_
“Se queres um FC Porto forte em Portugal e na Europa, vota na Lista B, Jorge Nuno Pinto da Costa.” Com este “slogan” foi eleito o 31.º presidente da história do FC Porto, no dia 23 de Abril de 1982, precisamente há... 23 anos. Ainda não é o presidente há mais tempo em funções no futebol português – Pimenta Machado somou 24 anos e seis meses à frente do Vitória de Guimarães – mas lá chegará, pois tem mais dois anos de mandato para cumprir. O nono mandato, no qual entrou campeão da Europa e com o clube a afirmar-se como planetário.
“Um antigo jogador nosso dizia há algum tempo que começou nos juniores e fez toda a sua carreira no FC Porto, já deixou de jogar e eu continuo como presidente. A questão é essa. Eu sou presidente há quase 23 anos e há milhares de pessoas que hoje têm 30 anos e que sempre viram o FC Porto comigo como presidente. Faz-lhes um bocado de espécie como é que isto se vai alterar”, disse o próprio protagonista numa das suas últimas entrevistas, em Novembro do ano passado, ao jornal “Público”.
É difícil imaginar o FC Porto sem Pinto da Costa. No ano em que completará, no final de Dezembro, 68 anos, o líder e criador da marca e, sobretudo, do símbolo “dragões” vive a ressaca de dois anos de estrondoso sucesso desportivo, com dois campeonatos, uma Taça UEFA e uma Taça dos Campeões a apagarem por completo um hiato de três anos no que toca ao título nacional.
A vida de Pinto da Costa gira à volta de um tema: o FC Porto. Não será por acaso que lhe chamam “Papa”. Para ele, ser presidente do FC Porto é muito mais que um cargo, é sobretudo um desígnio. “Tanto quanto conheço do meu presidente, não estou a vê-lo a não querer ser campeão da Europa, mesmo tendo a noção de que não podemos competir economicamente com as grandes potências europeias” – a frase é de António Oliveira, hoje o maior accionista individual da SAD portista para o futebol – e foi dita no final de 1997. Oliveira sabia de quem estava a falar...
“É Pinto mas não tem asas/não voa, mas deu o salto/desde que chegou às Antas/o Porto voou mais alto” foi uma das quadras que uma das comissões para a sua recandidatura, que arranca sempre com algumas dificuldades, dedicou ao presidente que conseguiu também, nestes 23 anos de percurso, arquivar o epíteto “Andrades” – normalmente usado com sentido pejorativo – e que encontrou um símbolo mitológico para contrapor ao rei da selva e à rainha dos ares.
A história vai apenas confirmar que houve um FC Porto antes e um FC Porto depois de Jorge Nuno Pinto da Costa, o sócio 1.881 do maior clube português do final do séc. XX.
A profecia de Valentim Loureiro
Desde o dia em que Pinto da Costa foi pela primeira vez eleito (sem oposição, pois Pinto Magalhães desistiu) presidente do FC Porto, o País conheceu sete primeiros-ministros: Balsemão, Mário Soares, Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes e José Sócrates. Portugal mudou mas o FC Porto mudou muito mais. E Valentim Loureiro sabia o que dizia quando abriu a sessão solene da tomada de posse de PC: “O Porto e o Boavista têm de galvanizar todo o Norte para se constituírem como a grande força.”