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Carlos Carvalhal e a chegada ao Famalicão: «Disse ao meu pai que vinha treinar o clube da terra dele»

Carlos Carvalhal e Miguel Ribeiro
• Foto: Hugo Monteiro/Movephoto

Carlos Carvalhal está de volta ao ativo e vai liderar o Famalicão em 2026/27. O técnico foi apresentado esta segunda-feira, numa conferência de imprensa em que teve a companhia de Miguel Ribeiro, presidente da SAD dos minhotos, e onde teve a oportunidade de partilhar as razões que o levaram a aceitar o convite.

"É um prazer grande treinar o Famalicão. Há várias razões pelas quais digo isto. A primeira, já conheço o presidente há muitos anos, já conversámos várias vezes, já almoçámos entre amigos, dou os parabéns pelas instalações de excelência que o clube tem neste momento. Conheço o André [Vilas Boas],  trabalhámos juntos no Rio Ave e ficámos amigos, é uma pessoa de elevada competência. As aquisições nunca falham. E no fundo toda a estrutura de todo o clube. Segundo motivo, sem dúvida é um clube que tem paixão, que tem adeptos que vibram que gostam do clube. O João Mário, meu adjunto, foi jogador cá e disse que as pessoas gostam muito do clube. É importante para nós. Se fizermos um historial, tudo o que foi feito e bem feito tem a ver com a alma do clube. Não temos receio de nos ligarmos aos adeptos de forma a que estejam do nosso lado. Terceiro ponto importante, também pelo facto de ter uma equipa de jovens com elevado potencial. Têm vontade de jogar, de vencer, de evoluir. Temo-nos sentido confortáveis a fazer evoluir os jogadores e as equipas e vamos conseguir aqui. Por último, o meu pai tem demência, infelizmente, e é de Famalicão, metade do meu sangue é de Famalicão. Nasceu em Brufe, ainda agora temos aqui família, primos do meu pai. Passei muito tempo na altura da minha infância aqui em Famalicão a visitar tios do meu pai e também os primos e fiquei muito satisfeito quando pude dizer ao meu pai que vinha para aqui. ‘Vais para Famalicão?’. Ficou todo contente, é muito importante no meu íntimo, é algo que vou transportar toda a época. Tem perceção do que se vai dizendo e gostava muito de dar-lhe uma alegria grande e vou fazer tudo o que está ao meu alcance para o deixar ainda mais contente no final da época", começou por partilhar o técnico.

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Nas últimas semanas, o nome de Carlos Carvalhal foi apontado com insistência ao Almería. Essa opção não se concretizou e o destino final acabou por ser Famalicão. Em boa hora, garantiu o treinador. "Chegámos a ter conversa em família sobre a primeira opção, disse que gostava de treinar o Famalicão. Tinha treinador, não cogitei possibilidade de vir cá, o Hugo estava a fazer um excelente trabalho. Seria o clube que na minha cabeça que gostaria de treinar por tudo, pelo projeto, por conhecer o presidente, o André, pela situação do meu pai, pela capacidade dos jogadores e pela proximidade de casa. Poderia ter ido para outras situações como Médio Oriente, Brasil, México, financeiramente propostas quase irrecusáveis, fomos dizendo que não porque tínhamos em casa a vontade de estar perto da família. Queria estar perto da família, do meu pai, do meu sogro. Tenho um neto de três anos que agora é do Fama, tenho outro de um mês e meio. Esta nossa vida é complicada porque muitas vezes para perseguirmos carreira deixamos muito para trás. O preço é muito alto. Parte significativa da educação do meu filho e da minha filha ficou a cargo da minha mulher. Isto custa. Eu não queria nem quero passar pela mesma coisa com os meus netos. Quero viver com os meus netos o que não vivi com os meus filhos. Nesse sentido, a proximidade é também muito importante", referiu.

Por Pedro Morais
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