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"Veni, vidi, vici." A expressão latina atribuída ao imperador romano Júlio César assenta como uma luva aos primeiros tempos de Danilo no FC Porto. O médio contratado ao Marítimo chegou, viu… e está a vencer a concorrência interna. Ele que, ao contrário de outros reforços azuis e brancos para esta temporada, nem tinha ‘lugar reservado’ no onze-base de Julen Lopetegui.
Casillas, Maxi Pereira e Imbula, por razões distintas, aterraram na Invicta conscientes de que estariam, com maior ou menor dificuldade, entre as principais opções do treinador espanhol. O guarda-redes pelo estatuto conquistado ao longo de 25 anos no Real Madrid, ao longo dos quais ganhou praticamente todos os grandes títulos do futebol moderno, tanto ao nível de clubes como de seleção; o lateral-direito, de qualidade reconhecida em Portugal, por ter sido resgatado ao rival Benfica após oito temporadas na Luz; e o médio, um valor em ascensão no futebol europeu, quanto mais não fosse pela necessidade de dar sequência ao investimento de 20 milhões de euros que a SAD fez na sua contratação.
Danilo, não. Contratado por pouco mais de 4 milhões de euros ao Marítimo, o médio chegou ao FC Porto para substituir Casemiro, mas contando com a concorrência efetiva de Rúben Neves, a grande promoção de Lopetegui na época anterior, e até com o próprio francês ex-Marselha. Danilo recebeu apenas um voto de confiança de Lopetegui nas suas capacidades ainda antes de ter sido contratado pelos dragões, num momento em que estes procuravam ultrapassar a concorrência do Sporting pelo seu concurso. Neste momento, o médio é, para lá daquele trio, o único reforço que já garantiu o seu espaço entre os prediletos do técnico basco.
Sempre em campo
Até agora, Lopetegui ainda não abdicou da força física e do sentido prático de Danilo no FC Porto versão 2015/16. Titular nos três encontros disputados, o médio cumpriu os 90 minutos de cada um dos desafios, contrariamente aos restantes dragões do sector intermédio. Aliás, entre todos os utilizados pelo espanhol, apenas Casillas, Maxi Pereira, Maicon e Marcano podem gabar-se do seu estatuto de totalistas.
Todas as pistas apontam à consolidação de Danilo como patrão do meio-campo FC Porto, agora que o internacional português se encontra num momento de afirmação plena. Rúben Neves merecerá certamente algumas oportunidades por parte do seu treinador e o ex-Marítimo também precisará de ver a sua condição física gerida em determinadas fases da época, mas, para já, o momento é de Danilo... o conquistador.
Aproveitar o infortúnio de William Carvalho
Para Danilo, a infelicidade de William Carvalho foi uma oportunidade. Obrigado a parar devido a uma fratura de stress da tíbia, o médio do Sporting está arredado das opções de Jorge Jesus desde julho e, por consequência, também das de Fernando Santos.
Foi com o atual selecionador nacional que Danilo se estreou na equipa principal das quinas, ainda ao serviço do Marítimo, num particular com a seleção de Cabo Verde, em março último. A chamada deixou claro que o médio já estava no radar de Fernando Santos, que deu recentemente sequência à aposta no agora jogador do FC Porto. Em junho não saiu do banco frente à Arménia (William Carvalho foi suplente utilizado nesse jogo); estreou-se de início no particular com a Itália (já com o jogador dos leões dispensado); e agora, com o sportinguista a recuperar de lesão, foi titular tanto no ensaio com a França, em Alvalade, como na vitória sobre a Albânia, em Elbasan, a contar para a fase de apuramento para oEuro’2016. Danilo também está a agarrar com unhas e dentes esta oportunidade ao nível da Seleção Nacional.
Adversário de sábado já estava à espera
Entre os adversários que irá enfrentar no sábado, Danilo tem um antigo companheiro de equipa. Artur, que jogou com o portista no Marítimo, já adivinhava. "Agora é fácil falar, mas para mim não é novidade ele estar a impor-se numa equipa como o FC Porto. Sempre lhe disse que tinha muita qualidade e fico feliz por ele", disse Artur, esperançado em ver umDanilo abaixo das suas capacidades na próxima jornada: "Espero que este jogo não lhe corra tão bem e que perca, mas fico feliz pelo que está a fazer no FC Porto. É humilde, mas não gosta de perder, o que faz dele uma pessoa ambiciosa e isso, dentro das quatro linhas, nota-se."