, o lateral destaca-se pelo cruzamento, especialmente com o pé dominante, pela capacidade de condução de bola e pelo drible, apesar de "não ser muito vistoso e elaborado", acrescenta.
Pedro Faria crê ainda que a equipa técnica liderada por José Mourinho, à semelhança das antecessoras, está disponível para "abrir as portas" aos jovens, num processo normalmente "demorado", "feito a pouco e pouco", em que cabe aos treinadores da formação ajudar os jogadores a estarem o "mais preparados possível" para as oportunidades.
O técnico compara ainda a geração de Daniel Banjaqui e de Anísio Cabral, nascida em 2008, à geração de 1999 formada nos encarnados, da qual emergiram Florentino, Jota ou João Félix.
"Se formos a olhar aos títulos, diria que a geração de 1999, do João Filipe, do João Félix, do Florentino, de miúdos que acabaram por ter sucesso a nível europeu, fica marcada. Esta diz-me um pouco mais de respeito, porque acompanhei de perto o desenvolvimento deles. (...) Tendo em conta a proximidade que tive, acaba por ser a geração mais talentosa que teve contacto comigo", reitera.
Por Lusa