DIVERSAS personalidades do meio futebolístico nacional, bem como muitos cidadãos anónimos, rumaram segunda-feira à Igreja de Benfica para prestar homenagem a José Águas.
Uma forma singela, mas sentida, de agradecer o contributo decisivo do ”cabeça de ouro” para os feitos alcançados pelo Benfica e selecção nacional na década de 60.
O carro funerário transportando a urna chegou às 16 horas, com a viúva, D. Helena, e os filhos, Lena, Cristina e Rui Águas, a acompanharem o antigo avançado-centro dos encarnados na sua penúltima viagem. À sua espera já estava José Torres.
O ”bom gigante” foi o primeiro a chegar à Igreja, tendo bem patente no rosto a tristeza que lhe ia na alma. Sentado, à espera, Torres recordava em silêncio as alegrias partilhadas com José Águas. As lágrimas, essas, eram contidas a custo.
Enquanto a urna entrava para uma das capelas mortuárias da Igreja, Rui Águas foi recebendo os pêsames dos presentes. Depois começaram a surgir personagens ligadas ao mundo do futebol. E não apenas do Benfica, como provam as presenças de Hilário e Morato, ambos ex-jogadores do Sporting.
À medida que os ponteiros do relógio avançavam, as coroas de flores não paravam de chegar. Tal como os amigos do bicampeão europeu. António Simões, Fernando Tordo, cantor, Fernando Martins, antigo presidente do clube, Peres Bandeira, olheiro do Benfica, e Toni deslocaram-se à Igreja. Bem como a quase totalidade dos membros dos órgãos sociais do Benfica.
Rui Águas recebeu ainda os pêsames de Dito, actual treinador do Felgueiras e antigo colega do ex-ponta-de-lança na Luz e nas Antas. O Sindicato de Jogadores fez-se, igualmente, representar. Cunha Leal, Luís Tadeu e José Morais, treinador da equipa B dos encarnados, também não deixaram de dar os sentimentos à família enlutada.
Ao anoitecer, o movimento de pessoas aumentou pois já tinha ficado para trás mais um dia de trabalho. Shéu Han, António Veloso e José Augusto lá estiveram, tal como Alberto Silveira, João Santos, Manuel Botto, José Maria Salvado, Pedro Henriques e Arnaldo Cunha.
Destaque para o facto de os pais de Rui Costa terem regressado, propositadamente, de Itália para estarem presentes.
Algo que foi impossível a Eusébio. O ”pantera negra” esteve, segunda-feira, em Roma na Gala da FIFA, para a qual foi convidado por ser um grande senhor do futebol português. Tal como José Águas. Indiscutivelmente.
Terça-feira, a missa de corpo presente começa às 09.45 horas, com o funeral a sair às 10.30 horas para o cemitério de Benfica.
Jorge Sampaio apresenta condolências
Jorge Sampaio enviou, na manhã de segunda-feira, um faxe de condolências à família de José Águas. O Presidente da República não poderá, contudo, estar presente no funeral, devido a compromissos inadiáveis.
Recorde-se que Jorge Sampaio já se tinha associado à homenagem de que foi alvo a antiga glória do Benfica, realizada no passado mês de Outubro.
Federação destaca o profissional exemplar
A Federação Portuguesa de Futebol emitiu segunda-feira um comunicado em que destaca o exemplar profissionalismo de José Águas, considerando-o uma referência do desporto nacional.
"A FPF apresenta à família e ao SL Benfica as mais sinceras condolências pela morte desse grande jogador que foi José Águas. Exemplo de profissional, brilhante jogador, foi o símbolo para toda uma geração de grandes futebolistas. Até sempre José Águas", refere o documento.
Idêntica posição tomou o Sindicato de Jogadores, que segunda-feira se fez representar por António Carraça e Franque.
Áustria de Viena envia pêsames
O Áustria de Viena, clube onde alinhou José Águas depois de abandonar o Benfica, enviou uma mensagem de condolências à família da antiga glória dos encarnados.
Em declarações ao site "MaisFutebol", os ex-companheiros de equipa Hans Buzek e Valdemar Graciano (conhecido por Jacaré) tiveram oportunidade de manifestar o respectivo pesar.