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Oliveira, o dissidente

O Verão de 1980 não terá sido muito diferente dos outros mas nas Antas foi especialmente quente. Um grupo de jogadores, que ficou conhecido por “dissidentes”, não compareceu no primeiro dia de treinos por não concordar com o afastamento do director do futebol e do treinador. O director era Jorge Nuno Pinto da Costa, o treinador José Maria Pedroto.

Entre o grupo inicial de 14 dissidentes contava-se António Oliveira, o actual presidente do FC Porto e o maior accionista individual da SAD portista para o futebol profissional, com 11 por cento das acções. Sob o slogan “por um FC Porto livre e independente”, Oliveira, Freitas, Tibi, Teixeira, Lima Pereira, Romeu, Sousa, Octávio, Gomes, Albertino, Quinito, Frasco, Costa e Jaime Pacheco foram treinar-se, às ordens de Hernâni Gonçalves, para a mata do S. Brás, em Santa Cruz do Bispo, enquanto o austríaco Herman Stessel ficava a treinar um grupo de cinco jogadores: José Luís, Becas, Rodolfo, Simões, Fonseca, Gabriel e Cerqueira.

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O grito de PC

“O mais importante é que os associados do FC Porto não se deixem manipular por falhas de informação, que estejam absolutamente certos de que ninguém mais do que nós pretende que o FC Porto continue a ser temido pela sua grandeza. Estamos certos que o FC Porto irá sair fortalecido”, era como o hoje presidente do FC Porto alinhava o seu discurso nesse mês de Julho escaldante.

O FC Porto, sob o comando de Pedroto e com Oliveira e Gomes como principais estrelas, vinha de uma época em que perdera o “tri”, facto aproveitado pelo então presidente, Américo de Sá, para fracturar o clube, aborrecido com o sublinhar da guerra Norte-Sul feito quase em uníssono por treinador e chefe do departamento de futebol.

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Cabecilha

Oliveira e Octávio – que terminava contrato – foram os jogadores que resistiram à pressão que se seguiu. Rodolfo chegou a acusar Oliveira de ser o cabecilha da rebelião. “No primeiro ano de Pedroto, ganhámos a Taça, o que já não acontecia desde 1969; no segundo, o campeonato, que já não vencíamos há 19 anos; e no terceiro o bicampeonato; e só o ano passado nada ganhámos”, foi como desabafou um Oliveira disposto a dar “o corpo às balas”. Tanto que até rescindiu unilateralmente.

Depois de uma temporada em França, nas vindimas, com um grupo de amigo, Oliveira voltou para assumir o comando do Penafiel. E também para jogar. Fê-lo com tanto sucesso que garantiu rapidamente a permanência, esteve a um passo dos lugares da Europa e sob o seu comando o Penafiel nunca perdeu em casa. Nessa mesma época, o homem que mais tarde viria a levar, na qualidade treinador, o FC Porto ao tri e ao tetra assinou contrato pelo Sporting, clube que iria representar na temporada seguinte.

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O homem que morreu há 24 anos

O actual presidente do Penafiel não teve qualquer dúvida quando terminou o seu primeiro ciclo no FC Porto, onde esteve 14 anos enquanto praticante de futebol: “Não conheci nenhum dirigente como Jorge Nuno Pinto da Costa”. Oliveira estava a falar do futuro presidente do FC Porto, do homem que um dia o escolheu para treinador da equipa principal com o sucesso que se conhece. Curiosamente, no ano em que abandonou o FC Porto a sua morte foi anunciada, num acidente de automóvel. “Já sei, mataram-me, mas essa notícia deu-me mais 50 anos de vida”, comentou então quem nasceu a 10 de Junho e é Luís como Camões.

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