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O FC Porto divulgou esta quinta-feira o anunciado documentário sobre a última temporada, que teve como ponto mais alto a conquista do título nacional. Em quatro episódios, que combinam imagens de jogos e de bastidores já conhecidas, há também gravações inéditas e comentários dos próprios protagonistas. As declarações, recolhidas no final de 2025/26, ajudam a perceber mais a fundo a visão e sensações dos jogadores ao longo da temporada.
O primeiro momento destacado pela globalidade dos portistas foi, desde logo, a pré-temporada. "Percebemos que era o momento de colocar egos de lado, objetivos pessoais de lado, e de todos remarem para o mesmo lado. No estágio da Áustria tivemos logo momentos muito bons de espírito de grupo, em que se percebeu que tínhamos um grupo de homens", recorda Cláudio Ramos, secundado por Pepê: "Eu sinceramente não acreditava que fizéssemos uma campanha tão boa, mas logo na pré-época ficou claro que iria ser totalmente diferente. Sentia-se uma energia totalmente diferente. Sabíamos que tínhamos de dar a volta por cima, de colocar em campo a nossa raiva da época anterior."
"Estava a formar-se um grupo, percebíamos isso, mas não era só isso, era um grupo onde se viam os valores do FC Porto." Esta foi a visão de João Costa, um reforço particular que era, claro está, já um homem da casa e que recebeu outros em estreia absoluta, como Froholdt: "Quando olho para trás parece que foi há muito tempo. Fizemos uma pré-época muito boa, depois tivemos o jogo de apresentação com o At. Madrid e foi bom começar bem. Levei alguém tempo a ficar confortável, mas as pessoas do clube, jogadores, staff, fizeram-me um Victor diferente. Agora sinto-me em casa, no Porto e no clube."
Um outro momento destacado pelos jogadores foi o da visita do plantel ao museu do FC Porto, promovida pelo próprio clube. "De fora sabemos que o clube é grande, mas não sabemos o quão grande é até entrarmos no museu. Foi aquele momento de dizer ‘wow, este clube é mesmo muito grande’", contou Pablo Rosario, indo ao encontro de Cláudio Ramos: "Irmos ao museu foi uma iniciativa muito boa, de ir em equipa. Já coisas que mesmo estando aqui muitos anos não conhecemos e tivemos a oportunidade de ouvir jogadores importantes no clube [João Pinto, Rui Barros e Lucho]. Foram momentos importantes especialmente, estou certo, para quem não estava tão identificado com o clube."
Um outro episódio aprofundado no primeiro episódio do documentário foi o da apresentação surpresa de De Jong na apresentação do grupo aos sócios. O holandês recordou todo o processo na primeira pessoa. "Tudo começou com um telefonema do míster uma ou duas semanas antes. Depois de chegarmos a acordo o presidente disse que queria fazer uma surpresa e eu disse, porque não? Vamos tentar. Seria sempre difícil no futebol atual, mas as coisas estavam feitas e tentámos. Tentei evitar as pessoas, usei um boné na viagem, tentei andar longe das pessoas no aeroporto, entrar diretamente no avião... E conseguiu-se. Até os jogadores ficaram… temos um novo jogador?! E foi engraçado ver a reação dos adeptos também."
Sem surpresas, o falecimento de Jorge Costa logo no início da temporada foi um momento marcante para o plantel, que assinou um quadro com a mensagem "Pelo Jorge, pelo Porto, até ao título", escrito por André Villas-Boas, com o compromisso de dar tudo pela conquista do campeonato. "Tivemos o quadro sempre connosco, em que assinámos o compromisso de jogar também por ele. Sempre esteve connosco, esse quadro e uma camisola. Ele esteve sempre connosco, a ajudar-nos, de onde quer que esteja. O compromisso de fazer algo mais para que seja especial", recordou Diogo Costa, tal como Pepê: "Foi muito difícil. Era alguém que estava todos os dias connosco, sempre a incentivar-nos. Depois do que aconteceu, como aconteceu, aqui no Oliva, precisávamos de estar à altura do Jorge Costa."
Com cinco triunfos seguidos no início da época, Francesco Farioli sentiu a equipa a baixar um pouco no rendimento e reuniu-a de novo perante o seu compromisso assinado, na já citada visita ao museu dos dragões. "Nunca conhecemos o local até entrarmos aqui. Para os mais antigos é bom para refrescar, para os novos de conhecer. Para mim foi uma grande experiência. O passado leva-nos ao presente e ao futuro. Se olharmos para este quadro, que ganhou forma apenas há um mês... Pensem no que já aconteceu neste período… É um compromisso que temos aqui e temos de sair daqui com o desejo de competir ao máximo e não baixar a fasquia. Nos últimos dias, já vos disse que baixámos um pouco e, hoje, falando com algumas pessoas, se queremos que este quadro algum dia esteja aqui no museu, todos me disseram que temos de trabalhar o dobro de todos os outros. E isto tem de ser claro para todos", transmitiu o italiano ao seu grupo, com a tradução a ser feita pelo adjunto Lino Godinho, o que de resto acontece recorrentemente nas imagens publicadas.