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O FC Porto publicou esta quinta-feira o documentário que mostra os bastidores da conquista do título de campeão nacional. O terceiro dos quatro episódios, intitulado "Reação de campeão", começa com o estágio de janeiro no Algarve, onde foram integrados os reforços Thiago Silva e Pietuszewski. Moffi e Fofana chegariam mais tarde, mas os pontos fortes dessa passagem da época de sucesso portista estão relacionados com o regresso de Vasco Sousa ao Olival, a grave lesão que Samu pensou não ser preocupante e ainda o discurso de João Costa, quando o FC Porto foi à Luz empatar com o Benfica a duas bolas. Isto para não falar da derrota "importante" frente ao Casa Pia.
Depois da grave lesão sofrida no Moreirense, onde iniciou a época passada por empréstimo, e das constantes presenças no bloco operatório, Vasco Sousa voltou ao Olival para iniciar a sua recuperação. O momento ficou marcado por muitas lágrimas do jovem médio, que foi recebido pelo treinador Francesco Farioli e pelo capitão Diogo Costa, antes de falar ao grupo na sala de reuniões.
"Foi muito bom sentir a energia que recebi aqui, depois do maior pesadelo da minha vida. Senti-me uma força para o grupo", começa por dizer Vasco Sousa, antes de voltar a quebrar quando falou para todo o grupo de trabalho, ainda apoiado num par de canadianas.
"Vi o meu sonho quase a ir por água abaixo. Tive uma força extra desde o início, a que vinha de cada um de vocês. O meu sangue é azul e estou pronto para mais uma luta. Obrigado e prometo ser mais um a ajudar", disse ainda.
Logo de seguida, no mesmo episódio do documentário, é feita uma análise já a frio à derrota com o Casa Pia, a primeira de duas do FC Porto no último campeonato. E todos os jogadores que falaram dela, falam da importância desse momento.
" Após a derrota contra o Casa Pia, houve mais pressão de fora do que aqui dentro. As pessoas diziam que estávamos a perder a confiança, que já não sabíamos ganhar. Esses momentos fizeram-nos quem fomos ao longo da época. E se nos vissem ao longo da época, fosse em que prova fosse, estivemos sempre juntos e acho que esse foi o nosso grande poder", começa por afirmar Pablo Rosario.
"Foi a nossa primeira derrota e achas que pode realmente abanar alguma coisa ou a malta mais jovem sentir ali, de alguma forma, o peso da derrota, mas não. Chegamos ao autocarro e todos diziam que era só jogo, uma derrota, que não podíamos em stress. Era só continuarmos a fazer aquilo que tínhamos vindo a fazer até aquele momento. Ainda bem que aconteceu uma derrota nessa fase para percebermos que nem tudo é um mar de rosas e que íamos ter que sofrer para sermos campeões", prosseguiu Cláudio Ramos.
O capitão Diogo Costa seguiu na mesma linha de raciocínio dos colegas: "Uma derrota nunca é positiva, mas eu acho que foi positivo no que trouxe depois. Aí sentimos que é sempre preciso mais um bocadinho em todos os jogos, é sempre preciso estar com a ficha bem ligada na tomada. Houve conversas entre nós, tivemos que falar dos problemas que estavam a existir naquele momento, mas soubemos reagir, trabalhar bem todos os dias, com foco, e a equipa uniu-se ainda mais. Um jogo bastante importante."
Gabri Veiga saiu dessa derrota com sentimento igual: " "É difícil explicar, mas a derrota com o Casa Pia foi um jogo muito importante para nós. A partir daí seguimos ainda mais unidos. Outra equipa podia cair nesse momento, mas nós tínhamos muita confiança em nós, trabalhávamos uns pelos outros todos os dias."
Logo depois, o FC Porto empata com o Sporting, no Dragão, a uma bola, no jogo de estreia de Fofana, que abriu o ativo dessa partida pouco depois de ter saltado do banco. O médio recorda o momento do golo com grande emoção.
"Se o treinador te dá um minuto tens de fazer a diferença. Quando chegas e marcas é uma boa mensagem. Quando marquei foi um loucura. Ainda nem conhecia bem alguns jogadores e eles abraçavam-me daquela maneira. Depois do jogo percebi que tinha sido algo muito importante para o clube e para os meus colegas", afirmou Fofana, cabendo, depois, a Diogo Costa comentar o golo que sofreu e que permitiu o empate de Luis Suárez.
"Foi bastante frustrante porque atirei-me com tudo e a bola não foi assim tão colocada. Ao tentar encolher-me, tentei defendê-la mas, se calhar, dei tanta energia nesse lance que acabei por prejudicar um bocado a equipa. Foi com essa vontade de querer esticar ao máximo como se a bola fosse o mais encostada possível ao poste e acho que depois ao tentar encolher-me foi o problema".
Nesse clássico com o Sporting, Samu lesionou-se com gravidade e continua sem jogar desde aí, mas as primeiras impressões do atacante foram mais leves.
"Na altura não percebi o que se tinha passado. Foi um choque, senti uma dor forte no joelho, mas era como uma pancada e continuas a jogar. Sentia alguma instabilidade. 15 a 20 minutos mais tarde o joelho estalou. Quando o doutor me veio ver eu disse que queria continuar a jogar. Mesmo no balneário queria seguir a jogar. O míster perguntou-me e eu disse que jogava, mas depois ele olhou para o doutor e o doutor disse que era melhor nao continuar. Comecei a ficar um pouco preocupado. mas no final no jogo não sentia muita dor. Borja perguntou-me como estava, disse-lhe que acreditava que não seria nada. que falharia um jogo e depois voltava", explicou Samu.
Mais à frente, quatro jornadas depois, o FC Porto desloca-se à Luz para defrontar o Benfica e Farioli convidou João Costa a falar ao grupo, no balneário, antes da subida ao relvado para o jogo. O discurso do terceiro guarda-redes do plantel foi vibrante e ofereceu energia aos colegas.
"O míster convidou-me a falar e eu aceitei com todo o gosto. Quero dizer-vos que, pela história, o Benfica é um clube de vedetismo, de mediatismo, de vaidade... E nós, pelo nosso ADN, pelas nossas pessoas, a nossa região, somos um clube de trabalho, de superação, de sacrifício. E todos juntos, ninguém nos bate, car***o. Eles acham que têm vantagem, mas eles não sabem que já estão a perder aqui dentro, porque eles não têm aquilo que nós temos, que é esta família... Todos juntos, vamos correr uns pelos outros, vamos superar-nos. Em cada sprint, sprintamos mais do que eles, nos duelos metemos o pé por cima do deles. E nunca se esqueçam o que disse o nosso eterno Jorge, car***o, nós voltámos a ser uma equipa, nós voltamos a ser o FC Porto. Vamos lá."
Por Nuno Barbosa