Costinha cumprirá logo, no Estádio das Antas, um jogo histórico ao defrontar pela primeira vez na SuperLiga o Nacional, clube de onde se projectou para a ribalta do futebol.
Seguindo caminhos diferentes quando, no final da época 96/97, Costinha se transferiu para o Monaco (I Liga francesa), jogador e clube cumpriram carreiras de sucesso, como também fica provado pelo facto de se cruzarem logo. Será um reencontro carregado de significado.
O percurso de Costinha no futebol foi marcado pelo triunfo da convicção sobre penosas dúvidas. Quando, no final da época 95/96 chegou à Madeira, vindo do Oriental, clube onde se iniciou, teve um começo difícil. Vinha de uma grave lesão e desconfiava-se se poderia de facto corresponder como reforço do plantel. A sua afirmação foi de tal modo que no final da época chamou a atenção de Valdano, então técnico do Valência (Espanha). Havia apenas um problema: Valdano queria que Costinha cumprisse um ano de rodagem noutro clube. O jogador recusou, e só por muita insistência do seu representante, o empresário FIFA português, Jorge Mendes, aceitou fazer uma semana de experiência no Monaco. "Quando disse ao presidente do Monaco em que Divisão jogava o Costinha ele riu-se", é um episódio que Jorge Mendes gosta de recordar.
Costinha deu ao presidente monegasco mais razões para rir: de felicidade pela importância que teve no título conquistado em 99/00, e de ironia, quando no final da época seguinte não conseguiu convencê-lo a renovar contrato e evitar a saída para as Antas. Mas também no FC Porto não foi fácil a afirmação do médio. Vinha coberto de boas referências ao ter feito corresponder a boa carreira na liga gaulesa a uma regular presença na Selecção Nacional, onde teve como ponto alto o bonito golo que marcou à Roménia no Euro-2000 e que foi decisivo na qualificação de Portugal para os quartos-de-final, mas acabou por pagar o insucesso colectivo na forte aposta de recuperar o título. Esta época, sem ter que dividir com Paredes o reinado do meio-campo portista, Costinha tem mostrado a sua raça.
Tipo de executivo e feitio de ministro
Costinha tem a particularidade de gostar muito de roupa e adpotar um estilo que é mais do tipo executivo que de futebolista. O gosto pelos fatos provocou um outro episódio curioso no processo de transferência para o Monaco, recordado pelo empresário Jorge Mendes: "O olheiro do Monaco e antigo treinador do Barcelona, Lucien Muller, que era quem estava à espera dele no aeroporto de Nice, telefonou-me a dizer que o jogador não tinha chegado. Não estava nada à espera de um jovem de fato e mala na mão."
A forma de estar de Costinha também é um pouco distinta. Pode-se ter uma ideia aproximada da sua maneira de ser pela alcunha por que era conhecido no balneário monegasco: "O ministro".
Octávio: «Grande carácter ao serviço do colectivo»
Tratando-se Costinha de um reforço portista na última época a sua estreia nos dragões na então I Liga coincidiu com a do seu treinador, Octávio Machado, no comando técnico, 14 anos depois da saída. A impressão que o jogador deixou em Octávio nos cerca de sete meses de convívio nas Antas é de um profissionalismo a toda a prova: "Trata-se de um jogador de grande carácter. Todos sabem das qualidades futebolísticas de Costinha, que são grandes também, mas o que mais me marcou foi a sua maneira de estar e de ser perante todos, pelo seu espírito colectivista, revelando saber estar em grupo até nas mais pequenas atitudes."
Em termos mais desportivos, os elogios não são menores: "Tem uma cultura táctica soberba à imagem da escola francesa, onde colheu a maior parte da sua experiência ao mais alto nível futebolístico. Tem condições físicas naturais que lhe permitem uma resposta excelente e tem um espírito de total disponibilidade para os objectivos colectivos."