O diretor de informação e comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, lançou um duro ataque à Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) e ao seu presidente, Luciano Gonçalves, assinalando uma diferença de tratamento em relação a Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira.
"No decurso desta época desportiva, o nosso presidente interveio publicamente em duas ocasiões que mereceram participações disciplinares por parte da APAF. Foi relativamente ao jogo da Taça de Portugal, em Braga, quando o Luis Díaz foi expulso por rematar à baliza, num lance que veio tristemente a significar a lesão grave de David Carmo, e numa entrevista, há pouco mais de um mês, no Porto Canal, onde teceu algumas considerações relativas aos prejuízos de decisões de arbitragem no FC Porto B", começou por dizer o dirigente portista, esta terça-feira, no Porto Canal.
E prosseguiu assim: "Dizer o que quer que seja sobre arbitragem para a APAF significa uma participação disciplinar, exceto se essas declarações forem proferidas pelo senhor Luís Filipe Vieira".
Francisco J. Marques referia-se às críticas tecidas pelo presidente encarnado à arbitragem a 28 de fevereiro, em entrevista à BTV.
"Fica claro uma diferença, um privilégio para o presidente do Benfica em detrimento do presidente do FC Porto. A APAF já tem rabos de palha que cheguem, o presidente da APAF já tem os rabos de palha que toda a gente conhece, que foram públicos e dessa mancha não se vai livrar. Alguém que carrega às costas o problema de ter as ligações que tinha, de andar a pedir bilhetes para os jogos na Luz, da maneira que o fez, e agora ser apanhado nesta diferença de tratamento... É muito mau para o presidente da APAF. Não há outra maneira de olhar para isto. Estamos a falar de factos. As declarações de Luís Filipe Vieira foram anteriores às segundas declarações de Jorge Nuno Pinto da Costa e a verdade é que não há participação", concluiu o diretor dos azuis e brancos sobre o tema.
Noutro âmbito, Francisco J. Marques debruçou-se ainda sobre os 4,75 milhões de euros que o FC Porto tem a receber do Estado português a título de IVA, deixando no ar a ideia de que, face à ausência de queixas, os restantes clubes não deverão ter verbas em atraso. "Levanta-se uma questão, quem nos diz que há estes atrasos da devolução do IVA ao FC Porto, mas se calhar também há com os seus concorrentes, o Benfica, o Sporting, o Sp. Braga, o Boavista... Creio que não, porque ninguém se queixa. Se houvesse entidades a ter milhões de euros a receber, que deveriam ter sido feitas até final 2020, haveria manifestações públicas. (...) O que temos é um Estado que não tem sido capaz de prestar apoio ao futebol, parece querer matar o futebol, no resto tem tido políticas penalizadoras e não é capaz de cumprir com a devolução do IVA, numa altura difícil para toda a gente, à qual FCP não foge. A banca portuguesa fechou. O futebol tem obstáculos atrás de obstáculos e ainda há dinheiro a dever", concluiu.
Por Nuno Barbosa