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Naturalmente radiante pela conquista do seu primeiro título como presidente do FC Porto, depois de já ter campeão como treinador em 2010/11, André Villas-Boas enalteceu a importância da conquista alcançada pela equipa de Francesco Farioli e também abordou o que aí vem no futuro.
"A alegria das pessoas é o que mais comove. Os sócios e adeptos do FC Porto encontrarem-se de novo com os títulos. Este é um clube ultra-vencedor, o maior de Portugal em número de títulos e eu, como presidente, não faço mais do que a responsabilidade. Sensações diferentes de treinador, o treinador está mais envolvido nas decisões do dia-a-dia. Enquanto presidente é mais alívio do que felicidade. Entretanto começa a nova época e estamos com cabeça para agarrar a oportunidade que se segue. O FC Porto não pode largar mais esta posição. É a construção de um futuro mais sólido desportivo, económico e associativo.
Objetivo é não largar uma posição que o FC Porto ocupa há muitos anos e que sentimos como nossa. Títulos tornaram clube grandioso e é por isso que temos tanta cobrança. Há cobrança inerente. Não queremos largar, para não largar é preciso construir a partir desta base. Evidentemente, um clube português para ser sustentável tem que gerar 'cash flows' e essa é a dificuldade. Encaixámos parte significativa com qualificação da liga dos campeões, mas as responsabilidades são grandes. Temos de renovar equipas e tornar este clube sustentável. Essa é a dificuldade, é nisso que estamos a trabalhar, objetivo é manter peças principais. Todos foram decisivos, mas é preciso sempre renovar, recriar e continuar a sustentabilidade económica.
Momentos mais complicados foi terminar em terceiro com todas as dificuldades inerentes ao primeiro ano de mandato. Houve muita transformação no primeiro mandato que susteve esta equipa. Quando vendemos Nico e Galeno injetámos 110 M€ fundamentais para a renovação da equipa. Sem isso não teríamos o talento que temos agora. O FC Porto, se tivermos por base os dados do Transfermarkt, é a equipa mais valiosa do futebol português. Tem a particularidade de o Quenda pertencer ao Chelsea e não ao Sporting e estar associado ao Sporting. FC Porto tem o plantel mais valioso por conta do que fizemos no ano passado. Criámos condições para investir e dar a um treinador de futebol maiores condições para atingir o sucesso. Sofremos desilusões, tristeza, custa muito porque houve movimento orgânico associativo pelas eleições. Há expectativas altas e o primeiro ano ser tão avassalador em termos negativos custou. Renovação foi feita, com um treinador há muito desejo e que transformou esta equipa como ninguém. Fez funcionar o talento para o coletivo e obteve o sucesso com muito mérito."
"Houve cumplicidade e oportunidade. Fomos a escolha do Thiago para a continuidade da sua carreira e muito ajudou. Estreou-se 5 dias depois de treinar pela primeira vez. Foi o fechar do ciclo para ele. Depois, havia necessidades. Vontade de reforçar as bandas, reforçar o ponta-de-lança pré-lesão do Samu. Estou muito agradecido à equipa que tenho comigo. Campo da gestão, campo comercial, campo desportivo, campo jurídico e financeiro, estou convencido que temos equipa de nível europeu. Sentam-se comigo ali, pouco destaque têm, mas são decisivas na transformação do clube.
Dois momentos mais prazerosos foi o golo com o Sporting e o golo com o Famalicão. E ambos terminaram em empate. Esses dois golos celebrei efusivamente, jamais pensei que houvesse volte-face. Depois há a vitória em Braga, com as condicionantes que o jogo teve, que confirmou a rota para o título. Ganhar em Braga, jogando depois dos adversários, com penálti contra a 'borderline' e ver resultado inverter-se com vitória teve muito significado. Foi um dos momentos marcantes da época. O percurso da equipa também é curioso porque na adversidade sempre se encontrou. Nunca houve momentos de crise, guerra interna, houve sempre coesão, crença no título, manutenção dos princípios. Identificamos os mesmos princípios, a mesma ideia coletiva e isso manteve-se imutável mesmo quando houve derrotas ou empates. Há muito mérito do treinador, que manteve a ideia, o projeto. Não fossem esses deslizes e este campeonato ainda seria mais marcado pelo sucesso. Não é recorde de pontos, mas é quase como se tivesse sido. É excecional em toda a linha.
Há uma parte de tudo. O que encontramos foi estabilidade a nível interno na parte desportiva. Como fui treinador tenho a sensibilidade para perceber que há jogadores que os treinadores conhecem bem e que servem o projeto. No caso do Pablo Rosario tornou-se evidente, no caso do Fofana também. Houve discussões internas sobre jogadores que ele conhecia e que podiam servir o clube. Há uma estrutura em funcionamento, Jan [Bednarek], Froholdt, Oskar [Pietuszewski] também. Há um misto e uma consciência de que trabalhar em grupo e com a estrutura é melhor. Claro que há, dentro destas decisões, sempre discussão entre estrutura, scouting e treinador.
Sobretudo a Liga Europa. Fizeram muita falta. A estratégia de Farioli é de rotação e se tivéssemos jogadores da qualidade do Samu e do Luuk [de Jong] disponíveis teríamos atingido a final da taça e da Liga Europa. O Gül e o Moffi deram tudo, tem que se encontra com o golo mais vezes para encontrar aquela confiança de matador. Vê-se no Deniz [Gül] aquelas hesitações que quando estão presentes no goleador por marcar mais golos trazem mais confiança e mais golos.
Há muito sofrimento envolvido. O dia-a-dia de treinador dá prazeres únicos. O presidente está numa posição de gestão, basicamente é pôr as pessoas certas no lugar certo. Quando atinges a glória é diferente do que como treinador. Mantenho o meu campeonato nacional como o treinador como o mais saboroso.
Uma vitória deles, da união do FC Porto. Se todos recuarmos ao jogo com o At. Madrid vimos os adeptos a abraçarem a equipa. Esta vitória é muito deles. Temos crescido 20% de sócios ao ano, estamos a bater recordes de assistência, temos fila de espera para lugares anuais. Esta vitória também é deles."
Por Pedro Morais