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Jackson Martínez encara os microfones com a mesma educação e sinceridade com que aborda um lance dentro de campo. Em cima do tapete verde, é raro ver o colombiano contestar a decisão de um árbitro, confrontar um adversário por uma falta ríspida ou teatralizar uma queda de forma mais aparatosa. À partida para a Colômbia, onde vai representar a sua seleção, o Cha Cha Cha também não fugiu às questões sobre o rendimento da equipa e o seu aparente menor fulgor neste arranque de temporada. Pelo contrário, o ponta-de-lança, de 27 anos, chamou a si e àqueles que ao seu lado envergam a camisola do FC Porto a responsabilidade pelo atual nível do futebol azul e branco.
“O momento do FC Porto não nos deixa tranquilos porque gostávamos de estar muito melhor em todos os aspetos. A este clube não basta vencer. Sabemos que aqui temos de ganhar e ganhar bem, tal como já conseguimos tantas vezes. Vamos continuar a trabalhar da melhor forma como temos feito e certamente demonstrar todo o nosso nível realizando boas exibições”, respondeu, sem fintas nem simulações, avançando logo de seguida com uma espécie de confissão coletiva: “As dificuldades passam por nós, por todos nós, jogadores. Nós é que tomamos decisões dentro de campo e em algumas situações estamos a tomar as erradas. Temos de melhorar, temos de comunicar mais e melhor para não sofrermos golos e sermos ainda mais eficazes no ataque.”
Eficácia é um conceito muito caro a Jackson, tendo em conta que a sua primeira função dentro de campo é marcar golos. Concluída a primeira dezena de jogos oficiais da temporada, o ponta-de-lança até já tem mais um tento apontado (9) do que em igual período da última época (8). No entanto, ao nível qualitativo, as suas exibições não têm sido tão convincentes como no seu ano de estreia. Uma vez mais, Jackson enfrenta a crítica de frente. “Concordo com a ideia de que talvez não tenha estado ao nível que mostrei na temporada anterior, mas isso não me faz desesperar, não me deixa intranquilo, porque estou a trabalhar para melhorar. A cada dia que passa quero ajudar mais a equipa. Penso que estou a evoluir ao nível exibicional e acredito que assim continuarei”, afirmou.
Mudanças
Os pontos de interrogação que têm surgido no Dragão já levaram os adeptos a esboçar as primeiras manifestações de insatisfação no final de algumas partidas. Será que a equipa não corresponde ao futebol exigido por Paulo Fonseca... porque ainda tem demasiado enraizados os princípios de jogo de Vítor Pereira? “São treinadores com formas de trabalhar e ideias de jogo diferentes. Apesar de tudo, ainda estamos no início da temporada e, portanto, o tempo de trabalho ainda é escasso. Não é uma desculpa para justificar o que de menos bom temos feito, de forma alguma, porque estas mudanças são normais, mas nós temos de dar resposta ao que Paulo Fonseca quer. Há coisas a melhorar e o treinador está a fazer tudo ao seu alcance para que as coisas corram bem”, afirmou o avançado.
Bons assistentes até em dose dupla
A incapacidade da equipa para alimentar continuamente Jackson ao longo dos jogos tem sido apontada como uma das principais razões para o arranque a meio gás do FCPorto. Lucho e Quintero são os homens com mais responsabilidade neste capítulo, mas o ponta-de-lança não os deixa ficar mal. “Gosto sempre de jogar com Quintero, entendo-me bem com Lucho e, portanto, qualquer um deles que jogue será bom para mim. Juntos? Seria espetacular também. Quintero tem uma qualidade impressionante e a orientação de Lucho pode ajudá-lo muito com certeza.”
Renovação por acertar
Foi claramente a resposta mais curta de Jackson a todas as questões colocadas. Depois de se ter mostrado “feliz por mais dois golos na carreira” e “ter ajudado a equipa a vencer”, frente ao Arouca, o ponta-de-lança foi confrontado com o arrastamento do processo de renovação do seu contrato. “A renovação está a ser tratada. Vamos definir... Está a ser tratada”, foi tudo o que o ponta-de-lança quis dizer sobre o assunto, que tem sido discutido entre o seu representante, Luís ManuelManso, e os responsáveis da SAD azul e branca. O atual vínculo de Jackson é válido até ao final da temporada 2015/16.
NÚMEROS
2 - décimas a mais tinha Jackson em termos de média de pontos Record no final dos 10 primeiros jogos oficiais da época 2012/13. Neste momento, o avançado tem uma média exata de 3 pontos, enquanto na temporada anterior a média era de 3,2. Também por aqui se vê o menor fulgor esta época
900 - minutos acumulados esta época, o que significa dizer que o matador nunca foi substituído
6 - remates do avançado diante do Arouca. O colombiano voltou a passar da mão-cheia de tentativas, depois de ter estado quatro jogos (Gil Vicente, Austria Viena, Estoril e Atl.Madrid) a disparar apenas três vezes por partida