Depois da derrota do Famalicão no Estádio da Luz, frente ao Benfica (1-0), Hugo Oliveira, treinador dos famalicenses, foi até à sala de imprensa para analisar a partida e, pelo meio, aproveitou para fazer algumas observações relativamente ao lance do penálti que deu a vitória às águias.
"O jogo foi equilibrado, competitivo e tático. Não foi muito bem jogado, do ponto de vista da emoção dos jogos que os adeptos merecem. Tinha de ter um bocadinho mais de talento, de golpe de asa. E nesse sentido, poderia ter terminado no equilíbrio do resultado. Acabou por ser decidido num detalhe que acabou por pender para o lado do adversário. Quando saltamos, controlamos o que está à nossa frente, temos de abrir os braços. Quem foi contra quem? É a pergunta que deixo no ar. Está cada vez mais difícil ser árbitro de futebol em Portugal. Não desejo a ninguém ser árbitro de futebol em Portugal. É extremamente difícil. Primeiro, por todas as decisões a tomar em campo. Há sempre alguém que não está satisfeito. Depois, porque há sempre alguém que vem de cima com imagens televisiva do pára, arranca, anda para a frente, anda para trás, o frame. O movimento humano não é um movimento frame a frame, quem entende a perceção da televisão, do movimento, da imagem, sabe que no frame as imagens enganam. O movimento não é tão natural. Era uma daquelas situações em que tenho saudades de quando o árbitro tomava uma decisão. A opinião alheia chegou como sendo tecnologia, mas o que chegou foi opinião. E quanto mais opiniões tivermos, mais dificuldade temos em ser unânimes. Há momentos do jogo em que os meus jogadores, eu, outros treinadores, outros jogadores, já não sabemos se é penálti. E isso é extremamente complicado. Agora imagino as pessoas em casa. Nem é o caso da situação de hoje, que acho que é natural do jogo. Temos de nos preocupar todos. Gosto demasiado do futebol para não estar preocupado com o clima que vivemos. Quase todos viemos para esta área pela paixão, porque tínhamos o sonho de jogar. E não é isto que temos de viver. Todos temos direito à opinião. O árbitro teve a opinião que não era falta. Alguém teve a opinião que era. E o árbitro depois viu e achou que mudava de opinião. E esta é a realidade", referiu.
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